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Cinema

O terceiro filme de “John Wick” quase foi arruinado por milhares de gatos

O novo capítulo da saga foi gravado em Marrocos e as cenas com cães foram particularmente complicadas de filmar.
O filme tem duas horas e dez minutos.

Um dos blockbusters de ação mais populares dos últimos anos está de volta. É já o terceiro capítulo da saga que conta a história do assassino contratado John Wick. “John Wick 3 — Implacável” estreia em Portugal esta quinta-feira, 16 de maio.

Desta vez, a personagem de Keanu Reeves reencontra-se com uma antiga amiga, Sofia, que é interpretada por Halle Berry. O enredo começa literalmente um minuto depois do final do segundo filme, John Wick tem a cabeça a prémio e precisa de lutar e fugir para sobreviver.

Por isso mesmo é que se junta a Sofia, também ela uma assassina profissional. Há sempre cães envolvidos nas histórias de “John Wick” e desta vez é a personagem de Halle Berry que é a dona orgulhosa de dois pastores-belga malinois. São cães de caça tão bonitos quanto letais.

Estes dois animais fazem parte de uma sequência épica de ação em que John Wick e Sofia têm de derrotar um pequeno exército de assassinos que estão a tentar matá-los. Não é fácil gravar cenas com animais, mas o realizador Chad Stahelski nunca imaginou que fosse tão complicado.

Algumas partes da história passam-se em Jerusalém, em Israel, mas a equipa de produção descobriu que Marrocos e a Jordânia seriam países onde daria para gravar no mesmo ambiente e com condições mais acessíveis.

Por isso mesmo, filmaram várias cenas de ação na cidade marroquina de Essaouira, na costa sudoeste do país do Norte de África. Marrocos, como a maior parte dos países da região, não é conhecido por ter muitos cães — as pessoas lá não os veem como animais de estimação, como acontece no mundo ocidental. E muitas vezes são até tratados como se fossem parasitas ou animais menores.

Por outro lado, os gatos — sejam de casa ou de rua — são abundantes em Marrocos. Mesmo muito abundantes. Tanto que foi isso que complicou as filmagens no país.

“Eram milhares”, contou Chad Stahelski à revista americana “Entertainment Weekly”. “Tínhamos estado lá a estudar possíveis locais para filmar, mas tinha sido no inverno e nessa altura não havia assim tantos gatos.”

O plano, portanto, era simples. “Havia alguns gatos, íamos ter um departamento para tratar deles e tirá-los todos dali. Quando aparecemos para gravar, havia literalmente mais de mil. E os gatos têm tomates de aço. Não têm medo de nada.”

A solução passou por construírem estruturas para albergar todos aqueles gatos vadios porque, se estivessem à solta, podiam estragar completamente as gravações. “Tivemos de construir paredes enormes feitas de jaulas. Eram apenas gatos de rua, mas queríamos tratá-los bem. Construímos casas pequeninas e alimentámo-los. Tínhamos paredes e paredes de gatos. A quantidade de comida de gato… provavelmente estávamos a alimentar mais gatos do que pessoas naquela altura.”

Os gatos eram um elemento de distração enorme para os cães que iam servir de atores. Eles tinham sido treinados para morderem certas partes do corpo dos duplos, que estavam protegidos nessas áreas, mas estava difícil — mesmo com todos os gatos enjaulados.

“Foi bastante caótico”, disse Halle Berry à mesma publicação. “Porque tinhas cães a correr de um lado para outro, o Keanu, vários tipos a correr vindos de direções opostas. E depois tínhamos sempre gatos a correr pelos cenários. Era muito difícil manter os cães concentrados, porque eles viam um gato e desatavam a persegui-lo e muitas vezes isso arruinava um take inteiro que estava ótimo.”

O realizador explicou que os pastores-belga malinois, em particular, adoram perseguir gatos. “Enquanto o Keanu estava a matar dez tipos ali, a Halle estava a matar dez tipos noutro sítio, e depois há o duplo em que é suposto o cão focar-se. Precisas do cão concentrado naquilo que é preciso morder, e não naquilo que não pode morder.”

E acrescentou: “Tornou-se tudo um bocado maluco entre as disputas de gatos, cães e pessoas. E tinhas os estúdios na América a dizer: ‘Simplesmente faz com que o cão faça o que é preciso.’ E eu dizia: ‘Bem, eu não falo a língua dos cães. Se eu falasse seria rico’. De qualquer forma, até foi divertido.”

Além de Marrocos, “John Wick 3 — Implacável” foi gravado em Nova Iorque, nos EUA, e em Montreal, no Canadá. O elenco inclui ainda Ian McShane, Laurence Fishburne, Jerome Flynn, Mark Dacascos, Asia Kate Dillon e Lance Reddick, entre outros.