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Cinema

7 diferenças entre o “Dumbo” original e a versão de Tim Burton

O realizador atualizou a história do elefante mais famoso do cinema e deu um novo destino à personagem.
Comparamos o Dumbo de 1941 com o de 2019.

A versão original lançada em 1941 foi o quarto filme de animação da Disney. Numa época em que a empresa enfrentava uma grave crise financeira, o desenho animado foi criado para ser simples e comercialmente apelativo. Tinha apenas 64 minutos de duração, mas tornou-se o segundo projeto da Disney a dar lucro — atrás apenas de “Branca de Neves e os Sete Anões”.

O animal fez tanto sucesso nos anos 40 que voltou às salas de cinema para sessões especiais nas décadas seguintes. A personagem é conhecida entre as gerações mais recentes, mesmo antes do remake do clássico ser lançado este ano — o novo “Dumbo” estreou a 28 de março em Portugal. Esta versão tem 112 minutos — quase o dobro do tempo para contar com mais detalhes a história do elefante mais fofinho do cinema.

O elenco do filme inclui várias estrelas, como Danny DeVito, Eva Green, Colin Farrell e Michael Keaton, além das crianças Nico Parker e Finley Hobbins. A narrativa atualiza a fábula e mistura a inocência da Disney com a estética do realizador Tim Burton. O elefante de orelhas grandes é apresentado a um novo público, resgata as memórias de infância dos adultos do mundo inteiro mas também tem muitas mudanças no argumento.

Para comparar as duas versões, a NiT é obrigada a contar spoilers. Portanto, se ler a partir daqui, não diga que não avisamos. 

O ponto de vista da narrativa

O primeiro “Dumbo” tem poucos diálogos e as músicas revelam o ritmo e o compasso da vida dos anos 40. No original, a Sra. Jumbo fala apenas uma vez para dizer qual o nome do seu bebé. Além disso, o ponto de vista da narrativa é dos animais. Quando um humano aparece, geralmente não tem cara, é visto na penumbra ou está com maquilhagem de palhaço.

Quase 80 anos depois, Tim Burton tira quase todas as músicas fofinhas e conta a história do ponto de vista humano com um elenco principal composto por grandes nomes do cinema norte-americano. Apesar de ser em imagem real, os elefantes continuam sem falar. Dumbo tem uma família humana — a do ex-treinador de cavalos Holt Farrier (Colin Farrell).

Como nascem os filhotes

O remake põe um ponto final na antiga história das aves que trazem os bebés. Em 1941, o elefante bebé é entregue por uma cegonha com farda de carteiro. Agora, o mãe do elefante já aparece grávida no início da história. Não há mistérios sobre a origem dos bebés.

Dumbo e o amigo Timóteo na versão original.

Os tutores de Dumbo

Dois miúdos do circo, Milly e Joe Farrier, substituem o papel de Timóteo no novo filme. No original, o ratinho toma conta do filhote quando a mão dele é presa e passa a servir de guia e tutor de Dumbo.

Na versão de Tim Burton, o elefante fica aos cuidados dos miúdos, que também lhe ensinam a voar. Aqui, é como se o espectador infantil finalmente entrasse na aventura. A única menção que fazem ao pequeno amigo de Dumbo é quando Milly cuida de três ratinhos e um deles está com uma farda vermelha — como a antiga personagem de 1941.

Cenas transformadas

Num mundo mais politicamente correto, a cena em que o elefante e o rato Timóteo ficam bêbados sem querer na versão original teve de ser transformada. A embriaguez na animação de 1941 gera alucinações. Bolhas transformam-se em elefantes rosa que dançam no infinito e tocam as trombas como um instrumento de sopro.

No novo filme, há referência ao caso mas sem álcool, claro. Aqui, Dumbo vê bolhas estranhas durante uma apresentação do circo e encanta-se por elas. Ou seja, os miúdos até podem saber qual a origem dos bebés, mas não devem ser expostas a drogas.

Como Dumbo fica famoso

O momento em que o elefante revela as suas habilidades é o mesmo nos dois filmes. Dumbo está vestido e maquilhado para participar numa apresentação do circo juntamente com palhaços-bombeiros. No original, ele fica preso numa torre em chamas. Na versão atual, ajuda a apagar o fogo, mas as coisas correm mal e ele é obrigado a voar.

A cena que quase acaba em tragédia.

O circo vai para a Dreamland

Quando a nova personagem Vandevere (Micheal Keaton) descobre o talento de Dumbo e só pensa no dinheiro que pode ganhar, oferece ao dono do circo, Medici (Danny DeVito), uma residência fixa no parque de diversões Dreamland. É lá que o realizador aproveita para tratar de temas como corrupção e abuso de animais selvagens no entretenimento.

O final

Na primeira animação, o elefante voador torna-se estrela da trupe por causa das acrobacias que é capaz de fazer no ar. Consegue libertar a mãe da prisão, mas continua a trabalhar no picadeiro. No final criado por Tim Burton, Dumbo e a Sra. Jumbo são levados de volta para a vida selvagem e passam a viver livres na natureza.

Dumbo e a mãe vão voltar para a selva.

Leia também a crítica da NiT à mais recente versão de “Dumbo”, atualmente nos cinemas portugueses.