Moda

A história de vida da nova Miss Universo que luta pelos direitos das mulheres

Ao longo da competição, a sul-africana ficou conhecida pela sua faceta ativista. Este terá sido um dos pontos que levou o júri da competição a escolhê-la.
Tem 26 anos.

Em miúda, Zozibini Tunzi adorava estar ao colo da avó Ndiyabulela Mamqhinebe. Durante horas, as duas folheavam livros e partilhavam histórias impossíveis de esquecer. Mesmo com poucos estudos, Ndiyabulela sempre incutiu à neta o gosto pela leitura, paixão que a nova Miss Universo — cujo título foi dado este domingo, 8 de dezembro —, mantém. 

“O primeiro livro que tive era da minha avó. Por causa dela, tenho sede de conhecimento e amor pela leitura”, escreveu a sul-africana de 26 anos no seu Instagram oficial. O interesse constante pela cultura mundial foi um dos motivos que levou o júri a eleger esta mulher. 

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The first book I ever picked up to read belonged to my grandmother. She gifted it to me because I loved sitting on her lap pretending to read whenever she was doing it. She never had an opportunity to further her studies due to past apartheid laws but she made it a point to be knowledgeable. Till today, even with her horrible eye sight you will never catch her without a book in her hand. Because of her I have a thirst for knowledge and a love for reading. She sparked a flame in me to always want to do more and to be more. Ndiyabulela Mamqhinebe❤️

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Mas há mais. Negra e de cabelo super curto, Zozibini ficou conhecida ao longo de toda a competição pelos seus ideais contra o racismo e sexismo. Numa das etapas, quando lhe foi perguntado qual era a coisa mais importante que as jovens mulheres deveriam aprender nos dias de hoje, não demorou a responder: “Liderança. É algo que falta às mulheres há muito tempo, não porque elas não a desejavam, mas por causa de como a sociedade rotulou como as mulheres deveriam ser”.

Zozibini nasceu a 18 de setembro de 1992, em Tsolo, mais precisamente na comunidade Sidwadweni. Filha de Philiswa Tunzi Nadopu e Lungisa Tunzi, uma diretora de escola e um professor universitário, é a segunda mais velha de quatro irmãs: Ayakha tem 13, Sibabalwe, 24, e Yanga, 30 anos.

Graças aos seus pais, que diz serem as suas maiores inspirações, desde cedo que a sul-africana investe na sua educação. “Aprendi muito com eles. A minha mãe ensinou-me a importância de ser gentil, humilde e útil para as pessoas ao meu redor. O meu pai ensinou-me a importância da educação, do trabalho duro e da disciplina”, disse numa entrevista à “Glamourama“. Além do inglês, a jovem sabe falar fluentemente xhosa, uma das 11 línguas oficiais da África do Sul.

Aos 20 anos, a sul-africana entrou para a Universidade Tecnológica da Península do Cabo, a mais antiga daquele país, onde se formou em Gestão de Relações Públicas, em 2018. Entretanto, estagiou na Ogilvy Cape Town, uma empresa local.

Foi quando estava a estudar que Zozibini decidiu investir na sua carreira como manequim. Inscreveu-se na competição Miss África do Sul, em 2017, mas depois de chegar às últimas 26 candidatas foi eliminada. Contudo, não desistiu e voltou a candidatar-se a no início deste ano.

Venceu e foi esta distinção que lhe deu acesso ao concurso da Miss Universo, no qual se destacou entre 86 candidatas. Com um metro e setenta e oito centímetros, a jovem que também já participou na Semana da Moda de Nova Iorque pela marca Maxhosa, surpreendeu tudo e todos com a sua beleza física e interior.

Aliás, a campanha solidária que teve de apresentar na competição foi uma das que mais se destacou. Ativista e defensora dos direitos das mulheres, Zozibini criou uma parceria com a HerForShe, uma organização da ONU representada por celebridades como Emma Watson.

A sua ideia foi surpreendente: pediu a vários homens sul-africanos para escreverem mensagens de apoio às mulheres, que foram impressos em pedaços de fita. Os acessórios acabaram por fazer parte de um dos visuais durante o último desfile.

Embora agora seja uma mulher confiante — e não tenha problemas em, por exemplo, usar o cabelo rapado —, nem sempre foi assim. Durante a adolescência a jovem passou por várias fases mais inseguras, durante as quais mudava sempre de penteado.

“Antes de cortar o cabelo fiquei com medo de não ser bonita, principalmente por causa dos padrões sociais do que é a beleza. Quando acabei por cortá-lo percebi o quão incrível ele era, mais bonito do que pensava”, conta no seu Instagram.

Nos próximos tempos é com este aspeto que se quer manter. Aliás, Zozibini acredita que fez história ao vencer este prémio. “Cresci num mundo onde uma mulher como eu, com o meu tipo de pele e cabelo, nunca foi considerada bonita. E acho que é hora de isso terminar hoje”, disse após receber a coroa da antecessora filipina Catriona Gray.

A sul-africana é a segunda mulher negra a conseguir este título. Antes dela, só a angolana Leila Lopes tinha recebido a coroa, em 2011. Nesta fase de rescaldo do concurso, ainda não se sabe quais são os seus próximos projetos. Contudo, há uma certeza: a manequim vai aproveitar muito bem todos os prémios. 

Afinal, além dos 100 mil dólares que vai receber, a jovem herdou ainda um apartamento de luxo em Nova Iorque, EUA, e recebeu centenas de serviços de beleza, nutrição e moda. Fechou ainda contrato com várias agências de modelos internacionais.

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