Cinema

Levámos uma fanática a ver “A Bela e o Monstro” — e ela chorou oito vezes

Uma repórter da NiT passou o filme todo a tirar lenços no fundo da mala. Foi um regresso à infância emotivo, mas Emma Watson tornou-se no seu ódio de estimação.

Oito vezes. Não foram duas, não foram cinco, foram exatamente oito vezes as que chorei a ver o filme “A Bela e o Monstro”. Não vou tentar suavizar e dizer que os meus olhos ficaram apenas marejados de lágrimas. Não foi isso. Foi mesmo baba e ranho, ao ponto de passar o tempo todo a tirar lenços do fundo da mala, e a fazer aquele som repugnante de quem se está a assoar e a expurgar a alma ao mesmo tempo. Foi vergonhoso, humilhante, mas não me arrependo por um único segundo. Senhoras e senhores, este é o filme que nos leva de novo à infância, àqueles tempos maravilhosos em que acreditamos no melhor da humanidade e em que julgamos que todos os sonhos se podem tornar realidade.

Estava cheia de medo desta adaptação. “A Bela e o Monstro” não era apenas o meu filme favorito quando era miúda, é o meu filme favorito da Disney, ponto final. Vi-o 4.985 vezes, a última há menos de três anos. Desde as músicas às personagens, sem esquecer os cenários e a mensagem, é um filme perfeito do princípio ao fim. A minha obsessão é elevada, eu sei — ainda hoje não consigo ver um prado sem ter vontade de começar a correr como a Bela (na primária passava os recreios a fazer isto, apesar de não haver um único pedaço de verde à vista), da mesma forma que não consigo pôr um vestido amarelo sem sentir que estou num baile, ou ver um bule sem imaginá-lo a cantar para mim.

É grave, eu sei. No entanto, e apesar de isto ser assumidamente uma não-crítica, considero-me uma especialista no que diz respeito a este filme. E pensei mesmo que ia ser feroz nos meus ataques ao trabalho de Bill Condon. Há filmes que eu não admito que arruinem. Este é um deles.

O meu receio começou assim que vi o trailer. Odiei tudo, em particular os objetos. Porque é que fizeram o relógio tão esquisito? Porque raio é que o espanador é um pato? E o que é que aconteceu à cara do monstro, que parece ter sido passado a ferro? Nem me façam falar no bule, cada vez que me lembro do que senti naquele momento até me sinto mal-disposta. Não, não foi amor à primeira vista. Pareceu-me tudo tão falso e, honestamente, feio, que nunca pensei vir a superar aquele choque.

Felizmente consegui. Na verdade, nem me lembrei disto até começar a escrever este texto. É verdade que continuo sem perceber porque é que espanador é um pato. E o bule e o meu querido Chip foram as personagens de que menos gostei em termos estéticos. No entanto, no filme tudo funciona com tanta naturalidade que, na primeira meia hora, nem me lembrei que estava a ver a adaptação de um filme de animação.

Acho que para isso contribuiu em muito a introdução de elementos novos na narrativa. Sim, há muitas coisas que não estavam no original da Disney, mas essa inserção é feita de forma subtil, natural e sem nunca pôr em causa a história original. Até digo mais: acho que o enredo se tornou muito mais rico. Não se tratou de uma mera adaptação ao cinema, foi o reconstruir de uma história nova. Com respeito pelo que foi feito antes, com a mesma magia e ternura, mas com a vontade de ir um bocadinho mais longe. Há partes que nunca antes tinham sido explicadas e agora são, há enredos que descobrimos que afinal estão relacionados e até novas músicas. No final, é a mesma história, mas ao mesmo tempo uma história completamente diferente. Foi como se estivesse a ver o meu filme favorito pela primeira vez, e esse é o maior elogio de todos. 

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