Cinema

A impressionante transformação de Gary Oldman em Winston Churchill

Convenceu um caracterizador a regressar da reforma, rapou o cabelo e trabalhou com uma professora de ópera. “A Hora Mais Negra” estreia esta semana.

“A Hora Mais Negra” está nas salas.

Já tinha recusado o papel em 2014, num projeto diferente, e mesmo com “A Hora Mais Negra” em andamento, duvidou da sua capacidade para fazer o papel. Gary Oldman é Winston Churchill no filme que estreia esta quinta-feira, 11 de janeiro, em Portugal e um dos nomes favoritos para vencer o Óscar de Melhor Ator — já esteve nomeado em 2012 com “A Toupeira”

Apesar de ainda não serem conhecidas as nomeações (previstas para 23 de janeiro), venceu o Globo de Ouro na mesma categoria e o seu desempenho só tem merecido elogios. Colocou próteses, peruca e fato de espuma 63 vezes, como referiu no discurso de domingo, dia 7. Estava emocionado e a mulher chorava na plateia.

“Foi o trabalho mais difícil que fiz enquanto ator”, disse à revista “Vanity Fair” em novembro de 2017. 

Aceitou com uma condição. Ele próprio arranjaria um caracterizador para a transformação física necessária — por motivos de saúde, não quis ganhar os quase 40 quilos necessários. Convenceu um especialista que já estava reformado e com ele fez dezenas de testes para chegar ao resultado que se vê agora no cinema.

A história passa-se nos primeiros dias da Segunda Guerra Mundial. Churchill acaba de ser nomeado primeiro-ministro do Reino Unido e tem de decidir entre negociar com Hitler ou lutar, apesar de todas as probabilidades estarem contra os Aliados. O filme foi realizado por Joe Wright (o mesmo de “Expiação” e “Orgulho e Preconceito”) e o argumento é de Anthony McCarten (“A Teoria de Tudo”).

A NiT explica-lhe agora todos os passos da impressionante transformação de Gary Oldman em Winston Churchill em “A Hora Mais Negra”.

Os medos de ser Churchill

Em 2014 já tinha tido oportunidade de interpretar o político mas achou a ideia absurda. “Podes ver-te a fazer de Lear [a partir de uma peça de Shakespeare], talvez, mais para a frente. O Lear pode ser coisas diferentes para pessoas diferentes. Mas quando se começa com a silhueta robusta de um homem como Churchill, com grandes bochechas e o duplo queixo, é difícil imaginar”, explicou ao site “Deadline” em dezembro de 2017. 

Recusou o primeiro projeto mas aceitou este por dois motivos. Primeiro, para voltar a trabalhar com Joe Wright e a Working Title; segundo, o filme não era uma biografia e não teria de interpretar várias fases da vida do político. “A Hora Mais Negra” ocupa um período muito específico de 28 dias.

A transformação física era uma preocupação. “Tenho quase 60 anos. Teria de ganhar cerca de 36 quilos, o que não conseguiria. A única resposta era a maquilhagem.” 

Caracterizador há só um, é este e mais nenhum

Oldman quis controlar o processo de transformação e sabia exatamente a quem recorrer.

“Encontrei um tipo que eu conhecia, Kazuhiro Tsuji, que era caracterizador reformado do cinema que agora fazia pintura clássica. Tive a sorte suficiente de conseguir convencê-lo a voltar e a sair da reforma”, contou ao site “Cinema Blend”. 

“Juntos trabalhámos para encontrar o meu Churchill — uma espécie de ‘Gary encontra-se com Churchill’.”

Tsuji tinha trabalhado em “Grinch”, “Hellboy” e “O Planeta dos Macacos” (de Tim Burton). Apesar da experiência, nem ele tinha a certeza de que a transformação seria possível. Começaram com um molde da cabeça, esculpiram-na e até lhe derem uma cicatriz que o primeiro-ministro tinha no topo e que começava na sobrancelha. Antes das filmagens, os dois multiplicaram-se em dezenas de testes.