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Cinema

“Pretty Woman” estreou há 30 anos — e há tanta coisa que não sabe sobre o filme

Sabia que Richard Gere, por exemplo, continua a odiar a história? "Foi uma comédia romântica pateta".
A cocaína podia ter arruinado "Pretty Woman"

Ainda se lembra de 1990? Foi um ano giro, sobretudo porque ninguém teve que enfrentar uma pandemia. Esqueça que está em isolamento forçado: há três décadas, milhões de pessoas corriam para os cinemas para ver Richard Gere soliticar os serviços de uma prostituta — e ser feliz para sempre.

Postas assim as coisas, é talvez um pouco bizarro pensar que estamos a falar de uma das mais bem-sucedidas comédias românticas de sempre. Com um total de 168 milhões de euros conquistados, só perdeu para “O Que As Mulheres Querem”, “Hitch” e “Viram-se Gregos Para Casar”.

A verdade é que “Pretty Woman” podia ter sido um filme bem diferente. Mas já lá vamos: para limpar a cabeça da Covid-19 — e antes de rever o filme pela 27.ª vez —, vamos recordar algumas das mais estranhas curiosidades do filme que fez de Julia Roberts uma das maiores estrelas do cinema.

Antes de chegar às salas, o argumento passou por várias mãos e nem sempre foi o filme levezinho e divertido que acabamos por ver no cinema. Quando foi apresentado ao realizador Garry Marshall, foi-lhe pedido que o tornasse mais fácil de digerir, mantendo intocável a profissão da personagem de Roberts. Acabou por receber o título provisório de “3000”, o valor necessário em dólares para passar uma noite com Vivian.

Nessa primeira versão, Vivian não era apenas prostituta. Era também uma viciada em cocaína. Os produtores acabaram por achar que era tudo um pouco demais.

É igualmente difícil imaginar um “Pretty Woman” sem Julia Roberts, que apenas exigiu uma condição no momento de assinar contrato: não aparecer nua. Sem Roberts e, claro, sem o galã dos 90, Richard Gere. A verdade é que por pouco que o papel não foi entregue ao durão Burt Reynolds.

Depois de percorrer uma lista com nomes como Christopher Reeve, Daniel Day-Lewis ou Al Pacino, Reynolds recebeu uma oferta que acabou por ser recusada. Uma decisão da qual se viria a arrepender, segundo o próprio, quando viu “as cenas sensuais com Julia Roberts”.

O papel de homem de negócios acabou por ser entregue a Richard Gere, que parece estar farto de falar de “Pretty Woman”. Em 2012, enquanto promovia um novo filme, foi cruel com um dos maiores êxitos da sua carreira: “As pessoas perguntam-me muitas vezes sobre ele, mas eu já nem sequer me lembro disso. Foi uma comédia romântica pateta”.

Embora renegue o passado, o ator também reconhece que interpretar Edwards foi um desafio: “Nunca pensei que conseguiria fazer um filme daqueles. Achava que não tinha habilidade para o fazer. Sou um tipo bastante intenso. Não foi particularmente fácil passar aquele ar despreocupado”.

Quem não se lembra da famosa cena do colar? A verdade é que o momento em que Gere fecha a caixa e assusta Roberts não estava no argumento, embora tenha sido planeada pelo realizador. O objetivo, segundo o próprio Marshall, era o de manter a atriz bem desperta. “Ela era jovem e saía muito para se divertir. Às vezes chegava cansada e tínhamos que a despertar”, disse sobre Roberts que tinha na altura apenas 23 anos.

Outra cena memorável é a do restaurante, onde Vivian se debate com um caracol, que acaba por voar na direção de um empregado que diz: “Isto está sempre a acontecer”. E se a personagem não lhe é estranha, é porque provavelmente viu “O Diário da Princesa”, também realizado por Marshall, que voltou a chamar o ator para dizer exatamente a mesma fala.

Por falar no restaurante: a cena foi filmada no Rex II Ristorante, hoje conhecido por Cicada, em Los Angeles. Se passar por lá, quiser jantar e for um fã mesmo a sério do filme, pode pedir aquela que ficou conhecida pela “Mesa de Pretty Woman”. Só não peça é os caracóis.

O restaurante onde foi filmada a cena