Cinema

Argumentistas de Hollywood ameaçam com nova greve

Em causa, estão melhores salários e o direito a um seguro de saúde. O sindicato dos escritores pode parar a produção de conteúdos em maio, altura em que se conhecem as programações dos canais televisivos para o resto do ano.

Lembra-se do argumento apressado de “Transformers: Retaliação“? E do cancelamento inesperado de várias séries, como  “Serviço de Urgência” ou “30 Rock“? Tudo isto coincidiu com a greve dos argumentistas norte-americanos em 2007. Segundo o jornal “New York Times“, outra paralisação em Hollywood poderá estar iminente.

Na passada quarta-feira, 19 de abril, os membros da Writers Guild of America (estimam-se que sejam, ao todo, 12 mil) lançaram uma votação online para decidir se avançam com uma greve no caso das suas exigências não serem correspondidas até dia 1 de maio – altura em que o contrato entre os argumentistas e os estúdios termina. A decisão final do sindicato será divulgada na próxima segunda-feira, 24 de abril.

Em cima da mesa, estão várias exigências: um seguro de saúde e uma pensão com mais regalias do que a habitual; o pagamento de royalties no caso de um rerun (repetição de conteúdos) de uma série e o direito de escrever para mais do que um programa do horário nobre, como os conhecidos talk shows de Conan O’brien ou Jimmy Kimmel.

Os estúdios de televisão estão a ter cada vez mais lucro, mas encomendam menos episódios por temporada (entre dez a 13) em comparação com o passado (a regra situava-se entre 22 e 24). Esta medida provoca uma enorme redução no salário dos argumentistas, que muitas vezes nem chega para cobrir os custos ou horas passadas a escrever e a rever enredos. Além disso, a maior parte dos argumentos é escrito sob pressão, algo que a Writers Guild of America (WGA) também pretende mudar.

Caso a greve seja aprovada, a equipa de argumentistas avisa num documento que “qualquer atraso do início dos trabalhos tem o potencial de adiar as estreias do outono e de reduzir a quantidade de nova programação disponível para anunciantes e o público em geral”. Isto significa que as próximas temporadas de “The Walking Dead“, “Jessica Jones” e “American Horror Story” podem ser afetadas e até adiadas, caso não se chegue a um acordo entre as duas partes.

A última paralisação da WGA durou 100 dias e causou danos consideráveis na indústria, com uma perda de vários milhões de euros. O impacto também foi grave no cinema e na televisão: argumentos com menos qualidade (especialmente, nos talk shows); séries mais curtas ou canceladas e filmes com atrasos na produção.

 

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