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Cinema

Porque é que “Chama-me Pelo Teu Nome” é o “Moonlight” deste ano?

É uma história de amor entre dois homens, simples e bonita. Os críticos dizem que está aberto o caminho para os Óscares.

Estreia a 18 de janeiro.

“Chama-me Pelo Teu Nome” é o terceiro volume de uma trilogia chamada “Desejo” e, apesar dos dois primeiros terem passado mais despercebidos, este é já um dos mais aclamados filmes dos últimos meses.

Na história, Elio (Timothée Chalamet) é um adolescente italiano e Oliver (Armie Hammer) um estudante universitário norte-americano que se muda para Itália durante o verão. Os dois têm sete anos de diferença, apaixonam-se e o filme resume-se à simplicidade desse amor, apesar de condenável naquela altura, em 1983.

Desde que se começou a falar de “Chama-me Pelo Teu Nome”, apareceram as comparações com “Moonlight”, que em 2017 deixou um marco histórico no cinema. Foi o primeiro projeto com um elenco inteiramente afro-americano, o primeiro LGBT e o segundo com uma receita mais baixa nos Estados Unidos (apenas atrás de “Estado de Guerra”) e conquistar o Óscar de Melhor Filme.

A NiT foi tentar perceber os pontos comuns entre as duas histórias.

A comparação é um elogio

Numa entrevista ao “The Guardian”, Luca Guadagnino, o realizador — que se juntou à produção apenas como consultor local e acabou a dirigir tudo — não se mostrou nada incomodado com as parecenças apontadas, pelo contrário. “Eu adoro o filme do Barry Jenkins e fico empolgado com a comparação. […] O trabalho dele tem um estilo formal que vem de um tipo de cinema que eu adoro: em particular de Hou Hsiao-hsien. Por isso, sinto uma certa irmandade com aquilo que o Barry Jenkins fez.” 

Longe de serem blockbusters

Estrearam ambos muito antes da temporada de prémios e conseguiram manter-se na corrida, ao lado dos blockbusters publicitados até à exaustão pelos grandes estúdios de Hollywood. “Moonlight” estreou no Festival de Cinema de Telluride em setembro de 2016 e ganhou três Óscares (Melhor Filme, Melhor Argumento Adaptado e Melhor Ator Secundário para Mahershala Ali). “Chama-me Pelo Teu Nome” foi apresentado em Sundance, no início de 2017, e tem, até agora, quatro importantes distinções no currículo (prémios Gotham e New York Film Critics Circle para Timothée Chalamet, um Critics’ Choice para o argumento escrito por James Ivory e um Gotham de Melhor Filme).

Cenas de sexo

Nenhum mostra sexo explícito. Em “Moonlight”, a questão da sexualidade é sempre renegada pela personagem principal e a cena mais intensa resume-se a um ato sexual na praia entre dois jovens. “Chama-me Pelo Teu Nome” tem um muito falado momento que envolve um pêssego e que o realizador demorou bastante tempo a decidir se incluía sequer no filme. Além disso, quando Elio e Oliver se envolvem pela primeira vez, o espectador é propositadamente deixado de fora.

“Depositarmos os nossos olhos sobre eles enquanto estão a fazer amor seria uma espécie de intrusão injusta”, disse o realizador durante o Festival de Cinema de Nova Iorque. “Penso que o Oliver e o Elio e o Armie e o Timothée, os quatro, mostraram forte intimidade e proximidade de tantas formas que isso foi suficiente. 

Ainda assim, apesar de não ter uma cena explícita entre os dois, não há tanta dificuldade em expor as relações sexuais entre Elio e uma espécie de namorada, Marzia, interpretada por Esther Garrel

A nudez ou a falta dela é defendida como uma escolha artística do realizador mas criticada por muitos, que consideram que ninguém se incomoda com a nudez feminina mas ainda há muitos preconceitos em relação aos homens. 

As previsões para os Óscares

Tal como a maioria dos críticos, o site de apostas e previsões “Gold Derby” não tem dúvidas de que “Chama-me Pelo Teu Nome” vai receber várias nomeações para os Óscares e, de acordo com a publicação, James Ivory (nomeado três vezes no passado) é até o favorito na categoria de Melhor Argumento Adaptado — a partir do livro de 2007 de André Aciman. 

Não é expectável, ainda assim, que seja eleito Melhor Filme (terá de competir com “Três Cartazes à Beira da Estrada” ou “The Post”) mas, tendo em conta a vitória inédita de “Moonlight” em 2017, tudo está em aberto.