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Cinema

“Tudo Pela Justiça”: o novo filme de Jamie Foxx é inspirado numa história real

A produção foi realizada por Destin Daniel Cretton. Michael B. Jordan é outro dos protagonistas.
Jamie Foxx é o homem injustamente condenado.

Chama-se “Tudo Pela Justiça” e chegou aos cinemas portugueses a 16 de janeiro. O filme realizado por Destin Daniel Cretton é inspirado numa história real e tem um elenco com Michael B. Jordan, Jamie Foxx, Brie Larson e Rob Morgan.

O argumento baseia-se no livro de memórias com o mesmo título escrito por Bryan Stevenson, um advogado negro dos direitos civis, e ativista, que é interpretado nesta história por Michael B. Jordan. Stevenson teve um longo e respeitável percurso, mas este filme foca-se num episódio específico da sua carreira.

Stevenson, que se tinha licenciado em Harvard há poucos anos, representou um homem negro do estado do Alabama, Walter McMillian (Jamie Foxx), que tinha sido condenado à morte por um homicídio, mas que continuava a declarar-se inocente. 

Era o final dos anos 80 e o advogado não era bem visto por grande parte da comunidade branca do Alabama — e os negros locais também o consideravam ingénuo, por não ter sofrido tanta discriminação uma vez que pertencia a um estado no norte do País, bem mais progressista.

Stevenson era visto como um idealista e o próprio McMillian — que era conhecido por toda a gente como Johnny D — não tinha grande fé no seu novo advogado. Afinal, não era o primeiro a lidar com o seu caso, que já tinha custado imenso dinheiro à sua mulher, Minnie (Karan Kendrick).

No início, McMillian até recusou a ajuda. Estava no corredor da morte e achava que o seu julgamento tinha sido tão injusto que não confiava minimamente no sistema judicial.

O filme acompanha todos os procedimentos tomados por Stevenson desde que ficou com o processo. O seu papel é reforçar o álibi de Johnny D e desafiar uma testemunha duvidosa que é interpretada por Tim Blake Nelson.

Stevenson tem ainda de enfrentar a arrogância do xerife local (Michael Harding), que liderou a investigação ao assassinato (e que foi muito pressionado por condenar um suspeito), e as incongruências do procurador (Rafe Spall), que, apesar de ser simpático ao início, acaba por se tornar numa figura demasiado condescendente.

Apesar de este ser um caso muito específico, o advogado está a lidar com uma sociedade que acumulou décadas de mecanismos e hábitos discriminatórios. Johnny D acabou por ser mais uma vítima de um linchamento na opinião pública. Não era uma figura muito popular, por ser um negro com um negócio de sucesso e ter um caso amoroso com uma mulher branca.

O enredo transita muito entre as cenas passadas nos tribunais — onde acontece grande parte da ação — e os momentos mais íntimos, emocionais e introspetivos no próprio corredor da morte, onde Jamie Foxx tem espaço para brilhar.

O elenco tem ainda Marcus A. Griffin Jr., O’Shea Jackson Jr., Lindsay Ayliffe, Dominic Bogart, Kirk Bovill, Hayes Mercure, Ron Clinton Smith e C.J. LeBlanc, entre outros.

“Tudo pela Justiça” tem um resultado favorável no site Rotten Tomatoes, que aglomera as classificações das críticas da imprensa especializada, com um total de 84 por cento de textos positivos.

Embora não esteja a ser considerado um filme digno de Óscares ou Globos de Ouro — até porque os críticos têm escrito que tem um ritmo algo aborrecido e pouco emocionante — as interpretações estão a ser elogiadas, e a narrativa é boa.