NiTfm live

Cinema

Will Smith confessa que o seu maior arrependimento é não ter entrado em “Matrix”

O ator tem um novo filme, “Projeto Gemini”, em que interpreta duas personagens.
Will Smith tem um novo filme, "Projeto Gemini".

A fórmula para o rejuvenescimento eterno tem sido um dos elementos principais em histórias e lendas há centenas e centenas de anos. Em Hollywood também, mas parece que a indústria do cinema finalmente encontrou a sua fórmula mágica para o fazer: pós-produção digital.

Em “O Irlandês”, filme de Martin Scorsese para a Netflix que estreia a 27 de novembro, Robert De Niro aparece bastante jovem, como se tivesse recuado 40 anos no tempo. Em “Projeto Gemini”, produção que chega aos cinemas portugueses já esta quinta-feira, 10 de outubro, é Will Smith quem tem direito a este tratamento especial.

Na verdade, tem tudo a ver com a narrativa desta história de ficção científica. Will Smith interpreta Brogan, um assassino das forças especiais que descobre que o seu governo corrupto está a esconder um segredo. 

Não demora muito até perceber que há um novo (e talentoso) assassino na cidade — que é assustadoramente parecido consigo. Aliás, é um clone seu com 23 anos, que foi criado pelo seu chefe como parte do Projeto Gemini, uma operação secreta que tem como objetivo clonar os seus melhores guerreiros.

É óbvio que o filme vai centrar-se, essencialmente, no confronto entre os dois: o velho e o novo, o real e o clone, aquele que tem emoções e o que é mais frio.

Na estreia internacional desta produção realizada por Ang Lee, um jornalista da “Fox Chicago” perguntou a Will Smith que conselho profissional daria a uma versão sua mais jovem (uma que não o quisesse assassinar). “Voltava ao set do ‘Wild Wild West’ e dizia: ‘Idiota, porque é que não fizeste o Matrix’?”

Will Smith foi um dos atores a quem tinha sido oferecido o papel de Neo — Nicolas Cage, Brad Pitt ou Johnny Depp também preferiram não o fazer —, antes de a personagem ficar para Keanu Reeves. Se pudesse voltar atrás no tempo, era isso que o ator mudava. 

Na altura, Will Smith estava a atravessar um ótimo momento. “Inimigo de Estado”, “Dia da Independência” ou “MIB: Homens de Negro” tinham sido grandes sucessos de bilheteira, mas o ator considerou que “Matrix” poderia não ser a melhor opção para a sua carreira.

Will Smith explicou a decisão num vídeo publicado este ano na sua conta de YouTube. “Depois de fazermos ‘MIB: Homens de Negro’, apareceram os [realizadores] Wachowskis. Eles só tinham feito um filme e fizeram assim uma apresentação de ‘Matrix’.”

E acrescentou: “Eles revelaram-se génios, mas naquela apresentação houve uma linha ténue entre ser génio e a minha experiência. Isto foi o que eles apresentaram para o ‘Matrix’: ‘Estamos a pensar, imagina que estás numa luta e depois saltas, e imagina que paravas o salto a meio’.”

Por muito que sejam importantes os efeitos especiais e as cenas de luta em “Matrix”, essa talvez não fosse a parte mais importante para seduzir os atores a quererem fazer o papel de Neo.

Apesar disso, Will Smith reconhece que talvez tenha sido o melhor para o filme. “O Keanu estava perfeito. Laurence Fishburne estava perfeito. Se eu o tivesse feito, como sou negro, então Morpheus não teria sido negro. Eles estavam a pensar em Val Kilmer para o papel. Eu seria o Neo e o Val Kilmer seria Morpheus, por isso provavelmente eu teria lixado o ‘Matrix’. Fiz-vos a todos um favor.”

Só depois de ter recusado “Matrix” é que teve a hipótese de participar em “Wild Wild West”, que começou um percurso de filmes pouco sucedidos na carreira de Will Smith. “É uma das histórias das qual não me orgulho, mas é a verdade”, disse o ator no tal vídeo em que explicou a situação.

“Projeto Gemini” também não tem recebido boas críticas. No site Rotten Tomatoes, que aglomera as classificações da imprensa especializada, o filme realizado por Ang Lee só tem 38 por cento de textos favoráveis.

O argumento foi escrito por um dos criadores de “A Guerra dos Tronos”, David Benioff, em conjunto com Billy Ray e Darren Lemke. O elenco tem ainda Clive Owen, Benedict Wong, Douglas Hodge, Theodora Miranne e Mary Elizabeth Winstead, entre outros.