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5 histórias incríveis do português que deu a volta ao mundo em couchsurfing

João Aguiar conta agora a sua experiência em livro — e também está a preparar um documentário. A NiT quis saber qual foi o episódio mais romântico ou a situação mais nojenta.

João Aguiar visitou 25 países nesta viagem.

5 de fevereiro de 2008, precisamente há dez anos. Apesar de trabalhar como engenheiro e ter uma relação estável, João Aguiar partiu numa aventura que iria mudar a sua vida. Durante 19 meses, passou por 25 países espalhados pelos cinco continentes do planeta. Em quase todos os sítios, fez couchsurf — dormiu num “sofá” emprestado, literal ou não, da casa de outras pessoas.

Toda a história é contada em “Os Meus Descobrimentos — Volta ao Mundo em Couchsurfing”, livro que está disponível desde dezembro. Custa 14,99€, pode ser comprado online, e é uma edição da PRC Livros. Ao todo, fez 4200 quilómetros à boleia e 18 500 quilómetros de autocarro, entre tantos outros em transportes alternativos. No total, gastou 12 mil euros, com um orçamento médio diário de 20€, que cobria tudo.

“Com uma mochila de 25 quilos às costas, cuja bagagem me levou dois meses a preparar, saí porta fora de casa, às sete da manhã, enquanto escutava a minha mãe a dizer-me: ‘Vejo que vais mesmo sair. Um beijinho. Boa viagem meu filho.’”, pode ler-se numa das primeiras páginas.

João Aguiar foi documentando a sua viagem com fotografias e textos que partilhava num blogue e em várias plataformas digitais. Quando voltou, fez um podcast na rádio Zero, do Instituto Superior Técnico, onde relatava as experiências.

Esses conteúdos em áudio estão agora de novo disponíveis no site do projeto, e há referências sobre todos eles ao longo das 470 páginas do livro, que também inclui mapas e dicas específicas sobre cada local.

Além disso, o autor está a finalizar um documentário que deverá ser lançado nas próximas semanas, com imagens captadas pelo próprio (e quase todas inéditas). João Aguiar demorou vários anos a compilar todo o material e a produzir o conteúdo para este livro, enquanto voltava ao trabalho como engenheiro e ia fazendo formações de escrita e estudando gestão de projetos.

A NiT pediu ao autor que contasse algumas das melhores histórias.

A história mais assustadora — Espanha

“Foi logo no primeiro dia. Estava em Sevilha a tentar decidir se ia de boleia para Marrocos ou se apanhava um autocarro, o objetivo era ir mais para sul possível. Ao entrar na gare dos autocarros, fui agarrado violentamente por dois homens, que só depois percebi que eram polícias à paisana.

Defendi-me logo, falei de forma defensiva, os tipos não se identificavam e estavam-me a pedir a identificação e a agarrarem-me de forma agressiva. Foi tenso. Eu sabia lá se eram ladrões de passaportes. Na altura eu tinha uma barba e uma mochila grande, e devem ter pensado que era um imigrante ilegal, ou algo do género, não sei. Tive de ir ter com outro polícia fardado, que os identificou como polícias. Depois lá mostrei a identificação e a coisa se resolveu.”

A história mais nojenta — Mauritânia

“Foi quando estive a fazer couchsurfing na Mauritânia, na capital Nouakchott. Era um hotel abandonado, com um grande claustro, tinha imensos andares e olhavas para cima e só vias cabeças de pessoas nos vários pisos. O ambiente era sombrio. E havia uma única casa de banho para estes andares todos. Não havia sanitas, estava tudo por ligar, imensas moscas, um cheiro… e tu vês isso em África, mas é no campo. Ali era a cidade. Sem exagero, viviam ali umas cento e tal pessoas. Não havia qualquer manutenção, não havia água canalizada, era uma porcelana muito partida — uma fossa seca mas muito mal mantida. Pensei duas vezes antes de ir, mas lá fui, tinha de ser.”