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Cinema

“Uma Luta Desigual”: o que é verdade (e ficção) no novo filme de Felicity Jones

Conta a história real — com algumas invenções pelo meio — de Ruth Bader Ginsburg.
Felicity Jones é a protagonista da história.

A juíza do Supremo Tribunal de Justiça dos Estados Unidos Ruth Bader Ginsburg tem dado que falar no cinema. Em maio, estreou o documentário “RBG”, que contava alguns dos principais episódios da sua carreira e vida pessoal com entrevistas — tanto à própria como a membros da família, amigos e colegas.

Esta quinta-feira, 10 de janeiro, estreia “Uma Luta Desigual”. O filme realizado por Mimi Leder foca-se numa altura específica da vida de Ginsburg. Ela é interpretada por Felicity Jones, enquanto o papel do marido, Martin “Marty” Ginsburg, ficou para Armie Hammer.

Centra-se nos seus primeiros anos como mãe, estudante universitária, professora e, depois, advogada. Prolonga-se durante mais de uma década e tem como grande destaque o primeiro caso de discriminação de género de Ginsburg, Moritz vs. Commissioner, de 1972.

Charles Moritz era o queixoso. Era um filho solteiro que cuidava da mãe — ela estava bastante doente. Segundo a lei fiscal daquela altura, Moritz não podia deduzir certos gastos com a mãe por ser um homem solteiro — teria de ser divorciado ou viúvo para estar incluído nesses parâmetros. Por outro lado, qualquer mulher na altura teria direito a essas deduções. Portanto, era um caso de discriminação contra o género masculino.

No filme, Ruth Bader Ginsburg é retratada como a mulher que ela é: uma mulher forte. Toma conta da filha, Jane, enquanto vai às suas aulas em Harvard e ajuda o marido a acompanhar as dele, mesmo depois de ele ser diagnosticado com cancro nos testículos — o que era bastante grave na altura.

Apesar de a juíza ter estado envolvida na produção do filme, existem várias partes na história que são ficção. “Este filme é em parte factual, e em parte imaginativo — mas o que é maravilhoso sobre ele é que as partes imaginadas encaixam-se perfeitamente na história”, contou Ginsburg à “NPR”, citada pela “Time”.

Os guionistas — no qual se inclui o sobrinho de Ginsburg, Daniel Stiepleman — decidiram que a realidade nem sempre servia a história. A NiT fez um fact-check a “Uma Luta Desigual”. Eis o que é verdade, parcialmente verdade ou simplesmente ficção.

Ficção: Ruth Bader Ginsburg foi às aulas do marido por ele quando Marty estava a fazer tratamentos para o cancro

No filme, quando Marty é diagnosticado com cancro, ele e Ruth decidem que vão enfrentar juntos e unidos a doença. Pouco tempo depois, Ruth chega atrasada — com livros e uma pasta na mão — a uma sala de aula cheia de homens em Harvard. Ela explica ao professor que vai estar nas aulas do marido por ele — além de ir às suas próprias.

Apesar de o cancro e a reação do casal serem verdadeiros, Ruth não foi às aulas do marido por ele durante o seu terceiro ano no curso de Direito. Foram os seus colegas que o ajudaram mais nessa tarefa: tiravam notas para ele e até lhe davam explicações presenciais.

“Por isso é que não acho que Harvard seja aquela instituição ferozmente competitiva como às vezes é descrita. Quando o Marty ficou doente, os meus colegas e os colegas dele juntaram-se todos à nossa volta e ajudaram-nos a que ele passasse o ano”, disse Ginsburg numa entrevista.

Ruth Bader Ginsburg no filme, nas aulas do marido.