NiTfm live

Livros

O autor de “The Killing” lançou o primeiro thriller — e nós falámos com ele

A NiT entrevistou Søren Sveistrup. Tornou-se conhecido na televisão e no cinema, mas os livros eram uma paixão antiga.
Søren Sveistrup tem 51 anos.

“The Killing: Crónica de um Assassinato”, a série noir que se foca nos casos sombrios e difíceis de resolver para a detetive Sarah Lund foi um enorme sucesso. Tanto que a história dinamarquesa teve uma adaptação americana.

O autor da história original, porém, é quem merece a maioria dos louros. O seu nome é Søren Sveistrup, tem 51 anos, é natural de Kastrup, na Dinamarca, e sempre foi um fanático pela escrita.

Recentemente, e depois de muitos anos a escrever os guiões de várias séries e filmes, lançou o primeiro livro. É um thriller chamado “O Homem das Castanhas” e foi publicado em Portugal a 19 de fevereiro. Tem 450 páginas e foi editado pela Suma de Letras. Está à venda por 19,90€. A NiT entrevistou em exclusivo o autor Søren Sveistrup.

Por que teve a vontade de escrever um livro nesta fase da sua vida?
Na verdade, estudei Literatura na Universidade de Copenhaga quando tinha 20 e poucos anos e inicialmente queria escrever livros. Mas, na altura, eu não tinha o conhecimento, as ferramentas ou a autoconfiança. Por isso decidi antes ir para a escola de cinema porque também adorava filmes. E, ao que parece, também adorava escrever guiões para televisão e para cinema. Mas depois de escrevê-los durante muitos anos, precisava de um novo desafio e decidi fazer este livro.

Era um desejo antigo?
Pode dizer-se isso. Quando era miúdo sonhava escrever livros. Talvez porque era muito fã de livros de miúdos como “The Brothers Lionheart”, de Astrid Lindgren. Depois descobri o Sherlock Holmes e a Miss Marple.

O que é que o inspirou a escrever esta história?
Há uns anos fui buscar o meu filho mais novo à creche. Era outono e ele estava sentado com os outros miúdos a fazer homens de castanhas à volta de uma mesa. É uma tradição das crianças na Dinamarca no outono e eles estavam a cantar uma música: “Homem das Castanhas, entra. Homem das Castanhas, entra.” Por alguma razão pareceu-me um pouco assustador que os miúdos quisessem convidar para dentro de casa uma besta desconhecida da natureza. Depois olhei para os homens das castanhas (que são feitos de castanhas com fósforos a servir de braços e pernas) e percebi que não tinham mãos nem pés — na verdade pareciam amputados e aterrorizadores. E comecei a pensar que este ícone seria uma assinatura horrível se fosse deixado num local de um crime. Foi assim que começou. Além disso, tenho um fraquinho por miúdos que têm infâncias atribuladas: aqueles que têm muitos problemas mas também muita força.

Tem 450 páginas.

Foi muito diferente de escrever um guião para televisão ou cinema?
Sim, penso que sim, de alguma forma. Por um lado é mais solitário. Quando escreves um filme ou uma série é em equipa — trabalhas com atores, realizadores e produtores enquanto escreves. Por outro, quando escreves um livro, tu próprio podes decidir tudo — não tens de pensar em quanto dinheiro aquilo vai custar ou se aquela cena vai ser difícil de gravar, porque tudo pode acontecer num livro.

Quanto tempo demorou a escrever a história?
Um pouco mais de dois anos, penso eu.

Tem uma rotina para escrever? Fá-lo sempre no mesmo sítio ou à mesma hora?
Sim. Normalmente levo os meus filhos à escola, vou para o escritório (tenho uma produtora em Copenhaga com outras três pessoas) e começo a escrever. Quando era mais novo, tudo era mais caótico. Escrevia todo o dia e toda a noite, mas agora é mais civilizado.

Em que outros projetos está a trabalhar atualmente?
Desculpe, não posso dizer neste momento. Mas, entre outras coisas, estou a fazer pesquisa para uma sequela de “O Homem das Castanhas”.