Cinema

Crítica: o novo “Mamma Mia” é pior do que o original e parece que também não houve um esforço

A sequela (que também é prequela) estreia esta quinta-feira, 19 de julho, em Portugal. Meryl Streep quase não aparece no filme.

Amanda Seyfried está mais madura e as suas madrinhas estão iguais.
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Em 2008, “Mamma Mia” foi um dos filmes com mais sucesso no mundo — a adaptação para cinema do musical da Broadway mantinha a banda sonora pop dos Abba, tinha Meryl Streep no papel principal e os cenários coloridos e doces das paradisíacas ilhas gregas. Dez anos depois, chega aos cinemas portugueses esta quinta-feira, 19 de julho, a sequela — que na verdade também é prequela.

O problema aqui é que Meryl Streep praticamente não aparece mais do que 30 segundos — a premissa é que a sua personagem, Donna, morreu — e todas as músicas “boas” e mais conhecidas dos Abba esgotaram-se: por isso é que ouvimos tantas faixas menos conhecidas e lados B do grupo sueco na nova história, misturadas com os hinos “Dancing Queen”, “Waterloo” ou “Fernando”.

Donna morreu e a sua filha Sophie — interpretada por Amanda Seyfried — amadureceu um pouco, apesar de continuar ingénua. O seu único sonho na vida é reconstruir aquele hotel na ilha grega e concretizar o desejo da mãe, deixando-a orgulhosa para a eternidade. Será que o seu namorado, Sky, vai aparecer? Será que os seus três pais e as duas melhores amigas da mãe também vêm? Ah, uma tempestade tal como no primeiro filme, fujam e salvem tudo. Há vários problemas que a tornam uma pessoa cheia de stress e ansiedade, apesar de viver num soalheiro oásis grego no meio do mar.

Esta é a parte do filme realizado por Ol Parker que funciona como sequela, já que também é contada toda a história de como Donna foi parar àquela ilha — e como é que a sua filha pode ter três pais diferentes, que neste filme estão bem mais velhos. Lily James (que faz o melhor papel em todo o filme) interpreta Donna em 1979, na sua vida louca desde a universidade de Oxford até às ilhas gregas (na verdade o filme foi gravado na Croácia). Pelo caminho vai dormindo com desconhecidos — nunca uma vida tão promíscua e marota foi vista no cinema com cores tão doces e angelicais, neste tom típico de musical, onde tudo parece saber a algodão doce e em que qualquer momento podem saltar serpentinas.

Nota-se perfeitamente, mesmo para quem não viu a peça da Broadway, que se trata de um ótimo musical e que esta é uma adaptação para cinema — só que não há, na verdade, grande adaptação, tirando, obviamente, o aperfeiçoamento dos cenários. Não é um verdadeiro filme que por acaso nasceu de uma peça de teatro, mesmo que a fotografia e a realização sejam boas, e de vez em quando apareça a ocasional boa piada entre diálogos. Nota-se demasiado que é um musical.

Há, no entanto, vários pormenores que são honestamente maus. Alguns dos atores não deveriam claramente estar a cantar para tantos milhões de espectadores. As passagens na história entre a atualidade e 1979 são fracas— Lily James pode fazer um bom papel, o passado é a melhor parte do filme, mas não nos consegue iludir a pensar que estamos nos anos 70. Parece mais uma modelo de Instagram que foi convidada para ser manequim de uma nova marca de biquínis fancy do que um espírito livre e meio hippie dos anos 70. Há muita coisa no guarda-roupa e na caracterização que simplesmente não faz sentido.

Cher supostamente vem preencher o lugar de Meryl Streep no filme, mas, além de isso não resultar, só aparece nos últimos 20 minutos — e na verdade faz mais de Cher do que outra coisa. O seu papel, pasme-se e atente-se, é o da mãe da personagem de Meryl Streep, Donna. Ou seja, Cher, com 72 anos e quase o mesmo número de cirurgias plásticas, é supostamente a mãe de Meryl Streep, que tem 69 anos — e tem as suas rugas típicas da idade. Não tem sentido, mesmo que Cher consiga trazer a sua boa aura de estrela para o filme.

O novo “Mamma Mia” não vai certamente conquistar novos fãs, mas também não significa que vá desiludir todos aqueles que verdadeiramente gostaram da versão de 2008, com Meryl Streep. Entretém e, apesar de ter quase duas horas, não se torna cansativo. A fórmula de cores bonitas, canções pop emocionais, atores engraçados e a curiosidade suscitada pelo primeiro filme prometem mais um provável sucesso de bilheteiras. Mesmo que este filme claramente não seja tão bom — o que seria de esperar, tendo em conta o esforço que se fez.