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“A Favorita”: o que é verdade e o que é ficção no filme mais nomeado dos Óscares

A história com Emma Stone, Olivia Colman e Rachel Weisz estreou esta semana nos cinemas portugueses.
O filme estreou em Portugal a 7 de fevereiro.

Com 11 nomeações em dez categorias, “A Favorita” é o filme mais nomeado dos Óscares de 2019, cuja cerimónia está marcada para 24 de fevereiro em Los Angeles, nos EUA. Apesar deste número invulgar de nomeações, o crítico da NiT pensa que será muito difícil vencer o Óscar de Melhor Filme.

“A Favorita” conta a história real das duas primas que competiram entre si para se aproximarem da Rainha Ana, na Inglaterra do século XVIII. No filme, Ana (Olivia Colman), que está com a saúde fragilizada, confia totalmente na conselheira e amante secreta, Sarah Churchill (Rachel Weisz), a duquesa de Marlborough. E ela, por seu lado, tem uma influência enorme na forma como a rainha governa o país — pelo menos até chegar a sua prima mais nova, Abigail Hill (Emma Stone), que se aproxima da soberana até se tornar também a sua amante. O enredo gira em torno deste triângulo amoroso tóxico.

Há partes da história que aconteceram na vida real, outras foram imaginadas. A atriz Rachel Weisz explicou à revista “People” como o realizador, Yorgos Lanthimos, não queria que o elenco estudasse a fundo as personagens que estavam a interpretar — precisamente por causa dos elementos de ficção no argumento.

“O Yorgos não estava interessado em que nós fizéssemos imensa pesquisa e depois aparecêssemos nas gravações a dizer: ‘Não, a minha personagem não faria isto porque o meu livro de história disse-me que ela era assim’. A história baseia-se em factos, mas também é um ato de imaginação e, em particular, a imaginação dele. Rendi-me à versão dele da história.”

Ainda assim, podemos fazer o exercício de explicar o que é real e ficção em “A Favorita”, que estreou em Portugal esta quinta-feira, 7 de fevereiro. Mas atenção: este artigo tem spoilers.

Existia mesmo uma “favorita” na corte?

Na altura do reinado da Rainha Ana, durante o século XVIII, era comum que os monarcas tivessem um favorito na corte. Essa pessoa teria influência política e poder sobre a forma como o reino era governado.

Na vida real, a rainha Ana e Sarah Churchill (uma antepassada de Winston Churchill) conheceram-se quando eram miúdas e cresceram como amigas próximas e confidentes. Ana tornou-se rainha em 1707 — e foi nessa altura que nomeou Sarah como a tesoureira da casa real. Sarah e o marido John Churchill tornaram-se ainda duqueses de Marlborough. Portanto, Sarah tinha realmente bastante poder político e podia ser considerada como “a favorita”.

A saúde da rainha Ana estava mesmo assim tão frágil?

Sim. A rainha teve uma saúde frágil ao longo da maior parte da vida — incluindo os 12 anos de reinado. Ela sofria de gota e até teve de ser levada numa cadeira à própria coroação. Tal como no filme, teve de usar uma cadeira de rodas em vários momentos. Por causa do estilo de vida sedentário, ganhou peso nos últimos anos de vida. Morreu aos 49 anos, em 1714, depois de sofrer um AVC.

A rainha teve mesmo aqueles 17 coelhos de estimação?

Não. Na verdade cada um daqueles 17 coelhos de estimação, que a rainha Ana guarda nos seus aposentos no filme, representava um dos 17 abortos (ou nados-mortos) que a verdadeira rainha Ana teve ao longo da vida. O único filho que sobreviveu, o Príncipe William, morreu com 11 anos.

A rainha Ana foi casada?

Apesar de não ser mencionado e muito menos retratado no filme, a rainha Ana era casada com o príncipe Jorge da Dinamarca. Ele morreu no seu sexto ano de reinado, em 1708, o que deixou a monarca devastada. Apesar dos casos extraconjugais, o casamento era forte.

Alguma vez se descobriu que a rainha Ana tinha uma amante (ou mais)?

De acordo com os relatos da altura, citados pela revista “People”, a rainha Ana e Sarah Churchill eram inseparáveis. A dedicação era evidente nas cartas apaixonantes que elas trocaram ao longo dos anos. Os detalhes da relação que vemos no filme são fictícios, mas na vida real durante anos houve rumores sobre este caso secreto.

No entanto, quando a relação começou a correr mal, depois da chegada de Abigail Hill, Sarah lançou na corte os boatos da relação entre a sua prima e a rainha. Foi a sua vingança.

Abigail envenenou mesmo a prima Sarah?

No filme, Abigail envenena Sarah com chá, que a deixa gravemente doente — mas viva. Na realidade isso nunca aconteceu. Sarah Churchill foi obrigada a deixar os cargos em 1711 e Abigail ocupou o seu lugar enquanto tesoureira. Sarah e o marido John deixaram Inglaterra e mudaram-se para a Alemanha. Só voltaram ao Reino Unido depois da morte da rainha Ana, quando John se tornou um conselheiro importante do novo rei, Jorge I. Já Abigail mudou-se para o campo e viveu uma vida tranquila e pacata depois da morte da rainha Ana.

Enquanto espera pela cerimónia dos Óscares, leia a crítica da NiT ao filme “A Favorita”.