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Kamehameha e outras lições de vida que aprendemos com “Dragon Ball”

Esta semana estreia um filme com um novo vilão. O maior fã da série da NiT explica-lhe como a saga mudou a sua vida.
Está aí um novo filme com mais vilões.

No primeiro ano da primária, em 1996, cheguei à escola com uma mochila nova do “Dragon Ball Z”. Em Portugal ainda passava a primeira versão da série, por isso fiz logo sucesso. Havia ali personagens que ainda ninguém conhecia e muitas das brincadeiras passaram a focar-se em descobrir quem eram, como o Cell e os cyborgs. Esta quinta-feira, 14 de março, estreia em Portugal um novo filme da saga, motivo mais do que suficiente para recordarmos lições que a série da infância nos deixou.

“Dragon Ball”, “Dragon Ball Z” e “Dragon Ball GT” passaram na SIC entre 1995 e 1999. O anime marcou uma geração que se habituou a ouvir a voz de Henrique Feist na televisão —  fazia a dobragem da personagem principal, Son Goku, mas também de outras. A SIC Radical trouxe, em 2016, de volta a série e Feist regressou também ao papel — seria muito estranho ver se assim não fosse.

Dragon Ball Super: Broly” é um filme saído desta última série que passou em Portugal e que também pode ser vista no canal Panda Biggs. Broly é o novo vilão que vem colocar em perigo a Terra e o Universo com o exército de Freezer. Son Goku e Vegeta estão cá para impedi-lo, como sempre. Estreou nos Estados Unidos em dezembro de 2018 e foi um gigantesco sucesso de bilheteria — 26 milhões de euros só no dia de estreia.

Vi partes do “Dragon Ball Super” e tenciono ir ver com toda a atenção esta hora e 40 no cinema. Se esperava com muita paciência que a impressora pré-histórica cuspisse uma imagem de Son Goku em super guerreiro para colar num caderno, claro que tenho de ver isto.

E se tinha um relógio digital com a cara de Son Goten em miúdo (o filho de Son Goku, para quem não sabe), em super guerreiro (quando aumentam o poder e ficam de cabelo amarelo, só para quem não sabe também), é certo que vou comprar bilhete. Perdi o relógio no ATL onde passava as tardes e custa-me sempre lembrar aqueles dias em que revirei tudo à procura dele — talvez seja por isso que não sou de usar relógios agora.

E ainda há mais. Lá em casa estava toda a série GT em cassetes que via sempre que a sala estava livre. E, claro, sei de cor a música. “Ser como tu e até o medo/ saber enfrentar/ sem qualquer segredo.” Se isto não é uma boa lição de vida, digam-me o que é.

É óbvio que herdámos muito mais de “Dragon Ball”. Um artigo é pouco mas, para já, chega para irmos buscar algumas das melhores memórias da nossa infância.

O Kamehameha revolve tudo

Até quem não via a série conhece esta expressão. Foi um dos primeiros ataques em que Son Goku recorreu a forças de energia. Foi o Tartaruga Genial que o ensinou a fazer e, claro, que ficou surpreendido quando o viu a fazê-lo pela primeira fez ainda em pequeno. Mãos juntas e colocadas na bacia, enquanto fazia o gesto de pegar numa pequena bola. Começava sempre com “Kamehame” e por fim “haahahahaha” enquanto a atirava para um dos inimigos.

A fusão é a melhor solução quando faltam ideias

Outra das expressões conhecidas de “Dragon Ball” é a fusão. Vários super guerreiros não eram suficientes para acabar com os vilões. A solução passava por uma fusão entre duas das personagens. Dedos indicadores ao alto, uma dança meio fofinha, dizer “fusão” e juntar os dedos aos do colega. Assim se fundiam os dois. Vimos versões com Son Goten com Trunks e Son Goku com Vegeta.

O teletransporte leva-nos a todo o lado

Com dois dedos na testa podíamos viajar para qualquer um outro ponto do planeta e até do universo. Fez parte de muitas das brincadeiras de infância. O teletransporte tinha um som muito característico no desenho animado — que é complicado reproduzir por escrito.

Com teletransporte ia-se a todo o lado.

Há cápsulas que se transformam em carros e motas

Tudo bem que havia o teletransporte, mas claro que existiam personagens que não tinham essa capacidade. Bulma tinha uma empresa que produzia cápsulas que armazenavam, por exemplo, carros e motas. Era só clicar no botão, atirar a cápsula e já estava. Casas também eram uma das opções guardadas naqueles objetos.

As cápsulas podiam ser qualquer coisa.

Contar piadas pode até ser melhor arma do que um Kamehameha

A dobragem portuguesa tinha algumas frases muito específicas, não eram apenas sobre a história e o anime. Havia piadas que eram ditas em grandes momentos de luta, muitas até para desconcentrar o adversário. “Tu contas com um ovo no cu da galinha” é só uma das que pode ouvir em algumas compilações que encontramos no YouTube.

Um super guerreiro faz-se a comer até cair

Tudo bem que Son Goku treinava que se fartava, mas era também louco por comida. E não era só um prato. Antes e depois dos torneiros de artes marciais esgotava stocks de cozinhas perto dos centros onde se realizavam os combates. Pratos, pratos e mais pratos eram empilhados na mesa. E muitas vezes era só engolir os noodles com os pauzinhos.