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Cinema

Vai precisar de um espanta-espíritos para ver “A Maldição da Mulher que Chora”

A viagem atribulada começa no México e só acaba em Los Angeles. O filme estreou esta semana no cinema.
O filme estreia esta quinta-feira, 18 de abril.
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Eu, Rui Miguel Tovar, peço encarecidamente a alguém da NiT que me desvie dos filmes com sustos. Editor de Cultura, Ricardo Farinha, ajuda-me pá. Não estou a brincar. Qual é o gozo de acordar cedo, sair de casa com o pequeno-almoço na mão, apanhar o metro ainda com o cabelo molhado e entrar numa sala de cinema para apanhar uns sustos valentes?

Hum?

Huuum?

Come on, já chega. Este ano, é o “Nós”, o “Samitério de Animais” e agora “A Maldição da Mulher que Chora” (que estreia esta quinta-feira, 18 de abril). Enough is enough. Peço permissão para me ausentar do exercício olímpico dos saltos da cadeira até aos Jogos Tóquio-2020, vale? Muito agradecido. É que, às vezes, um filme é o retalho de muitas fitas de terror de outros tempos e o resultado nem sempre favorece o espectador. Seja a história, os intervenientes, os efeitos especiais ou até todo esse conjunto. Em “A Maldição da Mulher que Chora”, acrescente-se a banda sonora. Sempre que a mulher aparece, um zumbido entra-nos pelos ouvidos dentro e, ato contínuo, arrepiamo-nos todos. Um arrepiar mau, atenção. Porque o som dói, chi-ça. Parecem as sessões no dentista em que nos tocam naquele ponto xpto. Não se faz, tsss tsss. Imagine agora duas, três, quatro, cinco, seis vezes. É doloroso.

A história da maldição é mexicana, daí o termo “la llorona”. É do tempo da outra senhora. Que conhece um senhor e apaixona-se por ele. Casam-se e têm dois filhos rapazes. De repente, o amor desvanece. Porque a senhora encontra o senhor com outra e lá se vai o encanto. No desespero, cega de raiva, a senhora afoga os dois filhos. Arrepende-se, óbvio. E amaldiçoa-se.

Vai daí, começa a cobiçar os filhos dos outros, perfeitos desconhecidos. A ação passa então para o século XX, mais precisamente Los Angeles em 1973. Ann (Linda Cardellini) trabalha como assistente social e tem em mãos o caso bicudo de Patricia Álvarez (Patricia Velasquez), cujos dois filhos ausentam-se da escola durante dias e dias. Uma rápida visita à sua casa testemunha o inacreditável: as duas crianças vivem trancados na dispensa. Patricia argumenta, depois implora. Que os filhos têm de continuar trancados. Ann liberta-os e inicia uma sequência destruidora maquiavélica. Porque ‘la llorona’ faz miséria sem parar e passa dos filhos de Patricia para os de Ann.

Aí, a porca torce o rabo. Porque Chris (Roman Christou) e Samantha (Jaynee-Lynne Kinchen) começam a ser perseguidos pela mulher maldita e sofrem imenso no corpo. Encarado o problema de frente, a solução da mãe Ann é voltar-se para o misticismo, com a ajuda do padre Perez (Tony Amendola) e a intervenção direta do espanta-espíritos Rafael (Raymond Cruz).