Livros

Miguel Somsen: “Fiz uma piada com um adepto do Sporting e recebi ameaças de morte”

É seguido por mais de 17 mil pessoas no Facebook e muito do que escreve torna-se viral. Agora, escreveu um obrigatório “Resumo de 2017 para Todos”.

Miguel Somsen já está a pensar na edição de 2018.

“Assunção Cristas foi abastecer o carro com 20 euros, queixando-se de que, com o combustível a este preço, não consegue pôr a oposição em andamento”, “Maria Leal não está grávida mas tem dentes novos”, “FIFA rejeita transferência de Adrien para o Leicester por atraso de 14 segundos. Tivessem assinado contrato nos Açores, parvos”. Isto aconteceu este ano e está entre aspas porque Miguel Somsen resume tudo bem melhor do que nós.

A estes episódios juntaram-se centenas de outros, agora compilados em “Resumo de 2017 para Todos” e acompanhados pelas ilustrações de Hugo van der Ding, autor de “A Criada Malcriada”. O livro já está à venda e é um dos primeiros editados pela nova chancela Libelinha.

Mais de 17 mil pessoas seguem atentamente o que Somsen escreve no Facebook e muitos dos seus posts tornam-se virais. Às vezes a discussão que se gera é positiva, outras vezes nem tanto — como há três anos, quando fez uma piada com um adepto sportinguista e recebeu ameaças de morte ao regressar a Portugal uns dias mais tarde.

Contudo, todos lhe diziam que devia “fazer um blogue ou juntar tudo num livro”. Assim foi. A ideia agora é fazer o mesmo nos próximos anos e talvez até transformar a obra num programa de televisão semanal.

Miguel Somsen é um dos responsáveis pela marca Gin Lovers — que acaba de abrir um espaço no Gourmet Experience do El Corte Inglés, em Lisboa —, trabalha no departamento de promoções da TVI e ainda passa a vida a fazer listas e a anotar tudo o que vê na televisão, nos jornais e à sua volta. A NiT falou com ele a propósito do balanço de 2017. Leia a entrevista e veja o vídeo.

Dezembro não está no livro. Como é que resumiria este último mês?
Acho que é o mês da Raríssimas, sem dúvida. Quando nos começámos a aproximar do final do ano, uma das conversas que tive com o Hugo [van der Ding] foi essa, esperemos que até ao final do ano não apareça nenhum 11 de setembro. Na verdade, apareceu uma pequena história já depois de fecharmos o livro, os jantares do Panteão.

Mas ainda conseguiram incluí-la.
Sim, e juntámos-lhe uma ilustração. Fechamos o livro e aparece a Raríssimas e a história da Igreja Universal, que provavelmente se irá desenvolver para 2018, mas estas duas histórias chocaram um bocadinho entre si e uma delas, de certa forma, anulou a outra. Olhando um bocado para o livro, ele depende também das redes sociais e do efeito que elas vão criando sobre a realidade. O tema da Raríssimas era tão forte e sumarento que secou tudo à sua volta. Agora surgiu a Padaria Portuguesa mas acho que é uma falsa história, é aquela necessidade das pessoas já depois do Natal voltarem às suas rotinas e pegarem em alguma coisa que seja um odiozinho de estimação. A Padaria Portuguesa já levou tanta pancada este ano que acho que podemos esperar um bocadinho porque eles próprios não sabem o que se passou.

Como é que filtra tudo o que lhe chega através do Facebook? O que são histórias e o que são não-histórias.
Primeiro não se faz filtragem nenhuma. Começo a receber a informação e a tomar nota de tudo o que é digno de notícia. Depois junta-se tudo o que interessa num bolo. Houve semanas em que até fiz textos demasiado grandes porque houve temas que não consegui deixar de fora.

Houve alguma história em que não tenha pegado e se arrependesse?
Acho que não, talvez pequenos objetos como o fidget spinner. Não entra neste livro porque estive sempre à espera que aquilo explodisse ou então passasse de moda.