Livros

Nicholas Sparks: “Eu escrevo para um público de duas pessoas: a minha agente e o meu editor”

O autor está em Portugal para promover o livro “Só Nós Dois”, editado no ano passado, e falou com a NiT.

É o escritor estrangeiro que mais vende em Portugal.

Num domingo de sol em Lisboa, Nicholas Sparks está fechado numa sala do hotel Pestana Palace para dar entrevistas. Faz parte do trabalho, tal como a sessão para o público que tinha feito no dia anterior, sábado, 21 de outubro.

O autor que se tornou famoso com “O Diário da Nossa Paixão”, nos anos 90 — que agora foi reeditado em Portugal — está em Lisboa para promover o seu mais recente livro, “Só Nós Dois”, lançado no final de 2016 pela ASA, e que está à venda por 18,90€.

Passou a tarde de sábado a apresentar o livro e a conhecer os fãs portugueses — cerca de 700 pessoas estiveram no Picadeiro Real, o antigo Museu dos Coches, e esperaram horas numa fila para ter um autógrafo de três segundos. A fila ia quase até ao Quartel da Ajuda, mas vale tudo para ter um momento com aquele que é o autor estrangeiro que mais livros vende em Portugal, segundo a editora.

É a sua quarta visita a Portugal, sempre em digressões de promoção. “Eu não diria que o conheço tão bem quanto um historiador português, mas conheço mais do que a maioria dos americanos, que tal?”, conta à NiT no Pestana Palace, depois de dizer à organização que vai querer almoçar uma salada césar.

Ontem estiveram centenas de pessoas na apresentação do seu mais recente livro, “Só Nós Dois”. Como foi?
Foi um evento extraordinário e muito bonito. Consegui sentar-me na cadeira da rainha, a última rainha de Portugal, e foi aí que estive enquanto estava a assinar os meus livros.

Já conheceu milhares de fãs ao longo da carreira. De que é que gosta mais em conhecê-los?
Aprecio muito que leiam os meus livros e que tenham decidido tirar uma parte do seu dia para vir a qualquer que seja o evento ou ter um livro assinado.

Teve experiências menos boas com fãs ao longo dos anos?
Não, nem por isso. Mas já aconteceram coisas fora do normal: tive pedidos de casamento nos meus eventos… havia uma mulher, e era uma situação horrível, o marido dela tinha morrido e ela queria saber se não havia problema em enterrar excertos dos meus livros com ele. Tive alguns acontecimentos tristes desses. Às vezes há pessoas doentes que vêm para a fila e estão a lutar contra um cancro, num nível ou outro, às vezes até é terminal, e dizem que os meus livros lhes dão alguma paz ou conforto. Mas não houve fãs rudes ou fora de controlo, ou mesmo pessoas que me deixassem desconfortável. É apenas a vida. Vais à minha sessão de autógrafos e vês a vida.

Ao contrário da maioria dos seus livros, com histórias românticas, “Só Nós Dois” foca-se na relação de um pai solteiro com a filha pequena. Isso teve a ver com o facto de se ter divorciado antes de ter escrito este livro?
Não, eu queria mostrar uma história de um pai e uma filha, com uma filha nova, já que alguns dos meus filhos são bem mais velhos. Queria muito explorar esse conceito dos medos que tens, se és ou não suficientemente bom pai para os teus filhos. E ainda mais importante do que isso, queria explorar o conceito de curar [neste caso, “curar” o luto da mulher que morreu] e como isso acontece, e que, na minha opinião, não é suposto atravessarmos uma vida sozinhos. Aqueles tempos desafiantes são mais fáceis com alguém ao nosso lado. Enquanto [a personagem principal] vai nesta viagem, às vezes os pais dele estão lá para o ajudar, às vezes é a irmã dele, a filha, o novo amor da vida dele. E sem estas pessoas, teria sido muito mais difícil.

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