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Cinema

Os sítios que mudaram a vida de António Variações em Lisboa

“Variações” está quase a estrear. O realizador, João Maia, falou com a NiT sobre as gravações nestes locais.
Sérgio Praia interpreta o protagonista no filme.

É muito provavelmente o filme português mais aguardado do ano. “Variações” estreou nos cinemas a 22 de agosto e conta a história do músico António Variações — focando-se sobretudo nos anos antes de arrancar a sua carreira, que foi tão curta quanto impactante.

A ideia de fazer este filme tem mais de 15 anos, diz à NiT João Maia, o realizador e argumentista do projeto.

“Eu gostava de fazer algo relacionado com música portuguesa dos anos 80. Fui ouvir coisas que não ouvia há muito tempo e pelo meio ouvi o Variações. Fiquei entusiasmado porque havia coisas de que já não me lembrava, coisas que conhecia mal e fui pesquisar mais sobre a vida dele. Fiquei logo fascinado com o facto de ele ter começado tão tarde. Ele fez o primeiro disco aos 37 anos. O que terá ele feito antes disso? Foi isso que fui descobrir.”

Depois da pesquisa — que incluiu falar com pessoas que o conheciam e a própria família do músico —, João Maia sentou-se e escreveu o guião. O que se seguiu não foi um processo fácil.

“Não era um filme fácil de fazer para um realizador que não tinha feito nenhum filme para cinema. Acho que a coisa mais complicada foi mesmo conseguir financiamento. Eu concorri muitas vezes aos apoios que existem em Portugal e demorou um bocadinho.”

Pelo meio, existiram até alguns problemas legais. O filme esteve para ser uma produção da Utopia Filmes, mas João Maia afastou-se e teve de pedir uma providência cautelar para que os antigos colegas não usassem o guião que tinha sido escrito por si.

“Em Portugal, talvez um projeto com 15 ou 20 anos seja difícil de acontecer. Mas lá fora, nos EUA, há muitos casos de pessoas que estão há muitos anos para fazer filmes. E o Variações esteve muitos anos para conseguir uma carreira.”

No ano passado, a produção do filme tornou-se viável com o financiamento do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA), e as gravações prolongaram-se durante seis semanas no verão — terminaram a 11 de agosto de 2018.

João Maia tinha pesquisado tudo em detalhe e foi o que encontrou que lhe deu vontade de continuar a lutar por este filme.

“Toda a gente me dizia que o António andava sempre com cassetes, com demos e ensaios gravados. A família ainda tinha algumas, disponibilizou-me para eu as ouvir e realmente fiquei a achar que era material cinematograficamente rico. Eram coisas dele a cantar sozinho, maquetes em que ele construía as músicas — porque ele não sabia música, era assim que ele compunha, a tentar, falhar, tentar e falhar. E esse som antes de ele gravar os discos pareceu-me interessante para passar aos espectadores.”

O filme é baseado em coisas que aconteceram na vida real, mas João Maia frisa que “é uma ficção à mesma”. E conta à NiT qual foi a cena mais fictícia do enredo. “No início do filme ele corta a mão porque quer ir para Lisboa. Não há nenhuma prova de que ele se tenha cortado para se ir embora, mas ele dizia que se não se fosse embora se matava. Eu adaptei-a para uma cena mais visual. Essa terá sido a maior liberdade criativa que tive.”

Os sítios mais marcantes para António Variações em Lisboa (que aparecem no filme)