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“Este Livro Não é para Fracos”: aprenda a ter mais coragem na vida

Foi escrito pela psicóloga Ana Moniz. Aprenda a ser mais assertivo e lidar com situações complicadas do dia a dia.
Hulk é forte — e ainda assim podia ler este livro.

“Este Livro Não é para Fracos”. É este o mote do novo trabalho da psicóloga, psicoterapeuta e executive coach portuguesa Ana Moniz, que pretende mostrar como todos podemos ser mais corajosos em várias situações do dia a dia — até porque pode ser importante em circunstâncias mais graves e sérias.

O prefácio foi escrito pela jornalista Conceição Lino e a edição da Planeta está à venda por 14,36€. Neste livro focam-se vários problemas de coragem, seja física ou psicológica, que podem ir desde o medo de falar em público até às melhores formas para enfrentar o bullying.

“Um bom livro de auto-ajuda não pode tentar alcançar o inalcançável, que é o que muitos dos livros deste género fazem”, diz a autora à NiT. “Ninguém vai ler este livro e ficar de repente com coragem, não é? É uma coisa que se constrói no dia a dia.”

Ana Moniz compara mesmo a coragem a um músculo. “Tem de ser treinado, se possível diariamente. Ter coragem não é saber o que é, ou como se faz, é treinar. Tal como não vamos aprender a surfar ao ler um livro sobre surf. É experimentar, tentar, falhar, é assim que se aprende.”

A psicóloga não tem dúvidas de que a maior parte das pessoas considera a coragem uma qualidade, mas que não consegue tê-la a um grau que desejava. “Em geral, pensamos que somos mais corajosos do que na verdade somos — e agimos. Na prática somos menos corajosos do que gostaríamos.”

Porquê? “Temos a tendência de nos submetermos à autoridade e de nos conformarmos de acordo com o grupo em que estamos integrados, porque assim ninguém vai reparar em nós. Se formos diferentes estamos mais expostos, em risco.”

Ana Moniz dá várias dicas no livro sobre como podemos exercitar este músculo chamado coragem — algo que pode ser aplicado por toda a gente no dia a dia e que nos pode preparar para quando precisarmos mesmo de ter coragem para lidar com determinada situação.

Uma delas, que a psicóloga costuma aconselhar aos seus pacientes, é ir a um restaurante ou café, pedir um copo de água, beber e ir embora. “É um direito que temos, pedir um copo de água num café ou restaurante sem pagarmos por ele. Normalmente sentimo-nos obrigados a consumir algo, mas esta é uma atitude para treinar a assertividade e a coragem.”

A coach explica que o objetivo é habituarmo-nos a reconhecer a sensação de desilusão ou de desconforto nas outras pessoas por algo que tenhamos feito — e que nem sempre isso é uma má situação para nós. Porque a coragem, muitas vezes, implica isso mesmo: conseguir lidar com essas consequências.

É uma edição da Planeta.

Outro exercício para treinar — havendo, claro, um motivo para isso — é protestar de forma assertiva com algo num restaurante, por exemplo. Pedir o bife mais bem passado ou, no caso de haver algum problema, pedir o livro de reclamações. Estas podem ser formas simples de exercitar a coragem que há em nós.

Quando se sente a pressão de um determinado grupo para tomar certa decisão, seja um conjunto de amigos ou colegas, o que se deve fazer, segundo a autora do livro, é o seguinte: “deve perguntar-se sempre a si mesmo — se eu estivesse sozinho, que escolha faria?” É uma forma de se distanciar dessa pressão de grupo.

Outro assunto que é abordado no livro — e que Ana Moniz faz sessões particulares de coaching — é o medo de falar em público, o que significa um tipo de falta de coragem.

A psicóloga sugere que as pessoas que tenham este problema e que o queiram ultrapassar (seja para darem palestras, apresentarem trabalhos na escola ou fazerem apresentações profissionais) falem em frente do espelho e, depois, quando estiverem um pouco mais à vontade, à frente de outras pessoas em quem tenham confiança.

O objetivo é que a pessoa se habitue a ouvir-se e, neste caso, até a ver-se (e a imaginar-se) a falar em público. O passo seguinte é gravar essas sessões em vídeo e em áudio, para depois se ouvir e ver — o que, lá está, contribui para essa habituação.

Um tema mais sério que também é falado em “Este Livro Não é para Fracos” é o bullying. Existe esta ideia: “Explica-lhe que ficas triste quando ele te faz isso”. Ana Moniz não concorda com esta abordagem, como explica no livro.

“O bullying tem a ver com dominação e ameaça. Alguém que nessa situação mostre estar a ser afetado só vai estar a alimentar o poder de quem domina e a tornar-se num alvo mais fácil. Além de que é muito raro esta atitude angariar o apoio dos que assistem sem intervir. As pessoas à volta sabem que a vítima está a sofrer. A razão para não intervirem é quase sempre temerem ser a vítima seguinte.”

Ana Moniz diz que, na questão do bullying, o importante é ir falar diretamente com os responsáveis adultos — seja um treinador de futebol, um professor ou um funcionário da escola — porque os miúdos que fazem bullying só o fazem por uma questão de insegurança ou porque algo no seu ambiente não está bem.

“Neste caso é importante não desistir, tentar estar mais consciente, protestar da forma que for necessária, recorrer a um psicólogo se for necessário e, no extremo, apresentar queixa na polícia se a escola não conseguir resolver o problema.”