Cinema

“À Deriva” tem uma história trágica e verdadeira — estreia esta quinta-feira nos cinemas

Nos anos 80, um casal apaixonado embarcou numa viagem que se viria a revelar traumática.

Shailene Woodley and Sam Claflin star in Adrift Courtesy of STXfilms

Em 1983, um casal apaixonado de noivos — que tinha também uma paixão por navegar — embarcou numa viagem de navio que seria traumática. A história é parcialmente contada no filme “À Deriva”, realizado por Baltasar Kormákur, que estreia em Portugal esta quinta-feira, 14 de junho.

Shailene Woodley e Sam Claflin interpretam Tami Oldham Ashcraft e Richard Sharp, os dois velejadores que aceitaram o desafio de fazer uma travessia entre o Tahiti e San Diego, nos EUA, de cerca de 6500 quilómetros. O seu trabalho era transportar o iate Hazana — depois de terem estado a navegar em férias durante vários meses.

Menos de três semanas depois de começarem a viagem, foram confrontados com o terrível furacão Raymond, com ondas de 12 metros e vento a 225 quilómetros por hora. Não estava a ser fácil.

A 12 de outubro, Richard Sharp disse à noiva de 23 anos para fazer uma pausa e ir descansar dentro da cabine — não estava à espera daquilo que ia acontecer. O barco virou bastante com as ondas e o vento e Tami Ashcraft ficou inconsciente durante 27 horas.

Quando acordou, não havia sinal do seu futuro marido. As fitas de segurança, que o prendiam ao iate, estavam na borda do navio. Richard Sharp tinha sido empurrado para o mar pela brutalidade do furacão.

Nessa altura, Tami Ashcraft teve de agir rapidamente, fazer os reparos que conseguia e tentar levar o navio para terra, onde estaria segura. Tirou água da cabine, ergueu uma vela e começou a navegar de forma manual, apenas com um sextante e um relógio — já que o sistema de navegação e o rádio tinham ficado destruídos.

Pensou que San Diego seria longe de mais, então levou o barco em direção ao Havai, que ficava mais próximo — ainda assim, era uma viagem desafiante de quase 2500 quilómetros.

Conseguiu chegar ao destino que traçou e sobreviveu a comer comida enlatada e manteiga de amendoim. “A parte mais difícil foi lidar com o facto de o Richard já não estar lá”, disse Tami Ashcraft numa entrevista ao “Chicago Tribune” em 2003.