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Tinta nos Nervos: a nova livraria de Lisboa tem uma galeria e esta bela esplanada

Fica na Madragoa e tem o mérito de juntar livros, exposições, jogos e uma cafetaria.
Fica na Madragoa.

A Tinta nos Nervos é a nova livraria e galeria de arte de Lisboa. Nasceu no número 39 da Rua da Esperança, na Madragoa, e por ali tudo anda à volta do desenho, em todas as suas formas.

“Sentimos que fazia falta um espaço assim, com fronteiras fluídas, onde coubessem todos os géneros de desenho, desde a ilustração ao design”, conta Ana Ruivo, uma das responsáveis, à NiT.

Ana tem 47 anos e é curadora, vem da área da História de Arte e faz parte de um coletivo de seis pessoas responsáveis pela Tinta nos Nervos. Cada uma trouxe as suas valências para o projeto. Vêm das áreas da ilustração, artes visuais, tecnologia, produção de exposições e até investigação académica sobre Banda Desenhada.

Na livraria vendem obviamente livros (de arte, desenho, ilustrados, infanto-juvenis, e edições de artista limitadas) nacionais e internacionais; mas também objetos ilustrados, como é o caso das tatuagens temporárias Tattly, criadas pela designer suíça Tina Roth Eisenberg; BD; brinquedos; jogos; e consumíveis, como os chocolates com embalagens ilustradas Le chocolat des Français.

“Queremos que as pessoas encontrem algumas opções mais comuns, mas sobretudo ter uma oferta mais específica. Para isso estamos a criar colaborações com distribuidores internacionais”, explica Ana Ruivo.

Por enquanto já se podem encontrar artigos da marca australiana Third Drawer Down, e edições das editoras Stolen Books, Documenta, Chili Com Carne ou Levoir, entre muitos outros.

Na galeria há exposições de arte original das mesmas áreas. De momento, está patente “O fio da navalha”, uma exposição coletiva com trabalhos do sul africano William Kentridge, do angolano residente em Portugal Pedro Proença, e dos jovens José Cardoso e Ema Gaspar.

“Cada exposição deverá ficar entre dois a três meses”, refere Ana. Além da livraria e da galeria de arte, o espaço tem um café e uma incrível esplanada.

“Não temos música, queremos que as pessoas possam ler sossegadas, apenas com o ruído do bairro, ou trabalhar. Para isso, temos wi-fi gratuito”, acrescenta. 

Está ainda prevista a implementação de um programa cultural com conversas com autores, cinema ao ar livre na esplanada e workshops.

Quanto ao nome: “Tínhamos muitas hipóteses, mas concordámos todos com esta opção. O Pedro Vieira Moura [um dos responsáveis] organizou, em 2011, uma exposição no Museu Coleção Berardo. E chamou-lhe Tinta nos Nervos, uma expressão que tirou do livro ‘Húmus’ de Raul Brandão [‘Às vezes deita-me tinta nos nervos’]”.

A Tinta nos Nervos demorou quatro anos a ser construída, desde a ideia inicial à abertura. Foi inaugurada no dia 6 de junho e funciona de terça-feira a sábado, entre as 10 e as 19 horas.

Carregue na galeria para conhecer melhor este novo espaço num dos bairros típicos de Lisboa.