Livros

Paula Hawkins: “Fiquei chocada quando me mudei para Londres”

A NiT falou com a autora de “A Rapariga no Comboio”, que está em Portugal a promover o novo livro, “Escrito na Água”.

A escritora publicou o primeiro thriller em 2015

São dez da manhã e uma senhora britânica de 44 anos sobe lentamente as escadas para o segundo piso do Evolution Hotel, em Lisboa, depois de tomar o pequeno-almoço. Podia ser uma das milhares de turistas que passam pela cidade ao longo do ano mas, na verdade, trata-se de Paula Hawkins, a escritora de um dos maiores bestsellers de sempre — e que se prepara para falar com a NiT.

“A Rapariga no Comboio” vendeu mais de 20 milhões de exemplares em todo o mundo e desde 2015, quando foi publicado, que é o livro mais comprado em Portugal. Foi adaptado para o cinema em 2016, num filme realizado por Tate Taylor.

No dia anterior — sábado, 10 de junho — a autora deu centenas de autógrafos na Feira do Livro de Lisboa, no Parque Eduardo VII, onde esteve a promover o segundo thriller psicológico, “Escrito na Água”. Houve pessoas que esperaram duas ou três horas por uma assinatura de cinco segundos. O livro chegou às livrarias a 2 de maio, onde está à venda por 18,79€.

Conta a história de uma mulher que tenta descobrir o que aconteceu à irmã, depois de ela ter morrido de forma misteriosa no rio de uma vila inglesa fictícia, Beckford. Todas as pessoas da comunidade escondem segredos e revelam o que pensam aos leitores da sua própria perspetiva.

Nascida em 1972 no Zimbabué, onde viveu até aos 17 anos, quando se mudou para Londres, no Reino Unido, Paula Hawkins começou por trabalhar como jornalista de economia. Trabalhou durante 15 anos no jornal “The Times” e o primeiro livro que escreveu, “The Money Goddess”, em 2006, tinha conselhos financeiros para as pessoas comuns.

No entanto, foi como escritora de thrillers que se tornou uma verdadeira “deusa do dinheiro” e uma das autoras que mais lucrou desde sempre. A revista “Forbes” calculou que Paula Hawkins tenha recebido cerca de nove milhões de euros em 2016. Nem sempre tudo foi fácil: teve de pedir dinheiro emprestado à família enquanto arriscava e escrevia “A Rapariga no Comboio”. Antes disso, tinha escrito alguns romances sob o pseudónimo Amy Silver, que pouco (ou nenhum) sucesso tiveram. Agora, mais habituada às constantes tours de promoção, sentou-se para falar com a NiT, a propósito do segundo livro.

Como foi ontem na Feira do Livro? Estiveram lá centenas de pessoas à espera de um autógrafo.
Fiquei muito surpreendida. Acho que nunca tinha tido uma fila tão grande num evento para assinar livros, por isso foi fantástico. Eram pessoas muito novas e tenho vontade de voltar.

Esta é a sua primeira vez em Lisboa?
Já tinha estado cá antes, mas não conheço a cidade, de todo. Gostava de poder ficar mais tempo, porque toda a gente me diz que é um sítio incrível, com comida e pessoas muito boas. Eu já tinha vindo cá enquanto miúda, mas não me lembro muito bem. E vim no Euro 2004, vi a Inglaterra perder com a França [risos]. Não vi o jogo com Portugal, só fui convidada para um.

Apesar de não conhecer a cidade muito bem, acha que Lisboa podia ser o cenário para uma das suas histórias?
Acho que talvez o Reino Unido seja mais apropriado. Porque tem mau tempo, é um bocado infeliz… aqui é demasiado simpático e soalheiro. Mas tenho a certeza de que dava para escrever uma boa história de crime passada aqui. O primeiro foi em Londres, o segundo numa vila inventada, mas elas não precisam de ser ali. Posso transportá-las para qualquer lado. A localização parte sempre das personagens.

Neste novo livro, “Escrito na Água”, existem 11 narradores diferentes, sendo que no primeiro existiam três. A maior dificuldade de o escrever foi entrar na cabeça destas personagens para escrever da forma como elas contariam a história?
Sim, isso foi muito difícil, foi um livro complicado. Quis contar a história assim porque todas as pessoas nesta comunidade estão a esconder segredos, por isso queria que os leitores pudessem ouvi-los de todas estas pessoas. Entrar nestas mentes e tentar criar uma voz que soasse autêntica e diferente foi um dos maiores desafios.

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