NiTfm live

Cinema

Harrison Ford e um cão amoroso são os melhores amigos em “O Apelo Selvagem”

O ator de 77 anos teve de contracenar com outro ator humano — que depois foi substituído por um animal nas imagens.
O filme tem 1h40 de duração.

“O Apelo Selvagem” é o livro clássico de Jack London que foi publicado pela primeira vez em 1903 e que já deu origem a várias adaptações. Desde filmes mudos a versões com estrelas de cinema, a história do cão Buck e do seu companheiro humano John Thornton já foi contada várias vezes.

Até aqui, sempre foram usados cães reais para interpretar o protagonista Buck. Porém, a nova versão de “O Apelo Selvagem”, que estreou em Portugal a 20 de fevereiro, é a primeira adaptação em que a personagem foi totalmente criada através de efeitos de computador.

O filme foi realizado por Chris Sanders e produzido por James Mangold, além de contar com alguns editores que trabalharam na saga de “O Planeta dos Macacos” — onde os efeitos de computador foram fulcrais para criar as personagens e todo o tom da narrativa. 

A história é a clássica. Um cão domesticado e alegre é maltratado fisicamente, por isso, o seu espírito fica também afetado no território montanhoso de Yukon, no Canadá. Tudo isso está prestes a mudar quando forma uma relação de companheirismo com John Thornton (Harrison Ford), um homem solitário com um passado trágico (mas com bom coração). Juntos, exploram a natureza numa viagem existencial que acaba por libertá-los dos seus traumas.

Harrison Ford, que tem 77 anos, contracenou com outro ator, Terry Notary — especialista em interpretar o lado físico das personagens que depois são criadas em computador.

Terry Notary, que também trabalhou na saga de “O Planeta dos Macacos”, no franchise de “Avengers”, em “Avatar” e “Kong: A Ilha da Caveira”, tentou imitar ao máximo os movimentos de Buck — sendo que muitas das suas expressões acabaram por servir de base aos animadores.

Isso significa, sim, que Harrison Ford teve de dar festas na cabeça de Terry Notary e coçar a barriga do colega como se se tratasse de um cão. “Dar festas na cabeça não foi a parte estranha. Coçar-lhe a barriga é que foi um pouco estranho ao início. Mas ultrapassámos isso rapidamente, tornou-se normal”, contou Harrison Ford em entrevista ao jornal “USA Today”.

Na parte da animação, o desafio mais complicado foi acertar na raça certa de São Bernardo, e nas respetivas cores, que tanto tinham de servir para as cenas durante o dia, como para as partes do enredo que se passam à noite.

Foi a mulher do realizador que encontrou, por acaso, o cão perfeito num canil em Emporia, no estado americano do Kansas. Era um animal arraçado de São Bernardo e pastor-alemão que tinha as cores ideais para o filme. Curiosamente, chamava-se Buckley.

Sanders e a sua equipa levaram o cão e fizeram-lhe um scan, de forma a terem registadas imagens e as suas formas, para depois as poderem replicar através de animação de computador. 

“Nós fizemos o scan e ele tinha olhos incríveis, dava para ver perfeitamente para que direção é que estava a olhar. Os estúdios acharam que os olhos estavam demasiado parecidos com um cartoon, mas eu disse-lhes que eles eram mesmo assim”, contou o realizador da produção à revista “IndieWire”.

O elenco tem ainda Dan Stevens, Bradley Whitford, Omar Sy, Michael Horse, Colin Woodell, Wes Brown, Jean Louisa Kelly, Karen Gillan, Cara Gee, Preston Bailey e Alex Solowitz, entre outros.