Cinema

O filme mais assustador do ano estreia esta semana em Portugal

Os miúdos fugiram do cinema durante o trailer e os atores de “Hereditário” dizem que ficaram traumatizados.

Alex Wolff pensa que ficou com stress pós-traumático.

Desde que estreou no prestigiado Festival de Cinema de Sundance, no início de 2018, que tem sido descrito como “o filme mais assustador do ano” ou até dos últimos anos. “Hereditário” estreia nos cinemas portugueses esta quinta-feira, 14 de junho, e é mesmo só para os fãs de terror.

A crítica tem elogiado o filme, apesar de as receitas de bilheteira estarem aquém do esperado — o género de terror é só para alguns. Além disso, em todos estes filmes há uma grande percentagem do público que sai insatisfeita da sala: seja porque não foi assustador o suficiente, seja porque vão ter pesadelos durante duas semanas.

Foi isso que deve ter acontecido com as mais de 40 crianças que assistiram ao trailer do filme numa sala de cinema na Austrália, no final de abril, enquanto esperavam para ver o pacato “Coelho Pedro”.

Dezenas de miúdos desataram a chorar, os pais gritaram para que a projeção fosse interrompida e várias famílias saíram mesmo antes de começar o filme que tinham pago para ver.

Não era para menos. O trailer (que tem mais de sete milhões de visualizações no YouTube) mostra cenas como uma criança a cortar a cabeça de um pombo com uma tesoura, um corpo num caixão em grande plano, um rapaz a bater com a própria cabeça numa secretária com toda a força e um corpo em chamas, tudo misturado com música de suspense e efeitos sonoros dramáticos.

Se o trailer de dois minutos é assustador, imagine o filme completo, que tem mais de duas horas. “Hereditário” tem Toni Collette no papel principal e conta a história de uma família que fica assombrada pelo seu próprio passado quando a avó e matriarca morre. É o primeiro filme do realizador Ari Aster, que também escreveu o argumento.

Alex Wolff, um dos atores desta história, revelou numa entrevista à revista “Vice” que ficou com um tipo de stress pós-traumático na sequência das gravações do filme.

“Acho que não consegues passar por algo assim e não ficar com algum tipo de stress pós-traumático. Este filme teve um efeito em mim durante as gravações e bem depois delas. Quando começava a falar sobre isto, tinha uns flashes com todas as coisas perturbadoras pelas quais passei. Manteve-me acordado à noite até que fiquei com um masoquismo emocional, tentava absorver qualquer sentimento negativo que tinha.”

A atriz principal Toni Collette disse que nem sequer gosta de filmes de terror durante uma conversa com o jornal “The Guardian”. À “Vulture”, explicou que foi o filme mais difícil da sua carreira — “não houve nem um momento fácil em fazer este filme”.

“Eu adorei fazê-lo, porque foi muito satisfatório como atriz poder lidar com estes extremos. Foi emoção sem fim — e havia muitas diferentes. Algumas são mais ‘aceitáveis’ do que outras. É um retrato muito natural e honesto de uma família a lidar com a dor de perder alguém e de como isso os muda.”