Lojas e marcas

Ruas desertas e lojas quase vazias: foi assim o primeiro dia de saldos em Lisboa

Na manhã desta quinta-feira, 18 de junho, a NiT falou com alguns dos lisboetas que visitaram as lojas do Chiado.
A porta da Zara pouco antes da abertura.

Por volta das 9h45 desta quinta-feira, 18 de junho, estavam mais pessoas à porta do Activo Bank, na Rua Garrett, em Lisboa, do que da Zara. Na manhã do primeiro dia de saldos no Chiado, a equipa da NiT encontrou as ruas quase vazias e lisboetas surpreendidos com o cenário que os recebeu, habitualmente cheio de movimento (e até enchentes) na chegada das promoções.

“Eu achava que ia estar muita gente a esta hora já, como é o primeiro dia achava que iam estar filas gigantes”, revela à NiT Rita Rosa, de 22 anos, que encontrámos à porta da H&M por volta das 10h20. A estudante foi ao Chiado trocar algumas peças que encomendou online durante a quarentena e levou consigo a amiga Bruna Ferreira, de 23 anos. “Quando comecei a descer a rua e vi a Zara, a Bershka, a Stradivarius e tudo vazio achei estranho”.

Rita e Bruna.

De facto, as tão movimentadas ruas de uma das principais zonas da capital portuguesa não estavam preenchidas pela confusão característica desta época. Os tuk tuk, impacientes, faziam fila na berma da estrada à espera dos clientes que não chegavam e a famosa pastelaria Benard tinha apenas três mesas ocupadas para o pequeno-almoço.

Pouco antes de abrir, estava apenas uma pessoas à porta da Zara, mesmo à frente dos Armazéns do Chiado, agora decorados com um enorme arco-íris que se tornou no símbolo de esperança durante a pandemia. Maria Cunha, de 23 anos, foi cedo de propósito para ver os saldos da loja mais popular da Inditex — e chegou a ser a única pessoa à espera que as portas abrissem até se começar a formar uma pequena fila atrás de si, pelas 9h50.

“Não comprei nada durante a quarentena. Não gosto de comprar online, só mesmo ao vivo, e esperei pelo dia dos saldos”, conta a estudante à NiT. Sobre a nova normalidade, considera que “já passou aquela azáfama inicial” — “Toda a gente no geral parece mais tranquila, o que é bom e mau, principalmente em Lisboa”, conclui.

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A professora Teresa.

Um pouco mais acima na mesma rua, a NiT encontrou Teresa Carneiro, de 45 anos, à porta da Stradivarius. “Vim por causa dos saldos e para fazer uma devolução de uma compra que fiz online”, explica. “Isto está muito sossegado, mas eu acho que as pessoas devem ter ido todas para os shoppings, que abriram na segunda-feira”.

Teresa é professora no primeiro ciclo e diz que “praticamente não sai de casa” por causa da sua profissão. “Continuo com os cuidados todos, mas ao princípio chegava a casa em pânico, metia-me na banheira e metia a roupa na máquina. Agora já estamos familiarizados com o vírus e ansiosos por voltar à normalidade. Eu sou professora há 25 anos, tenho imensas saudades de estar com os meus alunos”, desabafa.

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Filipa, no Largo do Chiado.

No Largo do Chiado, Filipa Ribeiro, de 46 anos, diz que só soube dos saldos porque foi tomar o pequeno-almoço à Benard. “Vim dar uma volta e vou aproveitar para ver o que é que há”, conta à porta da United Colors of Benetton. “Aqui no Chiado não tenho receio nenhum. Está tudo a funcionar muito bem e com todos os cuidados. Noutras zonas de Lisboa já reparei que as coisas não funcionam tão bem”. 

Mais abaixo, na Rua Nova do Almada, Sofia Livraghi e Diana Sanches, ambas com 19 anos, eram as únicas pessoas à porta da Pull&Bear perto das 11 horas. “Viemos trocar umas coisas, fizemos sobretudo muitas compras online”, explicam as estudantes, rematando entre risos: “Pensávamos que ia estar muito mais gente, até viemos de manhã mesmo por isso”. 

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Sofia e Diana à frente da Pull&Bear.

Até os Armazéns do Chiado pareciam ter mais funcionários do que clientes durante a manhã desta quinta-feira. A Mango, na Rua do Carmo, passou a funcionar com horário reduzido: agora só abre às 11 horas. Todas as lojas tinham dispensadores à porta e sinaléticas que apelavam ao bom senso e ao cumprimento das normas de segurança e os clientes usavam as suas máscaras já sem acusar qualquer estranheza.

Pela zona mais turística de Lisboa, não passeavam turistas, não se ouvia o ruído dos carros nem a azáfama do costume. No primeiro dia de saldos não havia confusões nas lojas, roupas desarrumadas ou gente cheia de sacos a subir e descer a rua. Os poucos que por lá andavam pareciam acreditar que a culpa é da pandemia. “As pessoas criticam e dizem ‘mas se estás em casa porque é que precisas de roupa’, mas tem de haver um equilíbrio para mantermos a nossa sanidade mental”, conclui a professora Teresa.

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Os Armazéns do Chiado esta manhã.

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