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Cinema

Já vimos o novo filme de “A Dama e o Vagabundo” — mas ele não acrescenta nada

A plataforma de streaming Disney+ foi lançada nos EUA e na Holanda esta terça-feira, 12 de novembro.
O filme tem mais de uma hora e meia.
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Após meses e meses de espera, a plataforma de streaming Disney+ foi lançada finalmente esta terça-feira, 12 de novembro — mas por enquanto só existe nos EUA e na Holanda, o país europeu sortudo que foi escolhido para ser cobaia do serviço.

Entre os maiores destaques do catálogo do Disney+ encontram-se “A Dama e o Vagabundo”, o remake em imagem real do clássico de 1955, que encaixa no formato que a Disney tem vindo a produzir. Só este ano estrearam nos cinemas as novas versões de “O Rei Leão”, “Dumbo” e “Aladdin”. A grande motivação, claro, é comercial e não artística.

A grande diferença aqui é que este filme não irá para os cinemas, mesmo que em março de 2020 (quando se espera que o Disney+ seja lançado em Portugal) chegue uma versão dobrada em português.

Se se lembra bem do filme original, vai sentir-se em casa quando vir esta nova versão de “A Dama e o Vagabundo” (a que a NiT já assistiu). Apesar de ser maior — tem cerca de uma hora e 40 minutos — a história simples é essencialmente a mesma.

Dama (na voz de Tessa Thompson) adora a vida que tem com os seus donos (Kiersey Clemons e Thomas Mann) e cães vizinhos, pelo menos até ao dia em que nasce um bebé naquela família e Dama deixa de ser a prioridade lá em casa, o que faz com que se sinta excluída.

Uma sequência de acontecimentos leva a que Dama se cruze com Vagabundo (Justin Theroux). Ele é um cão vadio que mora na rua, alimentado por aquilo que consegue encontrar, e que adora o seu estilo de vida livre.

É ele que mostra a Dama todo um mundo que ela não conhece — a vida difícil dos cães na rua, mas que também pode ser bem romântica. Sobretudo quando inclui um jantar nas traseiras de um restaurante italiano que serve esparguete com almôndegas — sim, claro, a mítica cena não falha nesta nova versão. 

Depois de vários avanços e recuos — com Dama a ir para o canil antes de ser resgatada pelos donos, que regressaram à cidade; e Vagabundo a ser capturado pelo obcecado senhor do canil — tudo acaba bem na casa da família. Ou seja, Vagabundo é adotado pelos donos de Dama. 

A nova versão da história, realizada por Charlie Bean, não arrisca nada. Aliás, até altera a música dos terríveis gatos siameses porque no filme original poderia ser interpretada como racista pelos asiáticos. Afinal, estávamos nos anos 50.

Por muito entusiasmo que suscite junto dos fãs, a verdade é que os animais — que estão muito bem treinados para o filme — não conseguem transmitir tantas emoções, ou pelo menos de uma forma tão profunda e convincente, quanto os desenhos animados na produção original. 

Por outro lado, parece que estamos num parque temático da Disney. A representação dos atores é exagerada — como se estivessem num meet and greet na Disneyland. E, apesar de ser o início do século XX nos EUA, é um universo bastante fantasioso. Aliás, só foram permitidos casamentos interraciais no estado do Missouri no final dos anos 60 — 60 anos depois de esta história se passar. A Disney ignora isso porque não quer abordar o assunto: o objetivo é mesmo criar um mundo de conto de fadas.

Em jeito de conclusão, pode-se dizer que o bjetivo de atualizar a história de “A Dama e o Vagabundo” foi cumprido, mesmo que perca um pouco da magia do original. É realmente uma pena que esta versão nunca nos consiga surpreender.