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7 curiosidades desconhecidas sobre a máfia (segundo um especialista italiano)

Um novo livro, “Mafia Life”, fala sobre as organizações criminosas do Japão, Hong Kong, Sicília ou Rússia, entre outras.
"O Padrinho" é um dos filmes mais influentes sobre o tema.

Mais do que um tipo de organização criminosa, as máfias que começaram no final do século XIX na Sicília, em Itália, e depois se expandiram tornaram-se ao longo das décadas um autêntico fenómeno da cultura pop, sobretudo por causa de filmes como “O Padrinho” ou séries como “Os Sopranos”, entre tantas outras obras de ficção.

Um novo livro, “Mafia Life”, explica como funcionam estas organizações e partilha curiosidades sobre a sua história e métodos. Foi escrito por Federico Varese, um italiano que é professor de Criminologia em Oxford, no Reino Unido. A edição da Saída de Emergência chegou em maio às lojas portuguesas e está à venda por 15,93€.

Varese, que hoje tem 53 anos, é natural de Ferrara, no norte de Itália. Era um estudante no final dos anos 80 e início da década de 90 e foi nessa altura que começou a interessar-se pelo tema, embora não fosse relacionado com as organizações criminosas do próprio país.

“Era uma altura de enorme transformação na Rússia, com a Perestroika, e eu estava muito interessado e esperançoso com essa mudança, queria que as coisas ficassem boas para a Rússia e a Europa de leste”, conta em entrevista à NiT o autor do livro. Por causa disso, Federico Varese foi viver durante um ano para a Rússia.

“Quando cheguei, percebi que o crime organizado era muito importante no dia a dia do comércio e dos negócios. E acabei por escrever a minha tese de doutoramento sobre a máfia russa.”

Só depois é que se dedicou a estudar a máfia italiana, que tem origens no sul do país. Ele era do norte e nunca tinha lidado diretamente com aqueles criminosos. “Era algo distante, que se lia nos jornais, além de representar um enorme problema político. Eu não tinha qualquer experiência direta com eles.” Foi assim que ficou a conhecer melhor a ilha da Sicília, a região da Calábria e a cidade de Nápoles, entre outras. Acabou por se tornar um especialista no tema.

Federico Varese aprendeu a ler o jogo e as peças.

Este livro, “Mafia Life”, retrata as semelhanças entre as várias máfias que operam em locais distantes e diferentes do planeta. “Há muitas parecenças entre os vários grupos, até porque as regras são basicamente as mesmas. Há grupos individuais mafiosos e cada um deles é coordenado por uma espécie de comissão. Cada grupo é bastante autónomo e independente e todos eles têm os mesmos rituais e normas dentro da máfia a que estão associados. Apesar de serem de diferentes épocas e sítios, todas as organizações que cubro no meu livro têm a mesma estrutura. E são muito organizadas.” Regras como nunca colaborar com as autoridades, cobiçar a mulher de outro membro e roubar da família existem em todas estas estruturas.

Para criar este trabalho, Federico Varese baseou-se na investigação académica que já existia sobre o assunto, mas ele próprio teve de conduzir várias entrevistas com membros de associações criminosas.

Como forma de os deixar confortáveis e disponíveis para falar, o professor de Criminologia não gravou as entrevistas. Preferiu ir tirando notas. “Nunca pergunto detalhes nem, obviamente, quem matou quem. Quero saber é a forma como pensam e como se veem a si próprios. Alguns encontros foram um pouco desconfortáveis, porque havia armas e estávamos em caves de grandes edifícios fora do centro da cidade, por isso podiam fazer aquilo que quisessem de mim. Nunca o fizeram, por isso tive sorte.”