Restaurantes

Rei dos Queijos: agora já pode petiscar na histórica queijaria

A loja reabriu mesmo no centro do Porto com um espaço para refeições.

Esta é a divisão que recebe os clientes. O bar de queijo fica ao fundo desta sala.
Era uma das lojas mais antigas da baixa do Porto. Fundada em 1925, a Rei dos Queijos foi passando por várias gerações de família. Era também ali que Alzira Peixoto costumava lanchar quando era miúda. A loja acabaria por fechar em 2011, quando o dono se reformou, encerrando um ciclo de histórias capazes de se confundirem com a própria história da cidade. E, tal como Alzira, foram muitos os clientes que ficaram órfãos daquela casa histórica. Mas a designer industrial arranjou solução: juntou dois amigos e devolveu a tradição à cidade.  
 
O novo espaço — inaugurado no fim do mês de maio —conservou tudo o que é antigo naquela casa: estão lá as peças de mobiliário centenário, as mesas de mármore alentejano, as cadeiras de madeira, os aparadores e as montras originais. Tudo para evitar o fenómeno gourmet e a descaracterização de uma casa que tanto deve ao passado. “No Porto está a acontecer a destruição de espaços, para novos conceitos. Mas perde-se a alma. Este espaço tem alma”, resume Alzira Peixoto, designer industrial, e uma das três sócias. “Nós frequentávamos o espaço porque tínhamos escritório aqui perto. Quando fechou ficámos tristes.”
 
Tal como acontecia no espaço original, somos recebidos à entrada por uma montra de queijos. O queijo é o rei, sim, mas há outros produtos de aspeto irresistível, como as compotas, enlatados, chocolates, azeite e vinho. Além disso, já não é apenas uma loja, agora também serve refeições no bar de queijos. É preciso atravessar uma divisão para descobrir o antigo salão de chá, onde agora são servidas refeições quentes, com um menu variado mas tendo o queijo sempre como o elemento omnipresente: em diferentes tábuas, acompanhado por sopa, pratos quentes, sobremesas e uma carta de vinhos. A carta, de frios e quentes, foi desenhada pelo chefe João Pupo Lameira.
 
“Este espaço era um tesouro escondido”, diz à NiT Alzira Peixoto. E se aqui o tesouro tem diferentes cheiros, formatos e características, há uma coisa que os proprietários fazem questão de manter: uma casa de produtos nacionais para nacionais. Os estrangeiros são bem-vindos, mas a essência deste lugar é sobretudo portuguesa, fazendo justiça ao conceito original, de 1925, com uma oferta variada mas sempre nacional. Claro que o grande protagonista da história é um queijo, considerado o ex-libris da loja: um São Jorge com 36 meses de cura. Não existe em mais nenhuma loja do Porto.
 
Com uma lotação para 50 pessoas, o espaço tem uma carta extensa dividida entre queijos de vaca, cabra, frescos e mistura. Além das tábuas para quem gosta de petiscar, muito variadas e com diferentes preços — são entre os 5€ e os 14€ — os pratos quentes não deixam de ser um fator de atração para novos clientes: há croquetes com queijo de Seia e marmelada (5€), arroz de abóbora, framboesa e salva (7€), prego de lombo de boi, cebola e queijo sapidus (10€), rosbife de boi com ervas, ilha e batata doce (8.5€) ou a vazia maturada com 45 dias, batatas novas e tomates (28€), entre vários outros pratos. 
 

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Rua do Bonjardim, 154.
    Porto
  • HORÁRIO
  • De terça a domingo das : 12:00
  • até às : 19:30
  • Bar de queijos de quarta e domingo das : 12:00
  • até às : 23:00

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