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Cinema

Filmes portugueses só têm, em média, 18 espectadores por sessão no cinema

A NiT analisou os dados do Instituto do Cinema e Audiovisual dos filmes nacionais que estrearam até ao final de agosto.
Uma média bem baixa.

O filme “Variações” foi a história mais vista nos cinemas de Portugal em 2019 desde a estreia, a 22 de agosto. Em apenas duas semanas, levou mais de 154 mil espectadores às salas de cinema nacionais rendeu quase 825 mil euros nas bilheteiras até ao final de agosto.

Apesar de todo o sucesso à volta do músico António Variações, os filmes portugueses não têm convencido o público a comprar bilhetes para as suas sessões. A NiT analisou os dados do ranking dos filmes nacionais que estrearam entre janeiro e agosto de 2019, divulgado pelo Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA) e o balanço continua longe de ser positivo.

A 4 de setembro, data da mais recente contabilização do ICA, tinham sido registados 437.486 mil espectadores em 24.056 sessões de cinema, ou seja, uma média de 18,2 pessoas por exibição. O filme nacional menos visto este ano foi “António Um Dois Três”. A co-produção luso-brasileira foi exibida oito vezes e levou apenas 266 pessoas ao cinema.

Todos os anos, o ICA — que é tutelado pelo Ministério da Cultura — financia vários filmes portugueses que se candidataram a este apoio especial. Apesar do incentivo e da avaliação positiva do Estado, a maioria acaba por não ter muitos espectadores quando chega às salas de cinema.

No período avaliado, os TOP 3 do ranking do ICA — “Variações”, “SNU” e “Tiro e Queda” — arrecadaram quase um milhão e meio de euros, enquanto a receita total de todas as 27 longa metragens da lista soma pouco mais de 2,25 milhões de euros.

A receita média de todas as exibições dos 27 filmes portugueses exibidos até o dia 4 de setembro é de 93,68€ por sessão e, se o lucro fosse partilhado por igual, cada produção ganharia cerca de 80,5 mil euros com a venda de bilhetes de cinema. Um valor muito baixo para o volume do investimento.

No fundo da tabela, “António Um Dois Três“, “Sousa Martins” e “Selvagens” foram vistos por apenas 972 pessoas e geraram uma receita bruta inferior a 4,4 mil euros.

“António Um Dois Três” conta a história do jovem António que há mais de um ano trocou, em segredo, as aulas na universidade pelos palcos de teatro. Quando o pai descobre, o rapaz foge de casa e refugia-se no único sítio que parece fazer sentido: o apartamento de Mariana, a sua ex-namorada. É assim que António vai conhecer Débora, uma brasileira que ali está provisoriamente e por quem se apaixona.