Lojas e marcas

Nima Wear: a marca de camisas inglesas produzidas no Gana

Toby Davies tem 34 anos e é inglês. Há nove meses deixou o emprego e foi para o Gana começar um negócio.
À venda online.

Era sábado, 13 de julho. Dois jornalistas da NiT procuravam pessoas vestidas com camisas com padrões de flores no festival de música NOS Alive. O objetivo era fazer um artigo de moda sobre essa tendência que detetaram no evento. Conheceram um grupo de sete ingleses que se enquadrava no objetivo. Porém, as camisas eram um pouco diferentes das restantes encontradas naquela tarde. Os tecidos eram étnicos e com cores vibrantes.

“Estamos todos a vestir camisas da marca de roupa de um amigo nosso. Chama-se Nima Wear e as camisas são feitas no Gana”, conta à NiT um dos rapazes, com uma cerveja na mão.

Esse encontro levou-nos até Toby Davies, o criador da marca. Numa conversa à distância, que ligou Lisboa a Londres, ficámos a saber como surgiu a Nima Wear, a forte ligação com o Gana e como funciona a estampagem dos tecidos.

Toby Davies tem 34 anos e é natural de Londres, Inglaterra. Estudou Tecnologia do Som e Música Digital na Oxford Brookes University, mas era agente imobiliário quando começou a sua empresa.

“Uma camisa mudou a minha vida. Parece uma loucura, mas é verdade”, começa por explicar Toby Davies à NiT. “Quando o meu amigo Harry chegou do Uganda, em 2017, voltou com uma camisa que tinha sido cortada e cosida por uma costureira e feita com um tecido de cores fortes que ele tinha comprado num mercado”, continua.

“Adorei a camisa e adorei a história. A ideia de ter algo completamente único feito com tecido que ele tinha comprado, e ao mesmo tempo ter ajudado uma costureira local, pareceu-me mágico”. Toby tentou aprender tudo sobre estes tecidos e descobriu o termo African Wax Print (estampagem africana com cera, numa tradução livre).

Técnica manual.

“Odiava o meu trabalho e não estava numa fase boa da minha vida, mas olhar para as imagens daqueles tecidos com cores vivas não sei porquê fez-me feliz”, conta. Toby encontrou-se com a autora do livro “African Wax Print: A Textile Journey”, Magie Relph, e mostrou-lhe a camisa que o amigo tinha trazido do Uganda.

Magie explicou-lhe que o tecido não era africano e provavelmente teria sido importado. Muitos destes tecidos, devido à globalização, são imitações chinesas que inundam os mercados africanos, por vezes de forma ilegal, prejudicando a indústria têxtil manual.

African Wax Print são tecidos com prints de fabrico industrial, originalmente influenciados pelos métodos batik indonésios de tingimento com cera. Este processo permite que a impressão fique com a mesma cor, e vibrante, dos dois lados do tecido.

Toby Davies teve então a ideia de entrar neste mercado, apesar de não perceber nada de fabrico de roupa, nem nunca ter ido a África. Com a ajuda de Magie Relph, decidiu deixar o seu emprego e ir para o Gana à procura de tecidos genuínos.

Em novembro de 2018, o inglês aterrou no Gana para só regressar a Inglaterra em março de 2019. Quando lá chegou, conheceu no primeiro dia, por coincidência, uma das pessoas mais importantes do seu negócio.

Ao pedir no hotel onde estava hospedado para arranjarem um guia que o pudesse levar e ajudar no mercado Makola, conheceu Nurainy. O local apareceu de mota e ao saber o que levou Toby àquele país respondeu: “Sou alfaiate”. Dois meses depois, estavam a trabalhar juntos.

Nos cinco meses que Toby Davies passou no Gana, criou uma rede de costureiras pagas de forma justa para criar as camisas com tecidos nacionais autênticos e tingidos à mão, ajudando os fabricantes, artesãos, comerciantes e grossistas locais.

O nome Nima Wear surge do local onde tudo começou. “Nima é uma região na capital do Gana, Acra. Toda a produção aconteceu em Nima. É também o local onde o chefe de alfaiataria, Nurainy Inoussah, e o seu aprendiz, Fataou Cisse vivem e trabalham. Dei o nome como forma de tributo”, refere o dono da marca.

“Uma técnica que também usamos na Nima Wear são blocos de madeira com desenhos, como se fossem carimbos, que aplicamos diretamente no tecido recorrendo igualmente a cera, antes de o material ser tingido”, explica Toby.

As camisas podem ser compradas na plataforma Etsy desde julho. Custam 43,50€ e são masculinas, apesar de muitas mulheres as comprarem para si. Um site está a ser preparado. Mas se viver ou for visitar o Reino Unido, pode ainda encontrar as camisas Nima Wear em festivais ou mercados, como o famoso Portobello Road, em Londres.

Toby pretende alargar a coleção a outras peças, como vestidos e saias. “Também guardámos todos os restos de tecido da sala de costura após a primeira produção e pretendemos fazer peças pequenas para evitar o desperdício desnecessário”, remata o responsável.

Até lá, carregue na galeria para conhecer as camisas da Nima Wear.

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