Lojas e marcas

Tentei sobreviver sem dinheiro na carteira — e foi um dia feliz

Durante quatro dias, quatro colaboradores da NiT deixaram as notas e as moedas em casa para aderirem ao movimento #CashlessLife.

Numa era em que tudo à nossa volta é digital, faz sentido continuarmos a usar moedas e notas para comprar o que nos apetece? É possível viver apenas com um cartão? Isso é mais ou menos seguro? Consigo poupar dinheiro dessa forma ou acabo por comprar coisas mais caras por não estar a olhar efetivamente para o dinheiro? Foi precisamente para responder a estas e outras perguntas que quatro colaboradores da NiT decidiram viver apenas com um cartão durante um dia inteiro. No fundo, decidiram ter uma #CashlessLife. Esta foi a experiência do João Cristóvão Baptista.

Nunca gostei de andar com moedas. Como nenhuma das minhas carteiras tem espaço para as guardar, levo-as sempre nos bolsos — e é por lá que passam os dias a fazer barulho a cada passo que dou. Na rua ou num espaço barulhento, isto não tem grande significado. Mas quando entro numa sala de reuniões ou num local mais silencioso, fico sempre com a impressão de que faço o mesmo som que faziam as esporas daqueles cowboys dos filmes quando entravam no saloon e que faziam virar todas as cabeças. Por isso, não posso dizer que aceitar o desafio de deixar todas as moedas e notas em casa e passar um dia inteiro só com o meu cartão na carteira tenha sido propriamente um sacrifício.

Sou impaciente. Não gosto de ficar à espera em filas, especialmente se o que está em causa são tarefas elementares como pôr gasóleo no carro. Já perdi conta aos dias em que andei com o depósito na reserva por não ter tido paciência para esperar numa fila dentro do posto para pagar. Este foi um desses dias. Como não queria correr o risco de ficar a meio do caminho e ser o tipo que vai a pé pela berma da estrada com um jerrican na mão a caminho da bomba mais próxima, tive mesmo de fazer uma paragem técnica no posto da PRIO na Alta de Lisboa.

Na minha cabeça, o trajeto para o trabalho tinha acabado de se prolongar mais uns dez minutos entre parar o carro, entrar na loja, esperar na fila, pagar, sair da loja, abastecer e finalmente regressar ao meu percurso. Por sorte, este posto tem cada um dos pontos de abastecimento equipado com um sistema que nos permite pagar e abastecer sem nos afastarmos mais de 50 centímetros do carro. Só faltava o contador dos segundos no canto da imagem para este abastecimento ser um pit stop numa prova de Fórmula 1: entre inserir o cartão, marcar o código, ter autorização e abastecer com 20€ de gasóleo, demorei menos de três minutos. Um novo recorde pessoal.

Não pude deixar de ficar orgulhoso da proeza. Mas acima de tudo, senti-me ainda mais determinado a explorar este admirável mundo novo em que as moedas e as notas não têm lugar.

Voltei a testar as potencialidades do meu cartão no final do dia, quando fui comprar jantar. Já com o salmão, alguns legumes, refrigerantes, uns iogurtes e pão fresco no cesto do Continente dirigi-me à caixa. Quando chegou a altura de pagar, ouvi do funcionário a típica frase do “pode inserir o cartão”. Mas não, não ia ficar pelo tradicional verde-código-verde, até porque estava com pressa. Decidi experimentar a funcionalidade contactless, em que apenas preciso de encostar o cartão ao terminal para validar as compras.

A resposta da máquina foi negativa. Ainda estava a tentar perceber o que tinha acontecido quando recebi uma explicação do funcionário. A minha conta somava um total de 23€ e os pagamentos contactless têm um limite de 20€ por compra. Segundo me explicou, é uma forma de garantir a segurança dos clientes. E a verdade é que parece fazer sentido: se me roubassem o cartão e decidissem fazer compras com o meu dinheiro, o máximo que conseguiriam era fazer pequenas despesas, até um limite mensal de 60€.

Ainda antes de ir para casa, fui literalmente arrastado para uma loja Zara pela minha mulher. Queria comprar fatos de banho a condizer para os miúdos. Os oito fatos de banho que cada um tem para este verão aparentemente não são suficientes. Escolhidos os modelos, nova hora de pagar. Aqui, também estava disponível a funcionalidade contactless, mas como a conta era de quase 30€, acima do limite de 20€ permitido, limitei-me a seguir as instruções da funcionária e inseri o cartão.

Confesso que me soube bem chegar a casa e não ter de tirar um quilo de moedas dos bolsos, como faço todos os dias. É uma rotina a que me podia habituar muito facilmente. No fundo, é viver uma #CashlessLife. 

Este artigo foi escrito em parceria com a Mastercard

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