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Cinema

Matt Damon, o menino certinho de Hollywood que está a enfurecer os colegas

Chega aos cinemas com “Suburbicon”. Fora dos filmes construiu uma imagem perfeita durante anos mas será que está agora a destruí-la?

Até Matt Damon já tem haters.

Final dos anos 50, pacato subúrbio nos Estados Unidos, Gardner Lodge é um financeiro aborrecido. Se “Suburbicon” — que estreia esta quinta-feira, 28 de dezembro, em Portugal — não fosse um filme escrito por Ehan e Joel Coen, a história podia parar aqui, mas os irmãos nunca apresentam argumentos simples e que façam totalmente sentido. Resultado:  a personagem interpretada por Matt Damon só podia ser um sociopata disfarçado.

Fora da ficção, aquele que durante anos foi indiscutivelmente o menino certinho do cinema, começa também agora a levantar dúvidas. Tudo por causa dos comentários sobre o escândalo sexual em Hollywood. Defendeu Louis C.K., disse que teria de analisar “caso a caso” se lhe propusessem trabalhar com alguém acusado de assédio e que “os bons tipos” de Hollywood não têm merecido atenção suficiente. Os colegas não lhe perdoam, até a antiga namorada Minnie Driver já o criticou e está a circular uma petição para que ele seja eliminado de “Ocean’s 8”, uma espécie de spinoff da saga com um elenco feminino. No momento em que escrevemos este artigo, mais de 28 mil pessoas assinaram o documento. 

“O Matty é um bom tipo”, palavra de Julia Roberts. O comentário da colega da saga “Ocean’s” é unânime em Hollywood e para a maioria dos espectadores. “É quase doentio, na verdade. Ele é praticamente a pessoa mais amada do mundo que alguma vez conheci”, descreveu Emily Blunt. Em 2015 era o segundo ator mais adorado na Internet, apenas destronado por Leonardo DiCaprio. 

Antes que se apague tudo o que disseram sobre ele ao longo dos anos por não conseguir afastar-se das polémicas que nem lhe dizem respeito diretamente, a NiT foi perceber porque é que todos adoram (ou adoravam) Matt Damon.

O certinho no meio dos polémicos amigos

Durante anos cultivou a imagem perfeita, lado a lado com o percurso atribulado do amigo de infância Ben Affleck (alcoolismo, relações falhadas), com a maior das naturalidades. Quando ganharam o Óscar pelo Melhor Argumento de “O Bom Rebelde” eram dois miúdos que ninguém conhecia e em palco, para o discurso, Damon deixou todo o tempo de antena ao colega.

Dos subúrbios de Boston saiu também outro dos membros do grupo, Casey Affleck (irmão de Ben). Deste último circulam rumores de assédio sexual há anos e de casos abafados nos bastidores. Quanto a Ben Affleck, teve recentemente de pedir desculpa por ter tocado de forma inapropriado a atriz Hillary Burton na emissão da MTV. Quando rebentou o escândalo Weinstein, Matt Damon foi acusado de tentar coagir um jornal italiano a esquecer um dos casos mas essa história foi entretanto desmentida pela jornalista que o entrevistou na altura.

Um ator leal

Fazer um quarto filme da saga “Bourne” ter-lhe-ia garantido 16,8 milhões de euros. Contudo, o realizador Paul Greengrass abandonou o projeto por achar que os estúdios não estavam a dar-lhe tempo suficiente para trabalhar e ele não hesitou em fazer o mesmo. Disse depois que estava a “torcer” pelo sucesso dos filmes seguintes e que era “um grande fã” de Jeremy Renner. Não houve ressentimentos mas, assim que Greengrass se comprometeu com “Jason Bourne”, em 2016, ele também voltou a correr.

Uma família estável

Os pais divorciaram-se quando ele tinha dois anos mas sempre foi tudo cordial e o ambiente estável em ambas as casas. A mãe percebeu cedo que ele ia ser ator e que o irmão mais velho, Kyle, artista (é escultor e pintor). Quando a educadora de infância se queixou que ele passava os dias na zona dos vestiários, os pais pediram-lhe para que continuasse a deixar. “Eu experimentava todas as roupas e fazia vários papéis”, contou em 2012 ao jornal “The Guardian”. Matt Damon era muito próximo do pai e recentemente cancelou várias aparições públicas. O motivo foi revelado a 24 de dezembro com a notícia da morte de Kent Damon, que lutava contra um cancro há mais de seis anos.