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Avillez: “Fechar restaurantes não é uma derrota. Custa-me mais pôr pessoas no desemprego”

Uma semana depois de reabrir o Belcanto, a NiT falou com o chef para perceber como foi lidar com as mudanças em poucos meses.
A NiT esteve à conversa com o chef no Belcanto.

Quatro dias antes de ser declarado o estado de emergência, em março, José Avillez preparava-se para abrir mais um restaurante em Lisboa. O projeto do Cascabel, do Goumet Experience do El Corte Inglés, ia ganhar um conceito de rua. Estava tudo pronto para abrir, mas o espaço acabou por nunca receber clientes. “ Foi um projeto que morreu sem nascer”, explicou o chef em entrevista à NiT.

Em três meses tudo muda. Se em março estava para aumentar o leque de restaurantes do grupo, no início de junho anuncia que fecha seis de uma só vez: Mini Bar, no Porto; Café Lisboa, Cantina Peruana, Rei da China, Casa dos Prazeres e Beco, todos estes em Lisboa. Não acredita que os vá voltar a abrir, mas também não sente que tenha sido uma derrota completa.

Não sinto nenhuma derrota por isso. Sinto a preocupação de não poder renovar contratos, de pessoas irem para o desemprego. Preocupo-me com essas pessoas.” Revela que não despediu ninguém, que houve contratos não renovados e acordos feitos com alguns colaboradores. “É o que custa mais. Pôr uma pessoa no desemprego custa muito.”

O fluxo do turismo irá retrair os negócios. Por exemplo, o Belcanto, que fazia 90 refeições num dia, fez durante esta semana uma média de 30. “Dento do mau de perder clientes, temos uma marca diferenciadora, e uma oferta diferenciadora. Mas estamos com perdas de mais de 70 por cento.”

Acredita que todas as perdas só serão possíveis de recuperar em dois ou três anos. O setor da restauração é um dos que mais vai sofrer e para isso o próprio grupo já contribuiu, infelizmente. “Até a fim do ano, não tenho dúvidas disso, que entre 30 a 35 por cento dos restaurantes independentes vão desaparecer. Nós próprios, o que nos aconteceu, foi fechar 25 por cento dos restaurantes que tínhamos.”

O futuro ainda é incerto, mas espera para o ano já ver restaurantes cheios, pessoas mais felizes e menos desemprego. “Que estejamos a beber do copo uns dos outros.” No final, não houve apertos de mão. “Obrigado, cotoveladas para todos.” Tudo no bom sentido que as novas formas de cumprimentar obrigam.

Estamos no Belcanto, o restaurante que reabriu há quase uma semana [1 de julho]. Como é voltar a este espaço, voltar a receber as pessoas, era uma ansiedade voltar a tê-lo aberto?
Este novo Belcanto tem cerca de um ano. Infelizmente fomos interrompidos por esta pandemia que nos fez fechar portas durante três meses, 90 dias, mais ou menos. Reabrimos no princípio deste mês [julho]. Estávamos com muita vontade de abrir, mas sempre com alguma insegurança no que seria depois de abrirmos as portas. Não havendo turismo, muitas pessoas ainda com medo de sair à rua e frequentar restaurantes. Felizmente, as coisas têm corrido bem, o restaurante tem estado composto dentro do número de pessoas que podemos aceitar. Com um menu degustação 95 por cento novo, com pratos novos na carta e, por isso, estamos felizes.

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