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ModaLisboa: Nuno Gama transformou a passerelle num verdadeiro espetáculo

O criador abriu o segundo dia do evento. Em vez do desfile tradicional houve uma exposição de esculturas vivas.
Fotografias de David Velez.

O aviso foi feito por email na segunda-feira, 7 de outubro. O desfile de Nuno Gama, que abriu o segundo dia da ModaLisboa, nas Antigas Oficinas Gerais de Fardamento e Equipamento do Exército, em Lisboa, não ia ser tradicional — a imprensa e os convidados tinham de circular pela passerelle em vez do contrário.

Quem acompanha com atenção o percurso do criado português sabe que ele nunca se esgota. A cada apresentação consegue sempre surpreender os espectadores, mesmo que o desfile se limite a quatro paredes e uma longa passadeira de mais de cinquenta metros. 

As portas da sala abriram-se poucos minutos depois da hora marcada. O músico André Viamonte cantava ao vivo logo à entrada. Foram precisos poucos segundos para perceber que estávamos perante um verdadeiro espetáculo.

“Cativação”, o nome que Nuno Gama deu à coleção de primavera/verão 2020, é inspirada em”O Príncipezinho”. A obra de Antoine de Saint-Exupéry esteve bem presente naquela sala onde dezenas de manequins se exprimiam ao sair de caixas de cartão, sentados em cima de cadeiras empilhadas ou num baloiço lá no alto. 

Com esta exposição de obras de arte vivas, o criador quis mostrar “o impacto que cada um tem na Terra”. Quer que todos mudem os seus hábitos e que façam a diferença no mundo. Ao longo da passerelle várias palavras como avareza, imaginação e vergonha estavam escritas em pequenos papéis pelo chão.

Destaque para o primeiro fato sneake print, para o casaco com pelo de ovelha e outros tantos coordenados em tons de branco ou castanho. Nuno Gama quer uma estação quente com mistura de tons inusitados, como o azul e o vermelho. Para quem gosta de looks mais excêntricos, o criador sugere um blusão branco com várias camadas de tecido de diferentes tons.

Como começou a carreira de Nuno Gama?

Nuno Gama nasceu a 22 de abril de 1966 e viveu até à adolescência em Azeitão. Nessa altura, mudou-se para o Porto com o objetivo de fazer o curso de moda no Centro de Formação Profissional da Indústria Têxtil, mais conhecido por CITEX. Concluiu os estudos em 1991, data em que criou a própria marca: Nuno Gama Têxtil.

Ainda nesse ano, o criador apresentou a sua primeira coleção na ModaLisboa. Dois anos mais tarde, em 1993, ganhou o concurso para a criação das fardas dos funcionários dos museus portugueses — prémio que lhe deu algum nome. Seguiram-se as presenças em mais eventos nacionais (inclusive o Portugal Fashion) e em feiras pelo mundo, como a Nouvel Espace, em Paris, ou Gaudí, em Barcelona. 

Em 1996, abriu em Lisboa a primeira de nove lojas. Hoje, vende para todo o mundo: Estados Unidos, Japão, China e Angola, por exemplo. No mesmo ano ganhou um Globo de Ouro, na categoria de Personalidade do Ano, e a 9 de junho de 2015 foi reconhecido como Comendador da Ordem do Infante D. Henrique.

Em 2016, completou 50 anos e assinalou a data com a 50.ª coleção. A NiT aproveitou a celebração para entrevistar o sobrinho do escritor Sebastião da Gama, que até nos confidenciou que, se não fosse estilista, teria sido cozinheiro.

Recorde a entrevista e carregue na imagem para ver o desfile de Nuno Gama.

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