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Cinema

“Mosquito”: está quase a estrear nos cinemas o “1917” português

O filme passa-se Primeira Guerra Mundial e no mesmo ano que a obra de Sam Mendes. Também foi inspirado no avô do realizador.
"Mosquito" tem mais seis minutos do que "1917".

Fez furor em janeiro, na abertura do Festival Internacional de Cinema de Roterdão, na Holanda, e estreia esta quinta-feira, 5 de março, nas salas portuguesas. “Mosquito” é um filme nacional realizado por João Nuno Pinto em que conseguimos encontrar alguns paralelismos com “1917”, a obra de Sam Mendes que venceu três Óscares.

O cenário para a narrativa de “Mosquito” é também a Primeira Guerra Mundial. Só que, em vez de se passar nas trincheiras francesas, onde as tropas aliadas enfrentam as alemãs, a ação acontece em Moçambique, na altura colónia portuguesa — porque o enredo se passa precisamente no ano de 1917.

A autoridade do império português fica posta em causa quando as forças armadas alemãs chegam a Moçambique nesse ano. Por isso, são enviadas tropas nacionais para a colónia africana.

Tal como em “1917”, o protagonista é um jovem soldado, que neste caso tem apenas 17 anos — a mesma idade que o avô de Sam Mendes, o luso-descendente Alfred Mendes, tinha quando se alistou no exército britânico para participar na Primeira Guerra Mundial, que na altura era apenas conhecida como a Grande Guerra.

As semelhanças não se ficam por aqui: o avô do realizador João Nuno Pinto foi um soldado português que combateu em Moçambique durante a Primeira Guerra Mundial. 

A personagem principal é, portanto, Zacarias (João Nunes Monteiro), um rapaz com um patriotismo cego, ansioso pela glória, que se alista para combater nos cenários de trincheiras da Europa — onde muitos jovens portugueses perderiam a vida.

Só que o destino troca-lhe as voltas quando esta situação de Moçambique acontece, pelo que ele é um dos enviados nessa comitiva de combate. Contudo, o primeiro embate que tem quando chega não é com os alemãs, mas sim com a malária.

Depois de conseguir recuperar, Zacarias segue — apenas acompanhado por dois colegas negros — numa viagem com muitos encontros e desencontros onde até a sua sanidade mental estará em causa, alimentada pelos mitos e perigos da guerra, além da própria natureza africana.

Este é também um retrato do império português e da relação entre os portugueses e os povos das antigas colónias nesta época — do racismo estrutural que existia e das relações de subserviência que estavam instituídas.

Apesar disso, o protagonista faz um caminho de redenção, apercebendo-se de vários dos problemas existentes nestas circunstâncias e contexto.

O elenco inclui ainda João Lagarto, Filipe Duarte, Alfredo Brito, Miguel Borges, Manuel João Vieira, Miguel Moreira, Cesário Monteiro e Nuno Preto, entre outros. Trata-se de uma produção de Paulo Branco e o guião foi escrito a meias entre Gonçalo Waddington e Fernanda Polacow.

Como é lógico, a parte técnica de “Mosquito” não é comparável à produção enorme (e muito cara) de “1917”, apesar de a realização e direção de fotografia estarem a ser elogiadas pela crítica da imprensa especializada.