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As 10 histórias que deram a Kazuo Ishiguro o Nobel da Literatura

O escritor britânico venceu o prémio mais importante da área esta quinta-feira, 5 de outubro. Tem oito livros publicados e escreveu ainda dois argumentos para filmes.

Oito livros e dois filmes valeram-lhe o Nobel /Foto de Sarah Lee.

Kazuo Ishiguro é só “Ish” para os amigos. O novo Nobel da Literatura nasceu em Nagasaki, no Japão, mas vive em Inglaterra desde os cinco anos. É em Londres que faz atualmente a sua vida com a mulher e a filha, apesar de não parecer ser a cidade de que mais gosta. “Se tivesse que escrever um livro sobre Londres, retratava a capital como um vampiro que suga o sangue ao resto do país”, disse numa entrevista ao “The Guardian”.

Esta quinta-feira, 5 de outubro, sucedeu a Bob Dylan e foi o escolhido pela Academia Sueca para receber o maior prémio da literatura. Sempre conhecemos mais Dylan pela música e, apesar de Kazuo Ishiguro ter publicado oito livros, também tem um passado como compositor. Na adolescência chegou a escrever e a gravar canções que enviava a editoras. Nunca foi bem sucedido. Mais tarde acabou por escrever letras para “Breakfast on the Morning Tram”, o álbum da cantora norte-americana Stacey Kent que esteve nomeado para os Grammys em 2007.

“Costumava ver-me como uma espécie de tipo de músico, mas surgiu uma altura em que pensei: este não sou eu. […] Sou das pessoas que usam casacos de veludo com remendos no cotovelo. Foi uma verdadeira decepção”, explicou também ao “The Guardian”.

Estudou inglês e filosofia na Universidade de Kent e tirou o mestrado em escrita criativa na Universidade de East Anglia, em 1980. Antes das primeiras publicações de contos na revista “Granta” e do primeiro romance lançado em 1982 — “As Colinas de Nagasaki”, que chegou a Portugal em 1989 pela Relógio d’Água —, trabalhou a ajudar sem-abrigo em Londres.

O primeiro livro deu-lhe logo a nomeação pela “Granta” como um dos melhores novos escritores britânicos, em 1983. Seguiram-se mais obras e prémios que culminaram agora no Nobel da Literatura. Segundo o “British Council”, “As Colinas de Nagasaki” recebeu o prémio Memorial Winifred Holtby. Depois, com “Um Artista do Mundo Transitório”, conseguiu o Whitbread Book of the Year e a nomeação para o Booker Prize na categoria de ficção.

A terceira obra de Kazuo Ishiguro, “Os Despojos Do Dia”, de 1989, que chegou a Portugal em 1995, ganhou o Booker Prize de ficção e foi depois adaptado ao cinema. O filme, realizado por James Ivory, contou com a participação de Anthony Hopkins e Emma Thompson. Houve ainda o prémio Cheltenham para “Os Inconsolados” e nomeações para o Whitbread Novel Award e Booker Prize, também em ficção, com “Quando Éramos Órfãos”.

Lançou ainda “Nunca Me Deixes”, adaptado ao cinema em 2010 com realização de Mark Romanek, e “Nocturnos”, com cinco contos. É preciso recuarmos a 2015 para vermos o último livro de Kazuo Ishiguro, “O Gigante Enterrado”, editado em Portugal pela Gradiva, que chegou dez anos depois do último.

Além dos livros, escreveu ainda argumentos para os filmes “A Canção Mais Triste do Mundo”, de 2003, que contou com Maria de Medeiros, e “A Condessa Russa”, de 2005, realizado por James Ivory, tal como “Os Despojos Do Dia”. Já para a Channel 4 Televison escreveu “The Gourmet” e “A Profile of Arthur J. Mason”.

Conheça as histórias dos livros e dos filmes que deram a Kazuo Ishiguro o Prémio Nobel da Literatura em 2017.

“As Colinas de Nagasaki”, 1989

As memórias de Etsuko são colocadas em livro por Kazuo Ishiguro. Etsuko é uma japonesa que vive em Inglaterra depois de um passado de guerra no Japão que a deixou com muitos traumas. Etsuko conta à filha as memórias de uma vizinha com quem viveu antes de vir para Inglaterra. A japonesa teve de lidar com a morte do marido e o suicídio de uma das filhas.