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Cinema

“Midway”: críticos arrasam o filme sobre a batalha da Segunda Guerra Mundial

Foi realizado por Roland Emmerich e estreia em Portugal esta quinta-feira, 7 de novembro.
O filme estreia em Portugal esta quinta-feira, 7 de novembro.

Uma das principais estreias de cinema desta quinta-feira, 7 de novembro, é “Midway” — um filme que se centra precisamente nesta batalha histórica da Segunda Guerra Mundial, entre americanos e japoneses, que ficou conhecida com este nome.

A produção foi realizada por Roland Emmerich (“Dia da Independência”) e tem um argumento escrito por Wes Tooke (“Colony”). Ao todo, são quase duas horas e 20 minutos de ação, que tentam mostrar uma perspetiva bastante fiel em relação ao que aconteceu na realidade.

Tem sido apresentado como um filme respeitoso relativamente à história, que leva os acontecimentos a sério (a batalha passou-se seis meses depois de Pearl Harbor), que quer homenagear os corajosos soldados que lutaram pela sobrevivência de uma civilização.

O elenco tem várias estrelas. Ed Skrein, Patrick Wilson, Luke Evans, Woody Harrelson, Mandy Moore, Dennis Quaid, Alexander Ludwig, Aaron Eckhart e Nick Jonas são algumas delas, apesar de também participarem vários atores japoneses (ainda que, claro, o ponto de vista assumido seja o americano).

Os efeitos especiais visuais — a experiência de ver a guerra no grande ecrã com uma ótima definição, com a capacidade de nos transportar para aquele universo — têm sido um dos elementos mais elogiados em “Midway”.

No entanto, a crítica especializada não tem gostado particularmente do filme. Aliás, as críticas negativas têm sido muitas. No Rotten Tomatoes, site que aglomera as classificações da imprensa, o filme só tem uma percentagem de 33 por cento de textos favoráveis.

O jornal britânico “The Guardian” publica um dos textos mais críticos ao filme. “Emmerich tem calma, misericórdia, em relação ao patriotismo de bandeira, e até retrata o inimigo japonês de forma bastante igualitária. Mas o seu filme nunca lida com o custo humano na guerra e a morte de tantos jovens. É uma grande, barulhenta e aborrecida aula de história.”

E acrescenta ainda Cath Clarke: “A melhor coisa para se fazer com este filme seria arranjar cobertura e esperar para que ele passasse.”

Do outro lado do oceano, a revista americana “The Hollywood Reporter”, igualmente prestigiada no assunto, questiona-se sobre qual é a relevância de um filme de guerra nos dias de hoje, tendo em conta tudo aquilo que já foi feito, do mais dramático aos filmes de entretenimento mais leve.

“Infelizmente, mesmo alguém que vá aos filmes e que teoricamente está disposto a ver um filme sobre uma guerra do passado reanimada com uma produção do século XXI vai encontrar pouco para gostar em ‘Midway’. Apesar do grande orçamento e do elenco talentoso, é estranhamente pouco comovente.”

E acrescenta: “Apesar de o filme querer fazer justiça às pessoas que fazem parte da história, raramente lhes dá vida como pessoas reais. E também falha na outra direção, ao não conseguir torná-las personalidades maiores que a vida, o que podia justificar esta abordagem.”

O texto da revista “Variety” é mais positivo em relação ao mérito de “Midway”, mas conclui com a seguinte frase: “Talvez este filme seja demasiado sério para a horde das pipocas, e não deverá ser bom o suficiente para a época de prémios.”

Já o site “The Wrap” diz que “é um filme gigante com muito pouco impacto”. O texto elogia o trabalho de “Midway” em retratar a dimensão da guerra, mas critica a falta de humanismo e de emoção ao longo da narrativa.

“É uma enorme e impactante produção superficial, com personagens que Hollywood abandonou há décadas. Os melhores membros do elenco ou são desperdiçados ou relegados para papéis secundários mal escritos.”