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Música

Rui Reininho: “O Psicopátria foi o disco que fez de nós músicos”

A NiT conversou com o vocalista dos GNR no dia em que tocam na íntegra o álbum de 1986 no Super Bock Super Rock.

A ameaça foi feita e vai cumprir-se este sábado, no Super Bock Super Rock, em frente à multidão que vai encher o recinto pela última. Depois dos GNR terem interpretado Psicopátria na íntegra no Rivoli, no Porto, deixaram o aviso de que não seria a última vez. E não vai ser.

O terceiro disco da banda, que tem no alinhamento grandes temas como “Efectivamente”, “Pós Modernos” ou “Bellevue”, é um marco na carreira dos GNR e celebra este ano o seu 30.º aniversário.Significou o ponto de viragem de uma banda que, a partir do seu lançamento em 1986, partiu para uma das suas maiores digressões até então e, segundo o próprio vocalista, os tornou “em verdadeiros músicos profissionais”.

A NiT conversou com Rui Reininho sobre o concerto deste sábado, sobre a importância do “Psicopátria” na carreira da banda e descobriu a surpresa guardada para todos os que vão estar no palco EDP, pelas 22h50, no Parque das Nações.

Como é que surgiu esta onda nostálgica dos GNR?

Era uma ideia antiga do Paulo Cunha e Silva. Sugeriram-nos fazer um espetáculo no Rivoli com este conceito de levar apenas um disco ao palco. Depois a questão foi mesmo apenas debater qual seria. Acabamos por escolher o Psicopátria.

Repetem agora no SBSR a experiência do Rivoli. Como é que correu?

Foi agradável tocar o disco do lado A ao lado B, sempre seguidinho. Acho que é um formato bastante apetecível para trazer a um festival, até porque são quase 50 minutos e encaixa bem. Dá-nos a oportunidade de tocar temas que já não tocávamos há muito tempo, como a “Cerimónias”. Havia uma ou duas músicas que já nem nos lembrávamos de ter feito e que pusemos de parte, como é o caso de “O Paciente” ou do “Coimbra B”, um instrumental que também nunca tinha sido tocado.

Este é um disco com um muito significado para os GNR?

Foi com a tourné do Psicopátria que batemos todos os nossos recordes. Foram mais de 100 espetáculos. Tocámos em todo o lado, em França, em Espanha. Acima de tudo tocámos muito. Foi a assunção da chamada profissionalização, o momento em que percebeomos que a nossa vida ia ser aquilo. Nessa altura arriscámos tocar nos coliseus, algo que à época estava destinado apenas aos artistas brasileiros como o Catetano Veloso ou Maria Bethânia. Foi um risco muito grande isto de levar a chamada pop rock a esses palcos.

Há algum tema mais especial no alinhamento do Psicopátria?

O “Efectivamente” tem nos acompanhado ao longo dos anos mas também temos tocado a “Bellevue”, a pedido de várias famílias. Por acaso, outro dia deparei-me com uma coisa inesperada: uma versão curiosa da “Dá Fundo” na televisão brasileira, nas noites do Faustão. Aconteceu um ou dois anos depois do lançamento do disco, em 1988 talvez. É algo curioso e fantástico olharmos para nós próprios, a essa distância.

Têm alguma surpresa preparada para o concerto no Super Bock Super Rock?
Vamos estrear uma coisa nova: um vídeo feito por um coletivo artístico que vai servir de apoio visual ao “To Miss”. Vai ser agradável fazê-lo num palco grande. Vai ser um passo em frente e não dois à retaguarda (risos).