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Cinema

Como Lídia Franco, aos 75 anos, conseguiu um papel num blockbuster da Netflix

“6 Underground” estreou em dezembro com Ryan Reynolds como protagonista. Foi realizado por Michael Bay.
A atriz de 75 anos interpreta Maria.

Foi há mais de um ano, a 11 de outubro de 2018, que foi confirmado que a atriz portuguesa Lídia Franco ia participar num projeto insólito para a sua carreira: um blockbuster de ação para a Netflix realizado por Michael Bay, o responsável por “Armageddon” ou a saga de “Transformers”.

A 13 de dezembro estreou na plataforma de streaming esse mesmo blockbuster. Chama-se “6 Underground” e é uma produção de mais de duas horas que tem como protagonista a estrela Ryan Reynolds.

Mélanie Laurent, Dave Franco, Corey Hawkins, Ben Hardy, Manuel Garcia-Rulfo e Adria Arjona são outros dos atores que participam nesta história. O enredo foca-se em seis agentes clandestinos que deixaram as suas vidas no passado para mudar o futuro. As gravações aconteceram no ano passado em Itália.

Lídia Franco interpreta uma pequena personagem que é grega e se chama Maria. A atriz portuguesa de 75 anos foi escolhida através do programa Passaporte, um projeto da diretora de castings portuguesa Patrícia Vasconcelos, que é promovido pela Academia de Cinema Português.

Como Patrícia Vasconcelos explica à NiT, todos os anos o Passaporte faz uma seleção de atores portugueses cujos talentos são apresentados a diretores de castings internacionais, muitos deles responsáveis pela escolha do elenco de grandes produções.

Lídia Franco participou na primeira edição da iniciativa, em 2016, mas só no ano passado é que se tornou um “caso de sucesso” para o Passaporte — existe uma lista disponível de exemplos no site oficial do programa, onde se incluem a participação de Albano Jerónimo e Ivo Alexandre em “Vikings”; os papéis de Nuno Lopes e Paulo Pires em “White Lines”; ou a presença de Joana Ribeiro e Ana Padrão em “The Dark Tower”; entre vários outros.

Apesar de haver uma seleção anual, todos os atores portugueses ficam integrados na plataforma do Passaporte, que pode ser consultada a qualquer momento pelos diretores de castings internacionais ligados ao projeto. “A plataforma acumula e a lista de atores portugueses envolvidos é cada vez maior”, explica Patrícia Vasconcelos.

Assim, se passado dois anos um destes diretores de casting se lembrar que gostava de determinado ator português para um certo papel, tem o acesso facilitado. Foi precisamente isto que aconteceu com Lídia Franco, que foi recrutada por Priscilla John — profissional que tem participado em todas as edições do Passaporte e que tem um longo e muito respeitável currículo.

“A Priscilla John estava em Lisboa e achou que a Lídia Franco era uma boa aposta para aquela personagem. Ela já a tinha conhecido antes, no Passaporte. Pediu-lhe para gravar uma self-tape [um vídeo a interpretar a personagem gravado e enviado pela própria atriz] e depois o casting foi aprovado.”

Patrícia Vasconcelos explica que o processo foi rápido, demorou cerca de uma semana. Foi um casting em cima da hora, porque faltava pouco tempo para as gravações arrancarem. 

“Estou muito contente, e foi espetacular para a Lídia.” Patrícia Vasconcelos diz que está a ser preparada a edição de 2020 mas que neste momento se aguarda por um processo de financiamento. O evento deverá voltar a acontecer no final de maio. “E há muitos outros casos de sucesso, mais recentes, que ainda não podemos divulgar.”

Além dos encontros entre atores e diretores de casting, a programação costuma incluir palestras gratuitas e abertas ao público.

Recorde a entrevista da NiT com a diretora de casting de “Breaking Bad”, “Walking Dead” e “The Handmaid’s Tale”, Sharon Bially, realizada a propósito do Passaporte.

Também há uma marca portuguesa de mobiliário que participa em “6 Underground”. A Laskasas, sediada em Rebordosa, emprestou algumas das suas peças para aparecerem nos cenários do blockbuster da Netflix, sobretudo num apartamento de luxo. O investimento total da produção foi de cerca de 150 milhões de dólares, o equivalente a 135 milhões de euros.