Cinema

Pablo Escobar: o narcotraficante que virou estrela pop

Estreia esta quinta-feira, 12 de julho, mais um filme sobre a vida do criminoso colombiano mais conhecido no mundo.  

No dia em que se viu cercado pela polícia, Pablo Escobar violou uma das suas regras mais elementares: falou ao telefone. Foi Juan Pablo, o filho, que atendeu a sua última chamada. “Juancho, te amo”, disse-lhe. Escobar sabia que o fim estava próximo. Mas a morte do maior narcotraficante da história, abatido num telhado pelas autoridades colombianas e americanas, quando tentava escapar outra vez, coincidiu também com o nascimento de um mito, eternizado em filmes, documentários e séries de televisão.

Um deles estreia esta quinta-feira, dia 12 de julho, e aborda a relação de Escobar com Virgínia Vallejo, jornalista e amante do narcotraficante, que lhe deu uma ajuda providencial quando ele quis meter-se na política. “Amar Pablo, odiar Escobar” é protagonizado por duas super-estrelas de Hollywood, nascidas em Espanha: Javier Bardem e Penelope Cruz. Duas vedetas do cinema para interpretar a vida de um criminoso que se tornou um ícone pop à escala planetária.

O filme chega às salas numa altura em que a “escobarmania” está em alta. Lançado no Netflix em 2015, protagonizado por Wagner Moura, “Narcos” foi provavelmente a série responsável pelo fenómeno. Foi também muito criticada pelo filho, Juan Pablo, hoje conhecido por Sebastian Marroquin, nome que adotou quando se mudou clandestinamente com mãe para a Argentina, após a morte do pai. Juan Pablo diz que que a série “glorifica” as atvidades do pai.

Além de apontar erros históricos com muita ficção à mistura, considerou “um mau exemplo” para os mais novos. Marroquín vive hoje de conferências sobre a paz que dá em todo o mundo. “Juancho” também lançou uma linha de roupa inspirada na imagem do pai, e não é o único membro da família que tira proveito do apelido: uma das irmãs do traficante, Alba Marina, escreveu um livro, a outra, Luz Maria, também. Marroquin publicou dois títulos (ambos disponíveis em Portugal, pela Planeta Editora): “Escobar, meu Pai” e “Pablo Escobar – O que o meu pai nunca me contou”.

“O meu pai era super-protetor mas nunca tentou enganar-me e dizer que era um grande empresário ou que estavam a difamá-lo. Disse-me: ‘filho, a minha profissão é ser bandido’. Posso sentir vergonha pelos atos de violência que ele cometeu, mas não pela figura do meu pai. Fui das únicas pessoas do mundo a receber amor de Pablo Escobar”, disse em entrevista o filho do homem a quem se atribuem milhares de assassinatos de polícias, jornalistas e políticos. 

Impiedoso com os inimigos, apelidado Robin Wood de Medellín, a faceta bipolar de Escobar foi um dos grandes desafios de Javier Bardem no novo filme “Amar Pablo, Odiar Escobar”, realizado por Fernando León de Aranoa. “Foi o mais difícil, encontrar esse equilíbrio entre reconhecer e trabalhar esse lado obscuro e violento, e a parte querida pelas pessoas, pela sua família, pela sociedade e por um país”, disse o ator em entrevista. “Pablo Escobar era um senhor que fez umas coisas terríveis mas era também produto de uma época e de um país que se deixou intimidar mas também corromper por ele.”

Pablo Escobar morreu há 25 anos. A luta que empreendeu contra o Estado colombiano, os atentados à bomba e as extravagâncias são ingredientes apetecíveis à máquina do entretenimento. A Fazenda Nápoles, por exemplo, onde instalou o Cartel de Medellín, é hoje um destino procurado por milhares de turistas todos os anos. Tinha 27 lagos artificiais, um parque jurássico com dinossauros à escala real, heliportos, pista de aviação e de motocross, cem mil árvores de fruta e um jardim zoológico com 1200 espécies exóticas – os hipopótamos reproduziram-se e ainda lá estão.

O fenómeno é global: em Brno, na República Checa, há um bar com o seu nome, no Kwait existe uma gelataria e na Rússia um clube de strip. “Loving Pablo”, que estreia hoje, pode ser apenas mais um filme sobre a incrível história deste traficante de droga que um dia sonhou ser presidente da Colômbia. A NiT dá-lhe mais seis sugestões de séries e filmes sobre a vida do traficante mais pop de sempre.