Moda

Este modelo foi descoberto há cinco meses — mas já desfila para a Louis Vuitton

A Just Models encontrou Diogo Gomes por acaso no Centro Colombo, em Lisboa. A vida dele nunca mais foi a mesma.
Na passerelle.

Nem Cristiano Ronaldo, muito menos Leonel Messi. Na adolescência, Diogo Gomes queria ser jogador de futebol, mas não tinha ídolos. “Sonhava ser melhor do que qualquer um deles”, conta à NiT o português de 22 anos que a 16 de janeiro deste ano desfilou para a Louis Vuitton na Semana da Moda de Paris.

Embora tenha nascido em Lisboa, o jovem viveu até aos 18 anos no Mónaco, no sul de França. “O meu pai, Emílio Gomes, já estava lá. Quando eu tinha um ano e meio veio a Portugal, separou-se da minha mãe, Maria de Lurdes, e levou-me com ele.”

Diogo passou a morar também com Benvinda, a madrasta a que carinhosamente sempre tratou por mãe. Diz que teve uma infância normal: “Era muito sossegadinho, também tímido. Brincava com carros, gatos e cães, tudo em casa”. 

Quando entrou na adolescência começou a sair mais vezes. “Ia muito à praia com amigos e aproveitava as férias e fins de semana para visitar os meus primos que moravam lá perto.” Foi nessa altura que Diogo começou a jogar futebol com regularidade no bairro onde morava, mas apenas nos tempos livres, já que era muito focado nos estudos.

“Tinha melhores notas a História, Desporto e Francês”, lembra. Aliás, na escola onde andava, o jovem não tinha a disciplina de Português. “Só aprendi a língua portuguesa aos 18 anos, quando decidi vir morar para cá”.

Beleza natural.

Não foi fácil deixar a vida que tinha, mas o agora manequim sentia que estava na altura de mudar. “A adolescência estava a acabar e eu tinha de arriscar. Queria vir descobrir o meu país de origem, aventurar-me e, claro, assinar um contrato profissional de futebol”, conta à NiT.

Diogo fez as malas, apanhou um avião e instalou-se na casa do primo Ângelo Sena. Começou por jogar num clube da Ameixoeira, mas foi na União Recreativa da Mercês, na Linha de Sintra, que passou a jogar futebol a sério. Era extremo direito.

“Acordava à hora que queria, ia descobrir a cidade, ao ginásio e depois acabava o dia nos treinos. Não treinava todos os dias, por isso aproveitava as folgas para treinar com o meu amigo Gerard, que era como um personal coach”. Na época, o jovem estava mesmo focado na carreira futebolística.

Tanto foi assim que a certa altura começaram a chegar propostas de outros países e Diogo esteve prestes a fechar contrato com um clube londrino — mas o negócio não avançou. Ainda assim, tudo mudou em agosto de 2019, quando estava a passear com a namorada, Filipa Pinto, no Centro Colombo, em Lisboa.

“Ela foi fazer as unhas e eu aproveitei para ir comprar comida para a gata [conta a rir]. A Rita Diogo [scouter da Just Models] veio ter comigo e disse-me que tinha um bom perfil, que me queria na agência.”

Ao início, Diogo não deu muita importância ao assunto — afinal, estava habituado a que lhe dissessem que era alto e bonito. Certo dia, no verão de 2013, estava numa praia em França e foi convidado para participar num editorial gratuito para a edição francesa da “Vogue”. “Nunca ouvi falar em pagamento”.

Pesa 70 quilos.

Acontece que desta vez resolveu ir até à agência e quando lá chegou percebeu que “era a sério”. “Conheci a equipa toda, o Duarte, a Vera e a Isabel. Explicaram-me tudo ao pormenor. Foram muito profissionais. Disseram-me que ia tirar umas fotografias e depois tratavam do resto.”

Diogo nunca se vai esquecer do primeiro casting. “Foi para a ModaLisboa no Turim Ibéria Hotel”. Eram 14 horas e o jovem vestia um look total preto. “Entrei e o diretor de casting pediu-me para desfilar de boxers. Fui até lá e dei a volta. Só isso.”

Na altura, o manequim não tinha experiência de passerelle, mas não achou que isso fosse um entrave. “Treinei muito a técnica em casa, vi muitos programas na televisão. A minha madrinha também foi modelo e eu cresci a ouvir falar em andar com elegância”.

O casting acabou por correr bem. Diogo não só participou na ModaLisboa em outubro, como viajou no fim de semana seguinte para o Portugal Fashion, no Porto. Entretanto, fez outras campanhas como para a empresa francesa Orange. 

Os primeiros meses como manequim estavam realmente a correr bem, mas foi uma chamada do booker Duarte Figueiredo que virou a sua vida por completo “Ele disse-me: ‘Já estás confirmado para Paris'”. Mas vamos aos dias anteriores. Confiantes no potencial deste jovem, os agentes da Just Models tinham enviado fotografias dele para várias agências francesas. A ideia era tentar que Diogo participasse na Semana da Moda de Paris.

“Houve uma agência que gostou da minha aparência e pediu uma reunião por Skype. Foi nesse mesmo dia que recebi a chamada do Duarte. Ia desfilar para Louis Vuitton. Nem queria acreditar”. 

Diogo apanhou o primeiro avião para França em outubro de 2019. “Fui fazer o fitting e conhecer a equipa. Bem, entrar na casa Louis Vuitton e ver as pessoas a criarem ali à minha frente foi incrível.” A viagem durou apenas um dia. O jovem voltou para Portugal e fez novamente as malas no início deste ano. O desfile, esse, aconteceu no dia 16 de janeiro.

“Falou-se também em participar no desfile da Prada, mas a Louis Vuitton quis a minha exclusividade”. Ao contrário do que aconteceu na ModaLisboa e Portugal Fashion, Diogo sentiu-se bastante tranquilo na passerelle. “Eles tinham acreditado em mim, sabiam a minha qualidade, por isso tinha de estar confiante.”

O desfile com sugestões para a temporada de outono/inverno 2020 tinha o nome de “Heaven on Earth”. Nos bastidores, antes de entrar, o português teve oportunidade de trocar umas palavras com Virgil Abloh, o diretor criativo da marca francesa.

Diogo tem dois irmãos.

“Tive de ser profissional, não podia mostrar-me demasiado deslumbrado. Falámos do que eu estava a vestir: um fato preto com recortes. Ele adorava e perguntou-me se eu também gostava”, conta o manequim que tem 1,86 metros e desfilou apenas esse coordenado.

Regressado há poucos dias desta experiência que considera incrível, tem aproveitado para descansar e estar perto da família. “Os meus pais estão muito felizes e orgulhosos, mas já me pediram para ter cuidado e não andar por aí a pagar coisas aos amigos“.

Por enquanto, não tem mais nenhum trabalho agendado, mas espera fazer carreira da moda. “A temporada dos editoriais vai começar em fevereiro e conto regressar as viagens nessa altura”.

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