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Cinema

“Parasitas”: o filme de que todos andam a falar nasceu de uma história real

Venceu a Palma de Ouro no festival de Cannes e é um forte candidato aos Óscares. É um thriller centrado na desigualdade social.
O filme estreou em setembro em Portugal.

Se o grande filme do momento é “Joker” — só em Portugal a produção ultrapassou os 720 mil espectadores até 3 de novembro —, outra história que tem gerado um hype grande por cá, e não só, é “Parasitas”.

Apesar de já ter estreado a 26 de setembro em Portugal, continua nalgumas salas de cinema — e começa a ser tema nas conversas de café ou nas redes sociais. É um filme sul-coreano realizado por Bong Joon-ho que este ano venceu a prestigiada Palma de Ouro no Festival de Cinema de Cannes.

As críticas que “Parasitas” recebeu foram ótimas. No Rotten Tomatoes, site que aglomera as classificações das principais publicações especializadas, o filme tem 99 por cento de textos positivos, o que é um número impressionante.

“Parasitas” já está apontado há vários meses como o principal candidato ao prémio de Melhor Filme Estrangeiro nos Óscares (se for nomeado será uma estreia absoluta para uma produção sul-coreana) e os críticos até dizem que pode concorrer noutras categorias, talvez até na de Melhor Filme. Está nomeado para vários Globos de Ouro, o que pode confirmar essa previsão.

Afinal, qual é a história de “Parasitas”?

“Parasitas” é uma sátira sobre as desigualdades sociais — neste caso, na sociedade da Coreia do Sul. No centro do enredo estão duas famílias, uma pobre, os Kims; e uma rica, os Parks. A pouco e pouco, os Kims são contratados para trabalhar na casa dos Parks. Mas fingem todos que não se conhecem, para que não seja levado a mal pelos seus patrões. O jogo de poder entre todos vai mudar ao longo do filme, num ambiente de suspense e tensão.

Quem é Bong Joon-ho?

O realizador sul-coreano de 50 anos tem já um currículo longo. O seu filme mais recente, antes de “Parasitas”, foi “Okja”, projeto da Netflix que também teve alguma projeção internacional, até porque passou por Cannes. Foi ele que realizou a produção sul-coreana mais ambiciosa de sempre, “Expresso do Amanhã”, que teve um elenco com Chris Evans, Tilda Swinton e Octavia Spencer, entre outros.

A história real por trás do argumento

Bong Joon-ho achou que este argumento seria a única forma de duas famílias de classes sociais tão diferentes se cruzarem de forma convincente numa história. No entanto, o guião inspirou-se na própria vida real do realizador e co-autor do filme.

Quando Bong Joon-ho tinha 20 e poucos anos, vindo de uma família modesta, começou a trabalhar a dar explicações de matemática na casa de uma família bastante rica num bairro exclusivo em Seoul, a capital da Coreia do Sul. O objetivo era ensinar matemática ao filho dessa família.

Bong Joon-ho tinha sido apresentado a essa família pela namorada — agora a sua mulher, há mais de 20 anos — que dava explicações de inglês ao mesmo rapaz.

“Eles queriam outro explicador para matemática, então ela apresentou-me como um amigo de confiança, mesmo que eu fosse bastante mau a matemática”, contou o atual realizador à revista “The Hollywood Reporter”. “É assim que funciona com esses trabalhos.”

Essa interação com a família rica marcou Bong Joon-ho, o suficiente para que seja, lá está, a grande premissa de “Parasitas”. Quando Kim Ki-woo consegue emprego como explicador de inglês, consegue arranjar trabalho para a irmã mais nova para dar explicações de arte na mesma casa da família rica. Depois, os irmãos conseguem com que o pai fique motorista dos Parks, e a mãe acaba por ser contratada como empregada doméstica. Todos eles fingem que não são família.

Inicialmente, Bong Joon-ho tinha pensado que esta ideia de uma família pobre se infiltrar numa casa rica — baseada na sua vida real — poderia dar uma história para o teatro. Seria fácil de adaptar, porque praticamente só haveria dois cenários: as casas de cada família. Depois, pensou que ganharia em qualidade se fosse apresentada num formato cinematográfico.

Assim que terminou “Snowpiercer”, escreveu um guião inicial de 15 páginas para a história e passou o projeto ao seu assistente de produção, Han Jin Won, enquanto se dedicava a “Okja”. A ideia era que Han Ji Won fizesse pesquisa para enriquecer o argumento.

O assistente de produção passou meses a conhecer e a entrevistar empregadas, motoristas e pessoas que davam explicações em casas de famílias ricas. Compilou imensa informação e foi discutindo-a com o realizador — acabou por resultar no guião de “Parasitas”, que está assinado por ambos.