Restaurantes

Terra Nova: o Terreiro do Paço é a nova casa do melhor bacalhau da cidade

O antigo Populi reabriu com nova dinâmica. Há muito por onde escolher mas os fãs do bacalhau têm aqui garantia assegurada.
Aqui o bacalhau é rei.

Lisboa conta agora com um Centro Interpretativo da História do Bacalhau, um espaço dinâmico que fomos conhecer onde a incrível história do peixe favorito dos portugueses vale uma visita daquelas que abrem o apetite.

Havia, por isso, uma grande responsabilidade para o restaurante que ia estar ligado a este novo projeto onde o bacalhau é a estrela. A missão coube ao antigo Populi, que surge agora reinventando, trazendo algumas lições do passado e novas escolhas. Foi com isto em mente que o Terra Nova by Populi abriu portas, coincidindo com a inauguração do centro interpretativo, a 22 de julho.

“Foi uma missão complexa escolher os pratos”, conta à NiT António Sousa Duarte, um dos administradores do espaço. É fácil de perceber porquê: ao servir bacalhau ali era importante satisfazer o exigente paladar dos portugueses, ao mesmo tempo que se dava a conhecer a estrangeiros um dos pontos fortes da gastronomia nacional.

A pandemia obrigou a que tanto o centro interpretativo como o Terra Nova tivessem de adequar os planos. Para o restaurante, o encerramento temporário serviu para “trabalhar o novo conceito”. “O momento é muito mais para fechar do que para abrir”, reconhece António Sousa Duarte. Mas nada disso alterou a filosofia que vinha do antigo Populi.

Um bacalhau à Brás impecável.

“Mantemos uma absoluta obsessão na qualidade da matéria prima”, realça. E isso mantém-se mesmo num tempo em que a Covid-19 tem feito mossa em setores como o turismo e a restauração. Com cerca de 200 metros quadrados, o Terra Nova conta agora com uma lotação pela metade, para 50 lugares, e uma esplanada num lugar privilegiado: o Terreiro do Paço.

Uma das lições do tempo do Populi e que se mantém, é a aposta em vinhos portugueses. Quando abriu há oito anos, o Populi contava com uma seleção de vinhos que era quase uma volta ao mundo. Mas os estrangeiros (e bem, acrescentamos), “insistem muito em vinhos portugueses”. E isso é algo que encontramos no Terra Nova. Tal como uma interessante seleção de cocktails.

São muitas as opções, de carne a outros peixes, passando por massas, que o Terra Nova tem disponíveis. Mas quando ali nos sentámos íamos com algo em mente: bacalhau. E não nos enganámos nas escolhas.

Os pastéis de bacalhau contam com uma textura fofa, muito levemente estaladiça, ótima para entrada. As pataniscas de bacalhau (13,5€) são finas, bem servidas, sem um toque de gordura a mais, e surgem acompanhadas por um arroz de feijão que quase podia ser um prato solitário.

Experimentámos ainda um bacalhau confitado (18,5€), com puré de grão e bok choy, um prato onde se destaca a cor, bem como um outro prato que seria um teste em qualquer espaço que sirva bacalhau: o bacalhau à Brás (15,5€), aqui servido com gema confitada — e se era um teste, da apresentação ao sabor, a prova foi superada.

Por estes dias o Terreiro do Paço recomeça a ter alguns turistas, embora bem longe da animação que seria normal no pico do verão, na capital. A este propósito, António Sousa Duarte lamenta um certo “divórcio dos portugueses com o Terreiro do Paço”. E é pena. “Não há razão para isso”, prossegue. “Às vezes parece que são os turistas de fora os que mais dão valor ao local. E a verdade é que não há na Europa outra praça como o Terreiro do Paço”. De resto, há estacionamento e transprotes que tornam o espaço mais acessível do que nunca.

As pataniscas têm fãs.

Perguntamos as razões para tal. António Sousa Duarte lamenta que haja um certo preconceito, sendo que um deles talvez seja a ideia de que os restaurantes da zona são caros. Ou só para turistas. Mas essa não é a regra.

O preço médio de uma refeição no Terra Nova pode ficar entre os 20€ e 25€ por pessoa. Há ainda opções de menu específicos para quem fizer reserva pelo site The Fork. Mas este Terra Nova tem outro ponto a seu favor.

É que além do espaço de restaurante, perfeito para almoços ou jantares, há um lado de café e mercado a funcionar no lobby do centro interpretativo, que inclui um balcão junto à entrada para o centro onde até é possível vermos pastéis de bacalhau a serem feitos.

A ideia é tão simples quanto certeira: depois de um passeio pelo mundo do bacalhau, é normal que a curiosidade tenha aguçado o apetite (foi o que nos aconteceu). Se a visita for a meio da manhã ou a meio da tarde, e não for boa altura para uma refeição, pode sempre provar ou levar para casa uns pastéis. O snack, como tudo o que provámos, vale a pena. Carregue nas imagens e descubra melhor o espaço.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Ala Nascente Terreiro do Paço 85-86
    1100-148 Lisboa
    Lisboa, Baixa
  • HORÁRIO
  • Aberto todos os dias das 9h30 às 23h
  • Aos fins de semana aberto até à 1h
PREÇO MÉDIO
Entre 20€ e 30€
TIPO DE COMIDA
Portuguesa

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