Cinema

“Amor Amor”: o filme português que custou 309€ por espectador ao Estado

Já “Ramiro”, de Manuel Mozos, custou 250€ por cada pessoa que passou pelo cinema. A NiT comparou os números do financiamento do ICA às receitas de bilheteira. 

Estreou nos cinemas a 8 de fevereiro.

Todos os anos, o Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA), que faz parte do Ministério da Cultura, financia vários filmes portugueses que se candidataram a este apoio especial. Apesar do incentivo e da avaliação positiva do Estado, a maioria acaba por não ter muitos espectadores quando chega às salas de cinema. A NiT analisou os números da bilheteira dos filmes apoiados pelo ICA que estrearam este ano e o balanço continua longe de ser positivo. 

No total, até este mês de agosto, o ICA co-financiou 12 projetos: “Bad Investigate”, de Luís Ismael; “Ruth”, de António Pinhão Botelho; “Cabaret Maxime”, de Bruno de Almeida; “Aparição”, de Fernando Vendrell; “Colo”, de Teresa Villaverde; “Ramiro”, de Manuel Mozos; “O Labirinto da Saudade”, de Miguel Gonçalves Mendes; “Amor Amor”, de Jorge Cramez; “Luz Obscura”, de Susana de Sousa Dias; “Correspondências”, de Rita Azevedo Gomes; “Encontro Silencioso”, de Miguel Clara Vasconcelos; e “Todas as Cartas de Rimbaud”, de Edmundo Cordeiro.

Quatro deles são documentários, os restantes são obras de ficção. O filme com a maior disparidade entre a receita de bilheteira e o financiamento do ICA é “Amor Amor”. O Instituto — que financia e acompanha toda a produção dos projetos, desde a preparação das filmagens à distribuição — participou com 500 mil euros.

A receita bruta deste filme realizado por Jorge Cramez foi de 8150,93€, provenientes de 1618 espectadores — o filme foi exibido 282 vezes em salas de cinema. Isso significa que o Estado pagou o equivalente a 309,02€ por cada espectador. 

É necessário frisar que o dinheiro para financiar estes projetos não vem do Orçamento do Estado. É, sim, um imposto — “uma taxa de subscrição que impende sobre os operadores de serviço de televisão por subscrição” e que inclui “um conjunto de obrigações de investimento direto por parte dos operadores de serviços de televisão, de distribuição, de exibição e de audiovisual a pedido”, como se pode ler na apresentação online do ICA. Ou seja, são empresas de serviços de televisão que pagam essa taxa ao ICA, que depois usa esses fundos para os concursos públicos.

A história centra-se em Marta (Ana Moreira) e Jorge (Jaime Freitas). São um casal que está junto há sete anos e que projeta uma imagem perfeita para os amigos. Bruno está completamente apaixonado por Marta, mas é bastante mais novo; Lígia, a irmã de Bruno e melhor amiga de Marta, adorava ver o irmão feliz; Carlos, amigo de Jorge, tem uma relação com Lígia mas na verdade está secretamente apaixonada por Marta; e o próprio Jorge, que tem medo que esta relação perfeita e a vontade de Marta em casar faça com que perca a sua liberdade — e, por isso, acaba por encaminhá-la para Carlos.