Cinema

Ricardo Pereira e o elenco de “Alguém Como Eu” respondem a perguntas tramadas

Filme de Leonel Vieira estreia esta quinta-feira, 12 de outubro. Junta atores portugueses e brasileiros.

"Alguém Como Eu" junta Portugal e Brasil.

Helena (Paolla Oliveira) decide trocar o Brasil por Portugal para viver uma nova vida, independente e livre. Claro que nada corre como previsto e aparece um homem, Alex (Ricardo Pereira), que não é exatamente perfeito. Pede então ajuda a Deus, o que se vai revelar um erro e transformar esta história em comédia.

“Alguém Como Eu” é o novo filme de Leonel Vieira. Estreia esta quinta-feira, 12 de outubro, e tem ainda no elenco Sara Prata e Júlia Rabello (uma das caras de Porta dos Fundos). As duas atrizes estiveram, juntamente com Ricardo Pereira, na NiT para responder a perguntas fáceis e a outras mais tramadas.

Qual é a sua novela brasileira favorita?
Júlia Rabello: Vou falar algumas, porque é maldade escolher: “Que Rei Sou Eu”, “Roque Santeiro” e, recentemente, “Avenida Brasil”. São as que eu lembro.

Qual é o ator mais incrível do mundo?
Sara Prata: Um que não está nesta sala fica difícil. Não sei, eu tenho um fascínio pelo Sean Penn.
Ricardo Pereira: Eu pediria para desenvolveres um bocadinho mais essa tua resposta [risos]. Que tipo de fascínio?
Sara Prata: Fascínio, que gostava muito de conhecer tal personagem. Não sei, o passado, os filmes dele, são muito densos, ele é um homem muito intenso. Não sei se é ou não, mas como ator é, e eu gosto muito dessa intensidade.
 
Se pudesse insultar o líder de um país, quem seria e o que diria?
RP: Se eu pudesse insultar o líder de um país? Tem vários, aí para insultar.
SP: Há um alvo de bullying, merecido.
RP: Mas acho que ia mais profundo. Eu insultaria, ou chamaria a atenção e puxava uma orelha, a quem anda a disparar misseis de um lado para outro, hoje em dia, lá nas Coreias, a pôr tudo em causa. Obviamente que não é só por causa da Coreia que andamos aqui todos às turras, até porque há muitos líderes que merecem que lhes puxem as orelhas. Mas esse que anda a brincar ao tiro ao alvo, e prestes a desencadear uma guerra a uma escala bem grande, acho que esse eu insultaria.
JR: Junto com o moço laranja, não é?
RP: É, esse também anda a ver se anda ali a ser provocado. Eu acho que a brincadeira, sabes, the war, é um jogo que não é nem pode ser jogo, esta coisa de dizer quem tem mais poder, e mostrá-lo, vale uns insultoszinhos. Portanto, portem-se lá bem. E deixem as guerras para lá, que nós não queremos guerra para nada. 
 
 
De que mais gosta em Portugal?
JR: A comida é boa, não é? A comida é boa e tem muita comida. E gosto que o português dê afeto com comida.
RP: Foi esse afeto que você encontrou aqui [risos]?
JR: Foi bastante [risos].
 
Qual é o hábito mais irritante que tem?
SP: O hábito mais irritante que eu tenho… “giro”, não é, Júlia? Estou sempre a falar “giro”.
JR: Mas é irritante isso?
SP: Eu acho que é um pouquinho. Isto é “giro”, aquilo é “giro”, “giro”, ele é “giro”, que situação “gira”. Mas vá, eu não tenho nada irritante.
RP: Mas já tinha reparado por acaso que tu és uma pessoa zero irritante. E isso é bom.
SP: Irrita, não é?
RP: Olha, [risos], é isso, está resolvido.
JR: E qual o seu hábito?
RP: Mais irritante? Tenho vários. Eu adoro juntar o sapatinho um ao lado do outro, e a minha mulher passa e dá um chuto de propósito.
JR: [risos] Viva, Chica!
RP: Sacanagem, não é? [risos]. Então eu tenho esse hábito irritante de juntar o sapatinho, entre tantas outras coisas. Mas o que me irrita mais é acordarem-me aos gritos. Acho que o acordar tem de ser uma coisa suave, e se alguém me acorda aos gritos, tipo “Estás a dormir?! Como é que estás a dormir?!”, isso é uma coisa que me irrita bastante. Mas o meu hábito mais irritante… eu escovo os dentes com tanta força, eu não gosto. E tento entrar assim com a escova de dentes, e não vai. Mas agora arranjei uma forma: a escova elétrica.
JR: Mas porquê isso? Os homens destroem as escovas. 
 

