Moda

Sofreu bullying, assumiu-se como transgénero e agora é modelo da Chanel

Teddy Quinlivan é a primeira manequim trans a trabalhar com a marca de luxo francesa.
Tem 25 anos.

Saber que estava a poucos minutos de desfilar para um dos maiores nomes da indústria da moda, a Marc Jacobs, não intimidou Teddy Quinlivan, naquela tarde de 7 de outubro de 2017. A modelo tinha decidido assumir-se como transgénero e achou que a curta entrevista nos bastidores da Semana de Moda de Nova Iorque à “CNN Style” era a altura perfeita para fazê-lo.

“Decidi revelar a minha verdadeira identidade por causa do clima político atual [referindo-se à violência contra a comunidade transgénero a que se assistira nos Estados Unidos]. Sou uma sortuda em estar numa posição que achei que nunca estaria. É importante usar esta vantagem neste momento para conseguir ajudar outras pessoas”, disse na altura.

A seguir à revelação, Teddy Quinlivan entrou na passerelle com um vestido florido e um turbante na cabeça e desfilou com a mesma confiança das outras vezes — mas muito mais aliviada. Afinal, tinha acabado com o seu sofrimento e gritado ao Mundo aquilo que realmente queria ser.

Com olhos e cabelo castanho e um metro e oitenta de altura, Theodora Quinlivan (Teddy para os amigos) nasceu em Boston, Massachusetts, nos EUA, a 22 de junho de 1994. Não teve uma infância nada fácil. “Tive sempre uma vida de luta. Sofri bullying constante na escola. Os miúdos ameaçavam que me matavam e até me davam detalhes de como o fariam. Levei muita pancada do meu pai, inclusive, ele chamava-me de bicha”, contou numa entrevista à revista “Allure“.

Felizmente, tudo mudou quando Nicolas Ghesquière, diretor criativo da Louis Vuitton, descobriu-a nas ruas em 2015 e convidou-a imediatamente para participar no desfile de primavera verão da casa francesa.

Na altura, a sua forte presença na passerelle e o rosto perfeitamente desenhado para ser manequim fizeram com que Teddy começasse a receber convites de várias marcas de luxo como Carolina Herrera, Dior, Hugo Boss e Prada. 

Naquele dia de 2017, quando finalmente se assumiu como transgénero, a modelo estava pronta para perder alguns dos seus contratos profissionais. Aliás, até essa data já tinha trabalhado duas vezes com a Chanel, mas acreditava que assim que mudasse “a identidade”, a casa francesa nunca mais a procuraria.

“Já tinha feito dois desfiles para a maison quando ainda não tinha assumido a minha identidade trans. Quando passei a falar abertamente sobre o assunto pensei que iria parar de colaborar com algumas marcas. Pensei que nunca mais trabalhasse para a Chanel”, disse em entrevista.

Contudo, tal não aconteceu. Passaram-se dois anos e a casa francesa acaba de anunciar que Teddy Quinlivan é o novo rosto da mais recente campanha de beleza “Chanel Pick Me Up” — ganhando, assim, o título da primeira modelo transgénero a trabalhar com a marca.

Assim que a notícia se tornou pública, a americana falou dela nas redes sociais. “Tenho muito orgulho em poder representar a minha comunidade”, escreveu. E foi mais longe: “O mundo vai rejeitar-te, cuspir-te e dizer-te que és inútil. É tua obrigação ter força para te levantares e continuares a lutar. Porque se desistires nunca experimentarás as lágrimas do triunfo. Obrigada a todos os que tornaram este sonho realidade.”

Quem também tem estado a ser bastante elogiada pela sua coragem e determinação é Valentina Sampaio, a primeira modelo transgénero de Victoria’s Secret. Depois de todas as polémicas que envolveram a marca de lingerie no primeiro semestre do ano — o desfile anual foi, inclusive, cancelado — ela decidiu anunciar a contratação da brasileira de 22 anos.

A modelo foi a primeira a dar a conhecer a ligação à Victoria’s Secret, a 2 de agosto, com a publicação de uma fotografia na sua conta de Instagram em que aparece nos bastidores da sessão de fotografias da nova campanha da linha Pink.

Apesar da idade, Valentina conta já com uma longa carreira no mundo da moda e já trabalhou com vários designers e marcas internacionais. A sua estreia na passerelle aconteceu na Semana da Moda de São Paulo, onde deu nas vistas. Após a estreia, foi contratada pela L’Oréal Paris, que fez da modelo uma das suas embaixadoras.

Quem não ficou nada satisfeito com a nova aposta da Victoria’s Secret foi Ed Razek, que se demitiu três dias depois do anúncio oficial. O site Business Insider teve acesso a um comunicado interno da empresa. Os representantes da marca ainda não comentaram a situação. Ed Razek era responsável por organizar o desfile anual da Victoria’s Secret desde 1995.

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