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As proibições mais bizarras e inacreditáveis que já existiram em Portugal

Não era permitido usar isqueiros, jogar às cartas nos comboios, beber Coca-Cola ou dar um beijo em público.
Estar assim num espaço público era completamente proibido.

Até há não assim tantos anos — a revolução de 25 de Abril assinalou este ano o 45.º aniversário — havia dezenas de proibições bizarras e estranhas em Portugal, algumas mais conhecidas do que outras, durante o tempo do Estado Novo.

O divórcio era proibido, assim como ler certos livros, ver certos filmes e ouvir certos discos. Uma mulher não podia entrar numa igreja de cabeça descoberta. Muito menos andar sozinha à noite. Ou usar biquíni na praia.

Uma rapariga não podia usar minissaia no liceu. Uma mulher casada só podia viajar para o estrangeiro com a autorização escrita do marido. Eram proibidos ajuntamentos de mais de três pessoas. E as enfermeiras não podiam casar.

Mas havia, além disso, muitas outras proibições ainda mais estranhas que estão compiladas no livro “Era Proibido”, do jornalista e argumentista António Costa Santos, publicado originalmente em 2007. A nova edição, da Guerra & Paz, chegou às livrarias durante este mês de junho. Está à venda por 13€.

Entre as dezenas de proibições bizarras relatadas no livro, a NiT escolheu cinco que deixaram a nossa redação sem palavras.

Era proibido beber Coca-Cola

Tal como na grande parte das áreas económicas durante a ditadura, os produtos nacionais eram beneficiados por várias leis — em Portugal, a grande bebida nacional era o vinho. Durante o Estado Novo havia poucos refrigerantes — e a Coca-Cola era mesmo proibida.

A primeira tentativa da marca para entrar em Portugal foi em 1927, um ano depois do fim da Primeira República, ainda sem Salazar no poder. O slogan de lançamento foi escrito por Fernando Pessoa — ele mesmo. “Primeiro estranha-se, depois entranha-se”. Porém, a associação que havia entre a bebida e a cocaína foi o suficiente para não ser permitida a entrada no mercado português.

Mais tarde, já com António Oliveira de Salazar no poder, a marca era vista como um dos maiores símbolos do estilo de vida americano — e por isso era proibida. Até porque fazia concorrência com as bebidas nacionais.

Durante muitos anos, era habitual os portugueses irem a cidades espanholas como Badajoz ou Ayamonte experimentarem Coca-Cola. Só nas colónias é que era possível comprar o refrigerante. O seu contrabando era completamente proibido e a cotação de uma tampa de Coca-Cola entre os colecionadores era super elevada. Só foi legalizada em 1977, três anos depois da revolução.

Era proibido jogar às cartas nos comboios

O Estado Novo tentava controlar ao máximo a vida social do povo — e o jogo, em geral, era muito mal visto na altura. Daí que fosse proibido jogar às cartas no comboio — os “jogos de azar” não eram vistos como uma coisa de bem. Em simultâneo, não era possível falar sobre política, estar embriagado ou abrir as janelas se os outros passageiros não quisessem.

O livro tem 216 páginas.