Qual foi a coisa mais difícil de fazer neste filme?
RP: Acho que os gestos sensuais que nós tivemos que praticar neste filme, a nudez que tivemos de mostrar, e imitar a Sara, e ela imitar-me a mim, foi árdua tarefa.

SP: Sim, o mais difícil foi mesmo ser o lado perfeito do Ricardo Pereira. Fica difícil fazer essa parte.
JR: Eles são atores profundos de conteúdo, a parte mais difícil para mim foi vir para Portugal ter que fazer dieta porque eu tinha uma cena de piscina. E eu queria comer, comer tudo o que estava em Portugal e eu tive que passar seis dias à base de rúcula. E não funcionou muito, se vocês puderem ver no filme [risos].
 
O que mais odeia em Portugal?
JR: Odeio quando tenho que ir embora [risos]. Olha que fofa. E quando eu estou chegando ainda estou adaptando ao ouvido. 
RP: Ah, para entender.
JR: Porque é a mesma língua, só que não. Tá? O que é que vocês mais odeiam em Portugal?
RP: É a terra onde nós nascemos…
JR: Então tem mais coisa para odiar, não é?
RP: Será?
JR: Oh, que mais odeio no Brasil? Corrupção, violência, desigualdade, odeio isso no meu país.
RP: No nosso, eu pelo menos tenho sempre aquele sentimento de que a política… eu gosto de políticas que dão continuidade umas às outras. Odeio aquele político que chega e diz assim: “Não, não, tudo o que foi feito estava errado”. É impossível. Não acredito que tudo o que tenha feito o anterior esteja completamente errado, seja na educação, socialmente e em tudo. Então eu gosto de políticas que deem continuidade e valorizem, mesmo que sejam de partidos diferentes, o trabalho feito por quem andou aqui antes. E acho que o povo merece isso. Porque nós precisamos de políticas que nos levem para algum lugar. Odeio quando se vem mudar totalmente, porque quase que se sente um retrocesso. Andamos, perdemos tempo e evoluímos menos.
SP: Eu odeio que nos estamos sempre a queixar, sempre a queixar. “Bom dia. Só se for para ti.” Ahh… não gosto. Dantes é porque não tínhamos turismo, agora é porque há turismo a mais, antes não se ia passear no Chiado, agora não se consegue passear no Chiado. Há sempre uma queixa. E levamo-nos muito a sério.
 
Quem é a pessoa com menos piada na Porta dos Fundos?
JR: Com menos piada? Eu. Eu não era humorista, eu virei depois, só depois do Porta. Mas aí eu aprendo rápido, não é? E fui desenvolvendo [risos].
 
O que mais detesta na humanidade?
RP: Hi-po-cri-sia. Que depois tem várias coisas que leva ao ignorar tantas questões importantes, como, por exemplo, a fome mundial.
 
Qual é a atriz mais incrível no mundo?
RP: O filme vai estrear a 12 de outubro nas salas de cinema, vocês não podem perder. Paolla Oliveira, com um pouco de Júlia Rabello e, claro, Sara Prata. São as atrizes que me completam. A Irene Ravache também. É o conjunto destas atrizes todas, que é importante.
 
Qual é o seu guilty pleasure musical?
JR: Se chama feminejo. Feminejo é o sertanejo feminino no Brasil, é um movimento maravilhoso de mulheres cantando sertanejo. Tem umas músicas que a gente chama sofrência.
RP: E tem algumas com chapéu à cowboy também, não tem? É bom.
 
O que adora no Brasil?
RP: o samba, o carnaval, a farra, a alegria das pessoas.
JR: É, a alegria do brasileiro é contagiante. E não é só em festa. Mas o brasileiro sabe transformar um ambiente numa bela alegria. Mas a gente sofre.
RP: E o brasileiro é tão contagiante que eu passei metade desta entrevista mais contagiado pelo sotaque da Júlia do que com o teu [virando-se para Sara Prata]. Eu falei mais português do Brasil do que português de Portugal.
SP: Isto para recordar como foi o filme. Porque na realidade o filme foi assim: o Ricardo a falar um meio português do Brasil, que eu depois tinha de repetir, então já não sabia muito bem como havia de falar [risos].
RP: É verdade, porque não eram só os gestos que tinham de imitar, era a maneira de falar também. Porque o nosso realizador, o Leonel Vieira, ele quer que o sotaque que criámos para este filme, especialmente para a minha personagem, fosse entendido também no Brasil. Porque este filme vai estrear em muitas salas no Brasil.
 

Na maioria dos casos, o que fizeram melhor foi mesmo desviar a conversa mas nada como ver o vídeo.

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