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Cinema

Sem câmaras, cenários e atores: foi assim que a Disney criou o novo “O Rei Leão”

É um filme feito em realidade virtual, mesmo que tenha uma base real. Estreou nos cinemas a 18 de julho.
O filme estreia a 18 de julho em Portugal.

Não é fácil descrever a forma como o novo “O Rei Leão” foi criado pela Disney e pela equipa comandada pelo realizador Jon Favreau. A nova versão do clássico de 1994 estreou em Portugal a 18 de julho e está a despertar uma grande curiosidade.

A NiT já viu o filme e conta-lhe como é a experiência de assistir a esta produção modernizada e atualizada da mesma história — Simba, Nala, Mufasa, Scar, Timon, Pumba e todas as outras personagens estão presentes e envoltas nos acontecimentos que já conhecemos (e bem). Os momentos musicais também estão lá e a banda sonora voltou a ser produzida por Hans Zimmer. 

Portanto, a grande mais-valia deste projeto é a imagem. E não é fácil compreender o método usado por ter sido inovador e pioneiro. Ao contrário de outros remakes que a Disney tem feito nos últimos anos, como “A Bela e o Monstro”, “Dumbo” ou “Aladdin” — e vêm aí mais, entre os quais “Mulan” — aqui não há quaisquer atores a aparecer no ecrã. Só participam, claro, os que dão a voz aos animais.

O elenco é composto por James Earl Jones, que dá a voz a Mufasa; Chiwetel Ejiofor, que é Scar; John Oliver, que é o pássaro Zazu; e Billy Eichner e Seth Rogen, que interpretam, respetivamente, Timon e Pumba; John Kani, que é Rafiki; sendo que Donald Glover (mais conhecido no mundo da música como Childish Gambino) e Beyoncé interpretam as versões adultas de Simba e Nala. Keegan-Michael KeyEric André Florence Kasumba são algumas das maléficas (e hilariantes) hienas.

Foi num edifício em Los Angeles, nos EUA, que todo o filme foi produzido. Além de gravarem as vozes, os atores filmaram em estúdio os movimentos das personagens e as suas expressões — de forma a que, depois, tudo pudesse ser traduzido através de sinais infravermelhos para animação num sistema de realidade virtual.

“O Rei Leão” foi apresentado como sendo um filme de imagem real — mas, na verdade, é um projeto de animação feita em computador que se baseia em imagens reais. Apesar das câmaras e dos atores que criaram as bases, todas as outras camadas foram construídas em realidade virtual.

Foi assim o dia a dia na produção.

Jon Favreau e a sua equipa de produção sentavam-se todos os dias num estúdio, colocavam os óculos de realidade virtual, os auscultadores e pegavam nos comandos que permitia mudar aquele mundo. Era como se fosse uma espécie de videojogo onde podiam controlar e moldar tudo.

Mais: conseguiam circular pelos cenários e passar ao lado dos leões, gnus, zebras, pássaros ou hienas. Estavam dentro do próprio filme a construí-lo.

Todas as paisagens incríveis que vemos em “O Rei Leão” — sejam as montanhas, as árvores onde vive Rafiki, o cemitério de elefantes ou a selva onde estão Timon e Pumba — foram feitos a partir do nada com esta tecnologia, o que é impressionante. 

Se numa cena era preciso uma luz mais forte do sol a incidir sobre a cara do pequeno Simba, bastava colocar mais um candeeiro virtual para resolver o problema. Tudo foi pensado desta forma. Os movimentos da ação foram feitos como se tivessem sido filmados com câmaras reais, tudo para parecer mais familiar aos olhos dos espectadores. 

Quando assistimos à história, estamos a olhar para aqueles animais e parece que é apenas a superfície: por baixo estão os atores, que tornam aquelas expressões tão reais e os movimentos de câmaras verdadeiras.

A nova versão de “O Rei Leão” pode ser o início da revolução da realidade virtual no cinema — em que atores com óculos caminham pelos cenários da história onde estão a interpretar os papéis que têm. Todos os seus gestos, expressões e maneirismos são replicados ao milímetro para as personagens virtuais que estão a interpretar, tudo captado por uma série de câmaras virtuais que são controladas pela equipa de produção que também está de óculos de realidade virtual postos. O novo set de gravação pode não existir — e, mesmo assim, originar filmes incríveis.